A Premier League está ao rubro e o Arsenal sente o peso da pressão: após meses a liderar, os Gunners veem agora o Manchester City de Pep Guardiola a igualar-lhes os pontos e a ultrapassá-los na classificação pelo critério do golo. Com apenas cinco jornadas por disputar, a questão que paira no ar é clara e urgente: será que o Arsenal precisa de mudar de mentalidade para garantir o título?
Mikel Arteta não escondeu a tensão após a derrota por 1-0 diante do City no último domingo, afirmando que “é uma nova liga agora”. E, após a vitória dos citizens sobre o Burnley na quarta-feira, essa nova fase está oficializada. Ambos os clubes somam 70 pontos, com uma diferença de golos de +37, mas é o City quem lidera graças a ter marcado mais golos.
O Arsenal, que passou impressionantes 209 dias no topo da Premier League, tem visto o avanço do rival de Manchester, motivado por um registo recente pouco convincente: apenas seis vitórias nos últimos 13 jogos do campeonato. A oportunidade para se distanciar na liderança escapou-lhes, especialmente após derrotas consecutivas frente a Bournemouth e ao próprio City.
Wayne Rooney, antigo avançado e especialista em momentos decisivos, lançou um alerta crucial numa edição do seu podcast na BBC. Recordando a temporada 2011-12, na qual o Manchester United perdeu o título para o City por diferença de golos, Rooney relembra o conselho do lendário Sir Alex Ferguson: “Há que tentar marcar sempre, porque o campeonato pode ser decidido por diferença de golos.” Rooney reforça que, apesar da pressão, continua a considerar o Arsenal ligeiramente favorito, mas com uma condição vital: “O Arsenal tem tentado ganhar por 1-0, mas precisam de mudar essa mentalidade e ir para cima dos adversários, ganhar por três ou quatro golos.”
Este conselho não é de somenos importância. O Arsenal venceu 10 jogos esta época por um golo de diferença, o que representa quase metade das suas vitórias na Premier League (48%). Esta percentagem é a mais alta de um possível campeão desde o Leicester, em 2016, que conquistou o título com 61% das vitórias por margem mínima. Ainda assim, esse método pode funcionar – a média histórica de vitórias por um golo numa campanha campeã é de 10,7.
O problema é que o Arsenal está a caminhar para ser o campeão com menos golos marcados de jogo aberto na história da Premier League. Com apenas 1,15 golos de jogo aberto por jogo, precisam de pelo menos nove golos nos últimos cinco encontros para bater o recorde do Leicester em 2015-16, quando conquistaram o título com 46 golos de jogo aberto.
Do lado do City, a diferença é que, apesar de estarem empatados em golos e pontos, os citizens têm marcado mais três golos que o Arsenal, fator decisivo na liderança atual. A média de diferença de golos dos Gunners é de +1,12 por jogo, o que os colocaria no fim da época com uma diferença de +43. Este valor seria o mais baixo desde o título do Leicester há uma década, que detém o recorde de +32.
Para colocar em perspetiva, Liverpool venceu o título em 2019-20 com uma diferença de +45, enquanto a média histórica de diferença de golos dos campeões da Premier League ronda os +50. O Manchester City detém o recorde da maior diferença.
A questão é clara: o Arsenal precisa urgentemente de soltar o ataque, deixar de tentar “roubar” vitórias por 1-0 e passar a impor-se com golos e domínio. Com um plantel talentoso, incluindo jogadores como Kai Havertz, que apesar de não ser um finalizador natural tem capacidade para segurar a bola e ligar o ataque, é fundamental que a equipa liberte esse potencial. As chances desperdiçadas, como as duas perdas de Havertz no último jogo frente ao City, podem ser fatais na reta final.
Se o Arsenal quer evitar repetir o drama do passado, como o que viveu o United de Rooney em 2011-12, e garantir o título que tanto ambiciona, Arteta tem de incutir uma mentalidade mais agressiva e audaciosa na sua equipa. Afinal, num campeonato tão renhido, o triunfo pode muito bem ser decidido por uma diferença de golos, e a hesitação pode custar caro.
O relógio está a contar, os olhos estão postos em Londres e Manchester, e a Premier League prepara-se para um final de temporada eletrizante, onde o Arsenal tem de decidir: continuar a tentar ganhar por 1-0 ou arriscar tudo para triunfar em grande estilo. O título pode estar à distância de um golo… ou de muitos.
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