Erling Haaland, o fenómeno do futebol mundial nascido em Leeds, Inglaterra, mas moldado na Noruega, é agora o herói que terminou um jejum de 28 anos do seu país no Campeonato do Mundo. Quando a Noruega garantiu a qualificação para a prova máxima do futebol internacional, não só confirmou um feito histórico como também selou uma missão pessoal que o avançado de 25 anos acarinhava desde há muito tempo.
Antes de se tornar o temível ponta-de-lança do Manchester City, Haaland já era a grande esperança da Noruega para acabar com a ausência prolongada do Mundial. Foram 16 golos em oito jogos na fase de qualificação, números que espelham a sua capacidade de carregar uma nação de apenas 5,5 milhões de habitantes nas costas. Tudo começou quando, ainda em adolescente, a sua enorme qualidade foi detetada no modesto clube norueguês Bryne, que rapidamente o promoveu nas suas camadas jovens.
A sua carreira foi pensada e construída meticulosamente para maximizar o seu potencial, passando por clubes como o Molde, sob o comando de Ole Gunnar Solskjaer, que reconheceu desde cedo o talento de Haaland e lamentou não o ter levado para o Manchester United. O salto para a ribalta mundial deu-se com a passagem pelo Red Bull Salzburg e, sobretudo, pelo Borussia Dortmund, antes da transferência inevitável para o Manchester City em 2022 – um regresso quase simbólico à liga inglesa, onde o seu pai, Alf-Inge Haaland, jogou durante anos.
Apesar do estrelato global, Haaland mantém uma forte ligação à Noruega. Possui várias propriedades no país e não esconde o orgulho nas suas raízes viking, algo que se reflete até no nome que ostenta nas camisolas internacionais: Braut Haaland. O avançado não é apenas um atleta de elite, é também um homem que valoriza a sua identidade e cultura, algo que o torna ainda mais especial para os adeptos noruegueses.
O percurso do prodígio norueguês podia ter seguido outro rumo, já que, por nascimento, poderia ter optado pela seleção inglesa. No entanto, as suas convicções pessoais e o amor pelo país que o viu crescer falaram mais alto, mesmo sabendo que a Noruega não era, até agora, uma presença habitual em grandes competições internacionais. Gareth Southgate, selecionador inglês em 2020, foi claro quando questionado sobre a possibilidade de Haaland representar os “Três Leões”: “Com jogadores como ele, é muito claro onde querem jogar. Ele sente essa ligação forte ao país que representa e isso merece todo o respeito.”
Erling Haaland é hoje um dos nomes maiores do futebol mundial, mas também um símbolo de esperança e orgulho para a Noruega. A sua missão está longe de terminar: depois de conquistar tudo a nível de clubes, o próximo desafio é levar a sua seleção a voos ainda mais altos no Mundial, continuando a carregar nas costas o sonho de uma nação inteira.
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