A Bélgica disparou para os oitavos-de-final do Mundial com uma goleada estrondosa por 5-1 frente à Nova Zelândia, assegurando o primeiro lugar do Grupo G e calando, pelo menos por agora, as críticas ferozes que se acumulavam após um arranque titubeante na fase de grupos. No entanto, nem o resultado expressivo nem o estatuto de líder do grupo convencem Thibaut Courtois, que lançou um balde de água fria sobre o entusiasmo nacional e internacional ao afirmar que os “Diabos Vermelhos” ainda estão longe de ser favoritos à conquista do troféu mais cobiçado do futebol mundial.
A selecção belga, que chegava a esta derradeira jornada do grupo sob intensa pressão, viu-se obrigada a responder em campo depois de empates desapontantes diante do Egipto e do Irão. A vitória categórica sobre os neo-zelandeses dissipou as dúvidas quanto ao apuramento, mas não apagou as críticas à inconsistência exibicional da equipa. Courtois, guarda-redes do Real Madrid e agora recordista de internacionalizações em fases finais de Mundiais pela Bélgica, não escondeu o alívio, mas manteve o discurso de prudência. “Sabíamos que havia críticas”, reconheceu o guardião, explicando que o balneário estava bem ciente do descontentamento generalizado. “É normal, porque não fizemos um bom jogo contra o Egipto e depois falhámos demasiadas oportunidades frente ao Irão. Isso fez com que o último jogo se tornasse num tudo ou nada. Acho que respondemos bem e agora podemos concentrar-nos no próximo desafio.”

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O triunfo diante da Nova Zelândia serviu para restaurar a confiança no grupo, mas Courtois não se deixou embalar pelo entusiasmo e procurou travar as expectativas em torno da selecção belga. “Não, não acho que possamos ganhar o Mundial neste momento”, atirou sem rodeios, realçando que “temos de ser realistas. Acho que ainda estamos longe de ser um dos favoritos. Só quando se chega às meias-finais é que se pode começar a falar em vencer. Antes disso, é impossível.” Estas palavras, proferidas após o apito final, ecoam um sentimento de humildade e uma avaliação fria do momento actual da Bélgica, contrastando com o optimismo que costuma envolver a equipa nesta fase da competição.
A importância destas declarações é inegável. A Bélgica, que em 2018 chegou às meias-finais e conquistou o terceiro lugar – o melhor registo da sua história –, enfrenta agora um escrutínio ainda maior, sendo vista como uma geração de ouro que poderá estar a perder fulgor. Courtois admitiu mesmo que “não temos o mesmo nível de qualidade que tínhamos em 2018, mas continuamos a ter uma equipa muito boa.” Esta análise, vinda de uma das principais figuras do balneário, deixa claro que o próprio grupo mantém os pés bem assentes na terra, recusando-se a entrar em euforias antecipadas.
Para o experiente guarda-redes, o objectivo imediato passa por atingir os quartos-de-final, etapa que poderá servir de trampolim para voos mais altos. “Se chegarmos aos quartos-de-final, então temos uma boa oportunidade e qualquer coisa pode acontecer no futebol”, referiu Courtois, sublinhando que “podemos competir com qualquer equipa do mundo e dificultar-lhes a vida. Se isso será suficiente para ganhar o torneio, só o tempo o dirá.”
No plano individual, o encontro contra a Nova Zelândia teve um sabor especial para Courtois, que ultrapassou Enzo Scifo e tornou-se no jogador belga com mais presenças em fases finais de Mundiais, ao somar a sua 18.ª internacionalização nestas competições. O guarda-redes de 34 anos não escondeu o orgulho pelo feito: “Estou muito orgulhoso. Provavelmente nunca vou apanhar o Jan Vertonghen ou o Romelu Lukaku em número total de jogos pela selecção, por isso ser o belga com mais jogos em Mundiais é algo muito especial. Todos no grupo sentem-se bem e esperamos ir o mais longe possível. Mas agora é que o verdadeiro torneio começa.”
A Bélgica prepara-se assim para entrar nos oitavos-de-final sob uma nuvem de expectativas moderadas, mas com a confiança reforçada pelo último resultado e pela experiência acumulada dos seus principais jogadores. As próximas semanas ditarão se este apelo à prudência de Courtois servirá de motivação extra ou se será a antecâmara de mais uma decepção para uma geração que ainda procura cimentar o seu legado. O desafio está lançado e os olhos do mundo estarão postos nos Diabos Vermelhos, que têm agora a oportunidade de provar em campo se a humildade é apenas estratégia ou o reflexo fiel da realidade belga.
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