Um golo de Caleb Yirenkyi ao cair do pano incendiou os adeptos do Gana e atirou o país para o topo do Grupo L do Mundial 2026, lado a lado com a Inglaterra. Num encontro tenso e disputado sob chuva intensa em Toronto, os ganeses arrancaram uma vitória crucial por 1-0 sobre o Panamá, graças a um desfecho dramático que só se decidiu nos descontos. Esta entrada fulgurante no Campeonato do Mundo pode ser o tónico perfeito para a ambição africana, enquanto os panamianos ficam em apuros e obrigados a correr atrás do prejuízo.
A selecção do Gana, orientada pelo português Carlos Queiroz, apresentou-se determinada, mas encontrou um Panamá muito organizado e capaz de criar perigo, sobretudo nos minutos iniciais. Logo aos dois minutos, Cecilio Waterman obrigou o guarda-redes Lawrence Ati-Zigi a uma defesa apertada, na sequência de um cruzamento venenoso da direita. No entanto, as oportunidades claras de golo escassearam durante a primeira parte, marcada por um futebol cauteloso e várias disputas físicas que deixaram marcas nos jogadores africanos.

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O Panamá esteve por cima na primeira metade, ameaçando por intermédio de Cristian Martínez, que viu um possível penálti ser-lhe negado, e Jiovany Ramos, que desperdiçou uma ocasião flagrante ao atirar muito por cima após uma defesa acrobática de Ati-Zigi. O Gana, por sua vez, só ameaçou verdadeiramente já perto do intervalo, quando Antoine Semenyo, do Manchester City, começou a assumir o jogo pelo centro do terreno e lançou Marvin Senaya — mas este acabou por acertar mais na bandeirola de canto do que na baliza.
O segundo tempo trouxe alterações de ambos os lados, com o guarda-redes ganês Ati-Zigi a ser substituído por Benjamin Asare devido a lesão. Com nova energia, os africanos subiram as linhas e tiveram finalmente uma oportunidade, através de Jonas Adjetey, que cabeceou à figura de Orlando Mosquera. O Panamá respondeu com Martínez a falhar por escassos centímetros e Ramos a tentar a sorte de fora da área, mas sempre sem sucesso.
À medida que o relógio avançava e o empate parecia inevitável, o Gana apostou tudo. Uma arrancada brilhante de Brandon Thomas-Asante pela direita resultou num cruzamento perfeito para Caleb Yirenkyi, que, já em tempo de compensação, desviou para o fundo das redes, gelando o Panamá e fazendo explodir de alegria os adeptos ganeses. A festa foi total: Gana conquista assim três pontos de ouro logo no arranque da competição.
No final, Carlos Queiroz mostrou-se satisfeito com a exibição da sua equipa, mas não escondeu algumas críticas: “Com o futebol que jogámos hoje, podemos contar com o Gana para fazer alguma coisa”, afirmou o treinador português, sublinhando ainda: “Os jogadores do Gana foram algo ingénuos e pouco agressivos na primeira parte.” Queiroz aproveitou ainda para expressar preocupação quanto ao estado físico de Ati-Zigi, admitindo: “Não sei se Ati-Zigi estará disponível para defrontar a Inglaterra em Boston, na terça-feira.”
Do lado panamiano, Thomas Christiansen reconheceu o amargo da derrota, mas recusou baixar os braços: “Foi uma derrota dolorosa, merecíamos melhor. Temos lições a tirar. No Mundial, os erros pagam-se caro. Agora não é tempo de arrependimentos. Não seremos tímidos contra a Croácia. Queremos mostrar que o Panamá é difícil de bater e lutaremos até ao último fôlego.”
Este resultado coloca o Gana em posição privilegiada para atacar os oitavos-de-final, numa luta que se adivinha feroz com a Inglaterra, enquanto o Panamá vê a margem de erro drasticamente reduzida antes do duelo com a Croácia. O próximo jogo dos ganeses, frente aos ingleses, pode decidir muito do futuro imediato da formação africana, que procura repetir ou até superar as façanhas históricas de 2010. Para o Panamá, apenas a vitória interessa, sob pena de ver o sonho mundialista desvanecer-se precocemente. O Mundial 2026 começou ao rubro e promete emoções ainda mais fortes nas jornadas que se seguem.
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