Antonio Conte está disposto a abdicar de metade do salário para regressar ao comando da selecção italiana, mas, mesmo assim, continua a ser uma aposta de ouro para a Federação Italiana de Futebol (FIGC): custará o dobro do que Roberto Mancini exigiria pelo mesmo cargo. Em plena crise após o terceiro falhanço consecutivo no apuramento para o Mundial, a federação debate-se entre dois pesos pesados do futebol transalpino, com a questão financeira a incendiar bastidores e a dividir opiniões entre dirigentes e adeptos.
A indefinição instalou-se em Roma desde que Gennaro Gattuso apresentou a demissão, no rescaldo da dramática derrota frente à Bósnia e Herzegovina no playoff do Mundial, no final de Março. Com Gattuso fora de cena, a FIGC procura, com urgência, um novo seleccionador capaz de devolver prestígio, resultados e esperança aos tifosi. Antonio Conte e Roberto Mancini, ambos antigos seleccionadores, são os nomes mais fortes na corrida para liderar a reestruturação da squadra azzurra. Entretanto, a própria estrutura directiva da federação sofreu um abalo: Gabriele Gravina, presidente da FIGC, também caiu após o desaire e já foi substituído por Giovanni Malagò, eleito formalmente este mês. Malagò vai liderar esta quarta-feira a sua primeira reunião do conselho federal, onde, para além da eleição dos vice-presidentes, se esperam discussões acesas sobre o futuro do banco da selecção.

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A possível contratação de Conte domina todas as atenções. O técnico, que durante a sua passagem pelo Nápoles auferiu uns impressionantes 8 milhões de euros limpos por época – tornando-se o treinador mais bem pago da Serie A –, demonstrou vontade de regressar à selecção, mesmo perante uma proposta milionária de 20 milhões de euros por época, vinda do Al-Ittihad, da Arábia Saudita, para substituir Sérgio Conceição. De acordo com as mais recentes informações, Conte estaria disponível para aceitar um corte salarial de 50%, ficando-se pelos 4 milhões de euros anuais para voltar a orientar a equipa nacional. Ainda assim, este valor representa o dobro do que Mancini aceitaria: segundo notícias desta quarta-feira, o antigo seleccionador aceita regressar por 2 milhões de euros por temporada.
Esta disputa salarial ganha importância vital num momento em que a FIGC enfrenta enormes desafios financeiros e de prestígio. A Itália, três vezes afastada do maior palco do futebol mundial, perdeu influência e poder de atracção internacional. A escolha do novo seleccionador não se resume, por isso, somente à competência técnica – é também uma decisão estratégica que poderá afectar o futuro económico e desportivo da federação. O regresso de Conte poderia significar uma aposta na disciplina, no rigor e numa mentalidade vencedora, características que o técnico demonstrou tanto na Juventus como na sua anterior passagem pela seleção. Por outro lado, Mancini, actualmente a orientar a Arábia Saudita, é visto como uma opção mais económica, mas igualmente experiente, tendo liderado a Itália à conquista do Euro 2020.
A imprensa italiana tem acompanhado o desenrolar desta novela com particular atenção, sublinhando a dimensão do esforço financeiro que representa o regresso de Conte. Apesar do corte proposto, permanece a dúvida: conseguirá a federação suportar tamanha despesa quando existem alternativas de qualidade a metade do preço? Nos corredores da FIGC, fontes próximas da direcção deixam claro que “a prioridade é devolver a Itália ao topo do futebol mundial”, sendo o investimento num técnico de topo visto como “uma aposta de risco calculado”.
O próprio Conte, em declarações recentes citadas por vários meios, deixou transparecer a sua disponibilidade: “Estou pronto para voltar a servir o meu país, com toda a paixão e dedicação. O dinheiro nunca foi o mais importante para mim”, afirmou o treinador, reforçando o seu compromisso com a selecção nacional. Já Mancini, abordado à margem de um recente encontro da AFC Asian Cup, declarou: “A Itália está sempre no meu coração. Se acharem que sou útil, estarei pronto para ajudar”. Estas palavras só adensam o clima de suspense e expectativa que envolve a decisão.
O futuro da selecção italiana será decidido nas próximas semanas, com Giovanni Malagò a prometer que “a escolha será tomada em função do bem maior da Itália”. Os próximos passos passam por negociações intensas, com reuniões marcadas para breve entre dirigentes e representantes dos técnicos. Caso Conte seja efectivamente escolhido, o impacto será imediato: renovada esperança nos adeptos, pressão máxima para resultados a curto prazo e um investimento financeiro que pode ser decisivo para o relançamento da squadra azzurra. Se Mancini regressar, a federação poderá canalizar recursos para outras áreas, confiando na sua capacidade de liderança e experiência.
Em qualquer dos cenários, a Itália está à beira de uma decisão histórica, com consequências profundas para o seu futuro competitivo e reputacional. O desfecho desta disputa promete agitar as próximas semanas do futebol europeu, com os olhos do mundo postos em Roma.
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