A participação do Irão no Mundial de 2026 está em suspenso, e a incerteza começa a gerar alvoroço no panorama futebolístico. Com a tensão crescente no Médio Oriente, duas seleções emergem como favoritas para assumir a vaga que poderá ser deixada pela equipa iraniana: o Iraque e os Emirados Árabes Unidos. Este cenário tenso foi acentuado por declarações alarmantes de Mehdi Taj, o presidente da Federação Iraniana de Futebol, que expressou a sua preocupação em relação à presença da seleção no torneio, afirmando: «Depois deste ataque, não se pode esperar que olhemos para o Mundial com esperança».
A FIFA, que se comprometeu a garantir a realização do torneio programado para começar a 11 de junho, enfrenta a pressão de tomar uma decisão rápida. Fontes do organismo indicam que, caso o Irão se retire, a vaga deverá ser preenchida por outra seleção da Confederação Asiática de Futebol (AFC). Os regulamentos da FIFA são vagos nesta questão, permitindo à organização a “total discrição” para “tomar qualquer medida que considere necessária”, abrindo assim a porta a diversas interpretações.
O Iraque destaca-se como o principal candidato a herdar a vaga iraniana. A seleção iraquiana já deu passos significativos ao vencer os Emirados Árabes Unidos num play-off, o que lhe garantiu um lugar num play-off intercontinental contra a Bolívia ou o Suriname, marcado para 31 de março em Monterrey. Se o Iraque não conseguir a qualificação direta, será o primeiro na linha de sucessão para substituir o Irão, segundo fontes da FIFA.
Se, por outro lado, o Iraque conseguir a qualificação direta, a oportunidade poderá ser então oferecida aos Emirados Árabes Unidos, que são a seleção asiática com o melhor ranking que não se qualificou para o torneio. Este cenário está a criar um clima de expectativa e especulação entre os adeptos e analistas do futebol.
Em meio a esta incerteza, o secretário-geral da FIFA, Mattias Grafström, garantiu no último sábado que “o nosso foco é ter um Mundial seguro com a participação de todos”. Contudo, a tensão entre o Irão e os Estados Unidos já se refletiu em restrições significativas, incluindo a proibição de entrada de cidadãos iranianos no país, com exceções limitadas para a equipa nacional. Além disso, vários dirigentes iranianos, incluindo Mehdi Taj, enfrentaram dificuldades ao serem negados os vistos para o sorteio do Mundial, que ocorreu em Washington em dezembro.
É importante recordar que o Irão garantiu a sua qualificação ao vencer o Grupo A da terceira fase de apuramento da AFC, e tem jogos agendados contra a Nova Zelândia e a Bélgica, em Los Angeles, e contra o Egito, em Seattle. Com o futuro da seleção iraniana em jogo, o desfecho desta situação poderá ter repercussões significativas no Mundial, e os olhos do mundo estarão voltados para as decisões que se seguem.
