O alerta de Alan Shearer está a agitar os bastidores da selecção inglesa: a dependência crónica em Harry Kane e Jude Bellingham está a tornar-se um problema sério para as aspirações de Inglaterra no Mundial 2026. Após mais uma exibição sofrida frente à República Democrática do Congo, resolvida graças a dois golos de Kane, multiplicam-se as dúvidas sobre a real capacidade dos Três Leões em ir longe nesta competição sem diversificar o seu jogo ofensivo.
A selecção inglesa garantiu a passagem aos oitavos-de-final do Campeonato do Mundo com uma vitória suada por 2-1 sobre o Congo, num encontro realizado apenas quatro dias antes do crucial embate com o México no mítico Estádio Azteca. Kane, capitão e referência máxima do ataque inglês, voltou a ser decisivo ao bisar e elevar o seu total para cinco golos na corrida pela Bota de Ouro e para um impressionante acumulado de 12 golos em fases finais de Mundiais. Contudo, a equipa orientada por Thomas Tuchel continua a demonstrar dificuldades em impor-se, com falhas evidentes no jogo colectivo e dependência excessiva das individualidades.

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A situação agravou-se ainda mais com as lesões no lado direito da defesa. Reece James e Jarell Quansah estão fora das opções, o que obrigou Tuchel a lançar Djed Spence para o onze inicial e ponderar até utilizar Declan Rice como solução de recurso frente à equipa de Javier Aguirre. A instabilidade defensiva ficou exposta diante dos congoleses, que aproveitaram as fragilidades para criar perigo e marcar logo na primeira oportunidade. A permeabilidade em frente à linha defensiva e a ausência de qualidade nas alas foram apontadas como problemas estruturais.
Alan Shearer, antigo capitão e lenda do futebol inglês, não poupou nas críticas e alertou para os riscos deste modelo dependente de Kane e Bellingham: “O que aprendemos com Inglaterra neste Mundial é que os seus dois jogadores mais importantes, de longe, são Bellingham e Kane. Isso ficou claro contra o Congo. Bellingham teve muito azar por não marcar, porque o guarda-redes deles fez algumas defesas brilhantes”, afirmou Shearer, sublinhando a falta de alternativas na criação ofensiva. “Kane na zona de finalização é simplesmente brilhante. Mas, defensivamente, houve buracos a mais à frente da defesa, permitimos oportunidades e eles marcaram logo na primeira. Falta também qualidade suficiente nas alas para Inglaterra”, acrescentou o ex-avançado, em declarações após o jogo.
Esta dependência coloca pressão máxima sobre Kane e Bellingham, que têm sido os principais motores do sucesso inglês, tanto sob o comando de Tuchel como anteriormente com Gareth Southgate. O desgaste físico e psicológico dos dois jogadores poderá revelar-se fatal à medida que a competição avança e o grau de exigência aumenta, sobretudo perante adversários mais organizados e com plantéis mais equilibrados.
O encontro com o México afigura-se como um verdadeiro teste ao colectivo inglês. Caso Tuchel não consiga encontrar soluções e alternativas credíveis para apoiar as estrelas da companhia, Inglaterra arrisca-se a ver o sonho do título mundial desmoronar-se. Os próximos dias serão decisivos: a equipa técnica terá de corrigir as lacunas defensivas, reinventar o flanco direito e, acima de tudo, encontrar novas armas ofensivas além da dupla Kane-Bellingham. Caso contrário, a glória mundial poderá continuar fora do alcance de uma geração que, apesar do talento, ainda não provou ser verdadeiramente equipa.
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