Infantino aproxima FIFA da política de Trump e complica futuro do futebol

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O escândalo que envolve a FIFA e o seu presidente Gianni Infantino atingiu um novo patamar de exposição, com consequências que prometem ultrapassar largamente o actual Mundial. A ligação próxima entre Infantino e Donald Trump, evidenciada pelo recente caso Folarin Balogun, trouxe à tona suspeitas de interferência política directa nas decisões da organização máxima do futebol mundial.

Tudo começou quando Donald Trump, sem qualquer filtro, revelou publicamente a sua influência no processo de revisão do caso Balogun, afirmando: “Sim, pedi uma revisão à FIFA. Falei com um homem que é altamente respeitado e, aliás, cujo nível de respeito aumentou dez vezes.” Estas declarações, feitas pelo ex-presidente dos Estados Unidos na manhã seguinte a um fim-de-semana de silêncio absoluto por parte da FIFA, apanhou Gianni Infantino de surpresa e desencadeou uma tempestade de comunicados apressados da entidade, que até então se mantinha reservada sobre os detalhes do caso.

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O episódio deixou a Federação de Futebol dos Estados Unidos exposta ao ridículo, especialmente após Trump ter vangloriado a sua intervenção apenas para ver a sua selecção sofrer uma derrota humilhante por 4-1 frente à Bélgica. Curiosamente, há quem defenda que este desaire acabou por beneficiar a FIFA, desviando o foco do escândalo que a consumia e poupando os belgas à necessidade de agir judicialmente, cenário que se teria colocado caso Balogun tivesse sido decisivo numa vitória norte-americana.

A médio e longo prazo, porém, a estratégia de Infantino poderá ter colocado o futebol mundial numa teia de problemas legais e dificuldades desnecessárias. A relutância da FIFA em revelar qualquer detalhe do processo Balogun alimentou suspeitas de processos secretos e manipulações de bastidores, prontamente exploradas pelos media e pelas federações rivais. Uma fonte próxima do processo foi taxativa: “Não havia motivo nenhum para este caso. É completamente fabricado e o Trump está a revelar tudo.”

A FIFA procurou insistentemente garantir que o seu Comité Disciplinar é “independente”, mas um insider de alto perfil desmentiu esta ideia, classificando-a como “uma das maiores falsidades de sempre”. O verdadeiro problema, segundo esta análise, é que nada disto teria acontecido sem a intervenção da Casa Branca — uma ingerência política que, em qualquer outro contexto fora do Ocidente, seria imediatamente condenada.

As consequências já começaram a manifestar-se. Outras federações, inspiradas pelo clima de impunidade e pelo poder mobilizador do Mundial, ponderam agora contestar todas as decisões. A federação francesa pretende que seja anulada a advertência mostrada a Michael Olise, enquanto a Football Association do Reino Unido está a analisar todas as opções relativamente à expulsão de Jarell Quansah. Perante este cenário, o treinador Thomas Tuchel questionou: “Onde é que isto vai acabar?” — deixando no ar a suspeita de que o actual Mundial será apenas o início de uma nova era de contestação e instabilidade nos bastidores do futebol mundial.

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