Vinícius Júnior marca em todos os jogos e assume protagonismo pelo Brasil

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Vinícius Júnior acaba de rasgar todos os rótulos que o perseguiam na selecção brasileira, tornando-se finalmente no herói que milhões de adeptos há muito ansiavam ver. Três jogos, três golos, três exibições de luxo: a nova estrela maior do futebol brasileiro está claramente a assumir as rédeas do escrete, precisamente no momento em que o país mais precisava de um líder.

O extremo do Real Madrid, de 25 anos, marcou em todos os jogos da fase de grupos do Mundial, incluindo um bis estrondoso frente à Escócia no triunfo por 3-0, em Miami. Após o apito final, Vinícius deixou uma mensagem emotiva nas redes sociais: “Estou tão feliz por vos ver felizes. Estou a viver um sonho. Isto é o Brasil”, escreveu, acompanhando as palavras com a pose celebratória que já é imagem de marca de Jude Bellingham. Tal como o inglês gritou “Who else?” depois de marcar no Euro 2024, Vinícius fez questão de mostrar ao mundo que chegou ao patamar dos grandes.

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A ascensão de Vinícius à condição de protagonista não foi automática. Estreou-se pela selecção em 2019, num amigável frente ao Peru, e passou maioritariamente pelo banco durante a Copa América de 2021. Só marcou o primeiro golo ao 19.º jogo, numa goleada por 4-0 ao Chile, em 2022, já em fase de qualificação para o Mundial. No Qatar, chegou na pele de campeão europeu, após ter decidido a final da Liga dos Campeões pelo Real Madrid, mas a prestação ficou aquém das expectativas: um golo e duas assistências, com o Brasil a cair nos quartos-de-final frente à Croácia. Então, Neymar era ainda a figura principal da selecção.

A lesão grave de Neymar em Outubro de 2023, num jogo de qualificação frente ao Uruguai, alterou drasticamente o cenário. O peso de uma nação exigente e impaciente passou para Vinícius, Rodrygo e, em menor escala, Raphinha. Já sem a sombra de Neymar, Vini Jr. chegava à Copa América com a responsabilidade de ser o novo farol, mas voltou a falhar nos momentos decisivos, estando suspenso na eliminação diante do Uruguai.

Raphinha, por sua vez, tem tido um percurso atribulado na selecção. Apesar do sucesso no Barcelona, continua a ser criticado no Brasil, especialmente depois de declarações provocatórias e de não ter correspondido dentro de campo. “Já entreguei muito à selecção. O carinho dos adeptos brasileiros é diferente do que sinto no estrangeiro. Se tenho de provar algo, é para mim e para a minha família. Sei que há quem não goste do meu futebol. Está tudo bem”, desabafou recentemente. Uma lesão muscular logo no jogo inaugural abriu a porta à afirmação de Rayan, jovem que tem impressionado e pode manter a titularidade no próximo embate dos oitavos-de-final contra o Japão.

Enquanto isso, Vinícius Júnior destruiu qualquer dúvida quanto ao seu estatuto. Brilhou contra Marrocos com um golo de antologia, depois foi decisivo diante do Haiti, e frente à Escócia só o VAR o impediu de igualar Pelé como o único brasileiro a marcar um hat-trick num Mundial desde 1958. Foi eleito melhor em campo nos três jogos do grupo, juntando-se a uma lista de lendas como Pelé, Ronaldo, Romário, Rivaldo e Garrincha, ao conseguir marcar em todos os encontros da fase de grupos. Já soma quatro golos em três jogos, depois de ter apenas nove em 49 internacionalizações antes do torneio.

Walter Casagrande, antigo internacional brasileiro e agora comentador, afirmou que Vinícius “está a comer na mesma mesa de Lionel Messi e Kylian Mbappé”, tal é o nível a que se apresenta, sendo candidato à Bota de Ouro e à Bola de Ouro do torneio. Já Paulo Vinicius Coelho, conceituado jornalista, considera-o o “herói da resistência” e questiona: “Porque é que os adeptos ainda gritam Neymar e não Vinícius Júnior?”. Curiosamente, Neymar continua a receber mais aplausos quando entra em campo do que qualquer golo de Vinícius, algo que, segundo muitos, pode estar até a beneficiar o novo craque, libertando-o da pressão mediática.

A influência de Carlo Ancelotti é inegável nesta evolução. O treinador italiano, conhecido pela sua capacidade de gestão humana, tem sido fundamental tanto no Real Madrid como agora na selecção. Ancelotti admite que Vinícius “não trabalha muito sem bola”, mas elogia a sua evolução e capacidade de finalização. O próprio Vinícius não esconde a admiração: “É um dos melhores treinadores do mundo. Adaptou-se a nós e percebeu como devíamos jogar. Estamos a evoluir muito nesta competição”, garantiu durante a concentração da selecção.

Com os quartos-de-final à porta e a possibilidade de defrontar a Inglaterra, a expectativa sobre Vinícius Júnior nunca foi tão elevada. Caso mantenha este ritmo, poderá finalmente conquistar o coração dos adeptos brasileiros e assumir-se, sem reservas, como o novo ídolo nacional. Resta saber se Raphinha recupera o lugar, se Rayan cimenta a titularidade e, acima de tudo, se Vinícius manterá o estatuto de herói num Mundial onde só os verdadeiros craques sobrevivem ao peso da camisola amarela.

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