Nathan Goldberg Crenier, vice-presidente da US Soccer, lançou um ataque frontal ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, classificando-o de “egoísta” e criticando duramente a forma como a organização tem gerido o Mundial deste verão. Num momento em que a FIFA enfrenta uma tempestade de acusações de fraude, corrupção e má gestão, as palavras de Crenier causam impacto pela origem inesperada, já que a sua própria federação beneficiou da decisão polémica de Infantino em suspender a sanção a Folarin Balogun, um dos seus melhores jogadores.
No dia da final do Mundial, o Conselho da Europa denunciou graves irregularidades na organização do torneio, apontando para interferências políticas, abusos racistas, parcerias obscuras com apostas e aplicação inconsistente das regras. Este cenário de crise é agora reforçado pelos protestos vindos dos Estados Unidos, através de uma carta aberta do vice-presidente da US Soccer, publicada no The Guardian, onde Crenier não poupa críticas a Infantino. “Durante anos, Infantino traíu os valores do futebol ao alinhar a FIFA, a organização que representa o desporto do povo, com Trump, cujo projeto político está enraizado na divisão, egoísmo e violência”, escreveu o dirigente norte-americano.

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A polémica à volta de Balogun sublinha ainda mais esta crise. A suspensão do jogador foi revertida num processo marcado por suspeitas de interferência política. Donald Trump admitiu publicamente ter contactado Infantino para defender o caso dos Estados Unidos, o que levou Crenier a acusar o presidente da FIFA de “permitir que a sua relação pessoal com Trump influenciasse o desfecho da decisão”. Esta ingerência, segundo ele, criou “uma tempestade política” que colocou pressão injusta sobre os jogadores norte-americanos e exige uma responsabilização clara de Infantino.
Crenier concluiu que os líderes do futebol têm o dever de proteger o desporto e salvar a FIFA da visão “egoísta e transaccional” que Infantino tem sobre o jogo. Apesar das críticas crescentes e dos pedidos por uma investigação, Infantino parece certo de ser reeleito para mais um mandato, um cenário que deixa poucas esperanças de mudanças significativas na governação da FIFA até 2030. O descontentamento manifesta-se cada vez mais alto, mas o futuro do futebol mundial continua envolto em polémica.
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