Declan Rice, o médio do Arsenal, falou com uma franqueza impressionante após a dolorosa derrota na final da Liga dos Campeões frente ao Paris Saint-Germain, num desfecho dramático decidido nas grandes penalidades em Budapeste. Depois de uma temporada épica, que culminou na conquista do título da Premier League pela primeira vez em 22 anos, o desaire europeu caiu como um balde de água fria para jogadores, adeptos e toda a estrutura do clube londrino. Contudo, o internacional inglês garantiu que esta derrota não será o fim, mas sim o ponto de partida para um Arsenal ainda mais forte e determinado.
Rice, que esteve em campo durante os 120 minutos do jogo, mostrou-se sereno na conferência de imprensa, reconhecendo a magnitude da jornada que a equipa viveu desde julho, em Singapura, até à final em solo húngaro. “Foi uma montanha-russa desde o início da época. Esta foi a nossa 63.ª partida da temporada, e tem sido uma viagem incrível. Vencer a Premier League depois de 22 anos foi um sonho, e chegar a esta final foi a realização de outro sonho”, confessou o médio. Contudo, admitiu que a derrota nos penáltis “com margens tão pequenas” é dolorosa, mas sublinhou que “isto não define este grupo”.
A análise de Rice sobre a final foi clara e lúcida: “Parabéns ao PSG, que tem sido a melhor equipa da Europa nos últimos anos. Possuem o melhor ataque do mundo e não se pode jogar à mesma maneira que outras equipas, a segui-los por todo o campo, porque é isso que eles querem. Conseguimos anular-lhes as oportunidades e também tivemos as nossas chances.” O inglês, que já conquistou a Liga Conferência com o West Ham em 2023, sabe bem o que é triunfar na Europa, e prometeu que o Arsenal vai regressar ainda mais forte.
“Desde que cheguei a este clube, temos tido uma trajectória ascendente. Esta época estivemos a competir em todas as frentes até março, o que é muito exigente mentalmente. Desde outubro, jogámos três vezes por semana, e por isso tenho muito orgulho destes rapazes pelo caminho que percorremos”, destacou Rice, antes de revelar a mentalidade que vai guiar o Arsenal daqui para a frente: “Vamos usar esta derrota para nos impulsionar nas próximas épocas. Falámos com o treinador e entre nós, e não há razão para pararmos aqui. No próximo ano, vamos ser ainda mais fortes e vamos estar prontos. São tempos entusiasmantes para este clube.”
O médio não poupou elogios a Mikel Arteta, destacando o impacto do técnico espanhol na mudança táctica da equipa, que em Budapeste optou por sacrificar a posse de bola em prol da solidez defensiva, dominando menos de 25% do jogo. “Depois da partida, o Arteta disse-nos que nos ama a todos, para mantermos a cabeça erguida e termos orgulho no que conquistámos esta temporada. É alguém que está connosco a 100% todos os dias, a quem recorremos para orientação e força nos momentos difíceis, e é por isso que ficámos tão felizes por lhe dar a Premier League, porque ele merece”, afirmou o jogador de 25 anos.
Antes de regressar ao Arsenal para a próxima temporada, Declan Rice tem pela frente o desafio do Mundial com a seleção inglesa, que procura acabar com uma seca de 60 anos sem um troféu de grande dimensão. O médio será peça chave para Thomas Tuchel na estreia do grupo contra a Croácia, marcada para 17 de junho, e promete levar a mesma garra e determinação demonstradas ao longo de toda esta temporada. O Arsenal pode ter falhado o título europeu, mas a revolução liderada por Rice e Arteta está apenas a começar, e os adeptos já sonham com um futuro repleto de glória.
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