Lionel Messi voltou a ser o protagonista absoluto ao rubricar um hat-trick frente à Argélia, mas o verdadeiro espectáculo está nos números que emergem das primeiras 24 partidas do Mundial, oferecendo uma perspetiva inédita sobre quem domina, quem desilude e quem surpreende. O que dizem realmente os dados acumulados após todos os 48 países terem finalmente entrado em campo? Prepare-se para descobrir estatísticas que desmontam mitos, revelam tendências e lançam alertas à navegação para gigantes e outsiders.
Desde o arranque da competição, assistiu-se a momentos icónicos: Messi a celebrar intensamente, os jogadores da República Democrática do Congo a dançar após uma vitória inesperada, e Dailon Livramento, de Cabo Verde, a desafiar a Espanha com uma entrega sem precedentes. Os factos confirmam que a primeira ronda de encontros trouxe de tudo: do domínio total de favoritos à frieza táctica de equipas consideradas pequenas, passando por autênticos desastres defensivos e exibições irrepreensíveis de guarda-redes.

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No México 2–0 África do Sul, a equipa norte-americana avançou em campo ao ritmo mais lento do torneio, sem qualquer pressa, perante uma África do Sul inofensiva. Ironia das ironias, os sul-africanos terminaram o jogo com tantos cartões vermelhos como toques na área adversária, revelando a sua absoluta incapacidade ofensiva. No embate Coreia do Sul 2–1 Chéquia, um lançamento lateral de Vladimir Coufal permitiu à Chéquia inaugurar o marcador, mas foi o golo de Hwang In-beom, coroando uma sequência de 25 passes, que entrou para o top das jogadas mais longas a originar um golo desde 1966.
O Canadá 1–1 Bósnia e Herzegovina expôs a dependência dos bósnios nas bolas paradas — sete dos seus oito remates resultaram de lances desse tipo —, enquanto os canadianos desperdiçaram oportunidades em catadupa. Os Estados Unidos golearam o Paraguai por 4–1, contrariando todas as previsões dos analistas, ao permitirem 53 toques dos paraguaios na sua área — número só superado por Curaçau frente à Alemanha, que acabou derrotada por uns estrondosos 7–1.
O empate entre gigantes e “underdogs” tornou-se rotina: Portugal, Espanha, Suíça, Turquia e Uruguai dominaram a posse de bola e a precisão de passe, mas falharam no mais importante — transformar remates em golos. Espanha, por exemplo, registou uma média de 0,08 xG por remate, inferior até a equipas do fundo da Premier League como o Burnley. Os outsiders endureceram defensivamente, provando que já não são presas fáceis.
A prestação do Brasil, que empatou 1–1 com Marrocos, revelou uma equipa criativa, mas vulnerável no meio-campo, com Vinícius Júnior a mostrar-se decisivo sempre que lhe entregam a bola. Carlo Ancelotti, treinador de Marrocos, foi decisivo ao travar o ataque canarinho com ajustes ao intervalo.
Nove empates em 24 jogos representam uma novidade estatística: nunca houve tanta paridade nesta fase inicial. O Haiti 0–1 Escócia foi o jogo mais equilibrado, com ambas as equipas a registarem exatamente 1,05 xG.
A disparidade de valores também ficou patente: a Alemanha, cuja equipa inicial valia mais €559 milhões do que a de Curaçau, confirmou o favoritismo com uma vitória esmagadora. Já o Japão, que empatou 2–2 com os Países Baixos, marcou dois golos com apenas 19 toques na área adversária — um feito notável.
Os jogos resolvidos ao cair do pano também marcaram esta fase: Amad Diallo e Caleb Yirenkyi garantiram triunfos para Costa do Marfim e Gana nos últimos minutos, frustrando os adversários. A Suécia goleou a Tunísia por 5–1, mas os números indicam um resultado enganador — a Suécia superou o seu xG em 3,67 golos, o maior desvio até agora.
No Bélgica 1–1 Egipto, Romelu Lukaku entrou e, em menos de cinco minutos, forçou um autogolo, demonstrando o peso das individualidades em jogos de equilíbrio tático. Já o Irão, com a segunda equipa mais velha de sempre em Mundiais (31,8 anos de média), empatou 2–2 com a Nova Zelândia, num jogo cheio de emoção e reviravoltas.
Após o apito final das primeiras 24 partidas, uma coisa é certa: este Mundial está a ser moldado tanto pela frieza dos números como pela paixão das bancadas. As grandes selecções têm de repensar estratégias — posse de bola sem eficácia já não assusta os pequenos, que mostram agora organização defensiva e maturidade táctica.
Olhando para o que aí vem, espera-se que os favoritos procurem maior eficácia nas zonas de decisão, enquanto os outsiders tentarão capitalizar o equilíbrio e a resiliência demonstrados. Os próximos jogos prometem redefinir hierarquias e colocar ainda mais pressão sobre quem não pode falhar. Quem ignorar as tendências estatísticas corre o risco de ser surpreendido — e, neste Mundial, surpresa é coisa que não falta.
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