A gestão do regresso dos jogadores do Arsenal que estiveram no Mundial pode ser decisiva para a defesa do título na Premier League. Mikel Arteta sabe que, no futebol de elite, os detalhes mais pequenos fazem a diferença, e o descanso obrigatório após grandes competições internacionais é um desses fatores críticos.
De acordo com as regras da FIFA, os jogadores têm direito a um período mínimo de descanso de 21 dias depois de um torneio internacional. Assim, os futebolistas que disputarem a final do Mundial no domingo só deveriam regressar ao clube a 10 de agosto, a escassos seis dias do jogo da Community Shield. Esta situação obriga Arteta a ponderar decisões difíceis, que podem prejudicar a equipa a curto prazo, mas trazer benefícios a médio e longo prazo.

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O técnico espanhol conta com uma equipa de cientistas do desporto e médicos que acompanham de perto o estado físico e mental dos jogadores. Antes mesmo da deslocação ao Mundial, já se sabia que muitos atletas estavam fisicamente esgotados da época anterior. Bukayo Saka, por exemplo, teve os minutos controlados pela seleção inglesa, o que confirmou suspeitas de que não estava a 100% e teria falhado as últimas jornadas caso os troféus não estivessem em disputa. Declan Rice revelou este mês estar a sofrer de dores nervosas crónicas entre as costas e a parte superior da coxa, e alguns consideram que a recente doença do médio foi consequência do desgaste extremo a que foi submetido.
No passado, um início de pré-época sem Saliba, Rice e Saka teria sido um sério revés para as ambições do Arsenal, pois são peças fundamentais do plantel. Porém, com a reabertura da Premier League a 21 de agosto e o calendário exigente que se avizinha, talvez seja preferível ter estes jogadores renovados, mesmo que isso implique começar a temporada com menos ritmo competitivo.
Arteta conhece bem esta realidade, tendo sido capitão do Arsenal quando Arsène Wenger optou por dar mais de três semanas de descanso entre o fim dos compromissos internacionais e o início da época doméstica. O francês confiava nos especialistas que recomendavam um mês de pausa para garantir a recuperação. Essa decisão teve impacto imediato, pois perderam na primeira jornada da temporada 2016-17 contra o Liverpool, sem nomes como Alexis Sánchez, Mesut Özil, Olivier Giroud e Laurent Koscielny em campo — não por lesão, mas por falta de descanso.
Se Arteta seguir essa mesma linha, os jogadores ainda terão tempo para treinar antes do primeiro jogo da Premier League, embora com pouco tempo para preparação completa. A questão que se coloca é se vale a pena dar a jogadores como Rice uma pausa prolongada para recarregar energias, mesmo que isso custe alguns pontos no início da época. Para o treinador, gerir os recursos disponíveis é fundamental, e proteger o bem-estar dos atletas pode ser a chave para garantir uma temporada de sucesso a longo prazo.
Esta abordagem levanta um debate importante: deve Arteta priorizar a forma física dos seus principais jogadores, mesmo que isso signifique uma entrada mais lenta no campeonato? A decisão poderá definir o rumo do Arsenal na defesa do título.
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