Escócia depende de terceiros para chegar aos oitavos do Mundial

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A incerteza paira sobre o futuro da festa escocesa nos Estados Unidos, depois de a selecção da Escócia ter ficado à mercê de terceiros para garantir a tão desejada passagem à fase seguinte do Mundial. Os adeptos escoceses, conhecidos pela sua paixão inabalável e pelas deslocações em massa, enfrentam agora dilemas logísticos e financeiros que prometem desafiar até o mais fervoroso seguidor da Tartan Army.

A situação complicou-se quando, ainda com os adeptos a regressar do estádio, a notícia do triunfo surpreendente da África do Sul sobre a Coreia do Sul no Grupo A caiu como uma bomba. Este resultado deixa a Coreia do Sul com três pontos e uma diferença de golos superior à da Escócia, comandada por Steve Clarke. Com apenas três dos doze grupos já concluídos e apenas oito terceiros classificados a seguirem para os oitavos-de-final, a Escócia encontra-se actualmente na sétima melhor posição entre os terceiros, dependente de múltiplos “favores” alheios para manter viva a esperança de uma qualificação histórica.

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Num cenário em que o destino escocês continua em suspenso até à noite de sábado, multiplicam-se as angústias e decisões de última hora entre os adeptos. O que fazer até lá? E, sobretudo, para onde viajar caso o improvável aconteça e a Escócia consiga, finalmente, romper a maldição e atingir a fase a eliminar de um Mundial?

A importância desta notícia transcende o simples resultado desportivo. Para a Escócia, esta eventual qualificação representaria um feito sem precedentes, podendo projectar a selecção para uma nova era de ambição e reconhecimento internacional. Para os adeptos, trata-se de um investimento emocional – e financeiro – sem paralelo, com milhares de quilómetros, centenas de libras e a vida pessoal em pausa por uma paixão que não conhece limites. A instabilidade nos resultados acaba por transformar o Mundial numa autêntica montanha-russa para todos os envolvidos.

As histórias multiplicam-se. Dave Watson, apresentador do podcast “No Scotland No Party”, revelou à BBC Scotland que “tinha inicialmente reservado o voo de regresso logo após o último jogo, mas agora vou para Nova Iorque na quinta-feira para esperar até o destino da Escócia ser decidido.” Callum, vindo de Linwood, partilhou: “O meu pai tem voo para casa na sexta-feira, tem de voltar ao trabalho, mas eu despedi-me e vendi o carro para estar aqui, por isso agora não vou regressar. Vou ficar e ver o que acontece.” Já Alan Horsburgh desabafou sobre o quebra-cabeças logístico com que se depara: “Vou de Orlando para Reiquiavique e depois para Copenhaga, onde vivo. Amanhã tenho uma viagem de autocarro de cinco horas de Miami até Orlando e, durante esse tempo, vou tentar perceber todas as permutações possíveis para descobrir se passamos e onde podemos jogar. Ou volto a casa ou tento arranjar um voo para a minha mulher regressar comigo. Com milhas aéreas consigo voos baratos para Boston, o que seria perfeito, já para a Cidade do México, nem por isso.”

Outros adeptos, como Ian Greenwell, de Bathgate, mantêm a esperança: “Voltamos amanhã, mas vamos estar atentos aos resultados. Se passarmos, voltamos.” Leslie Higgins acrescentou: “Vamos estar de volta ao Connecticut no sábado, mas se for em Boston será difícil resistir a voltar. A família esteve toda lá, não sei se conseguimos todos regressar, o cartão de crédito já foi ao limite.”

No capítulo das despesas, preparar-se para o improvável pode sair caro. Para os que decidirem ficar em Miami até domingo, voar para Boston custa, no mínimo, 261 libras com mala incluída. Para Nova Iorque, o voo mais barato ronda as 17 libras, tornando-se uma opção tentadora. Já para a Cidade do México, os preços sobem consideravelmente: um voo directo custa cerca de 433 libras e demora três horas e meia. Tudo isto antes de contabilizar os custos de alojamento, que continuam inflacionados desde o início da competição.

A cidade de Boston tornou-se já quase uma segunda casa para os escoceses nesta campanha, com o estádio – palco das duas primeiras partidas contra Haiti e Marrocos – a uma hora do centro. Ao longo do George River, multiplicam-se hotéis, bares e pubs que serviram de quartel-general à Tartan Army, caso consigam manter a esperança acesa por mais uns dias.

O que se segue? O destino da Escócia está pendente de terceiros, mas a paixão dos adeptos não esmorece. Caso se confirme a passagem, a deslocação seguinte poderá ser para Boston, confrontando-se possivelmente com a poderosa Alemanha; para Nova Iorque/Nova Jérsia, frente a França ou Noruega; ou, num cenário menos apetecível, para a Cidade do México diante do México. Em cada hipótese, enfrentam-se novos desafios logísticos e financeiros, mas a promessa de testemunhar história mantém viva a chama escocesa. Resta esperar, fazer contas à vida e, quem sabe, preparar a próxima epopeia da Tartan Army – sempre com o coração nas mãos e a mala pronta para aonde o sonho os levar.

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