Fitzpatrick vence RBC Heritage em playoff emocionante contra Scheffler

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Matt Fitzpatrick protagonizou uma final épica no RBC Heritage, dominando o campo de Harbour Town Golf Links com uma exibição de pura garra e habilidade, para derrotar o número um mundial Scottie Scheffler num playoff dramático que vai ficar na história do golfe. Depois de um bogey no último buraco do tempo regulamentar, Fitzpatrick teve de se recompor rapidamente para enfrentar o desafio do campeão mundial num duelo de nervos e técnica.

O caddie de Fitzpatrick, Daniel Parratt, revelou a confiança inabalável que depositava no seu jogador, mesmo depois do erro final. “Ele é mentalmente forte e eu sabia que estaria na disposição certa, mas não queria deixar nada ao acaso. No caminho para o tee, disse-lhe: ‘Aceitávamos este desfecho no início da semana’”, explicou Parratt, numa alusão ao que ouviu recentemente num documentário sobre a vitória de Rory McIlroy no Masters 2025. A resposta de Fitzpatrick foi descontraída e cheia de humor: “Ah, então aqui está ele, Harry Diamond.”

Depois do momento de descontração, Fitzpatrick voltou a concentrar-se e, no playoff, executou um impressionante ferro 4 de 204 metros contra um vento forte, deixando a bola a 4 metros do buraco e a embocá-la com a frieza de um campeão. “Foi pura determinação. Aquele ferro 4 que usei ali foi fora do comum,” confessou o inglês, que raramente utiliza este taco, tendo-o apenas inserido no saco no último dia devido à mudança da direção do vento, aconselhado pelo seu caddie.

Harbour Town, um percurso desenhado por Pete Dye e Jack Nicklaus na confluência dos rios Broad e Beaufort com o Oceano Atlântico, é um lugar especial para Fitzpatrick. Cresceu a visitar o local em férias em família, vindo do Reino Unido, e desde 2016 carrega sempre uma capa de taco em forma do farol icónico da zona, um tributo à sua ligação emocional com o campo. Esta foi a segunda vitória de Fitzpatrick neste torneio, depois do triunfo em 2023, tornando-se apenas o 11º jogador a vencer múltiplas vezes o RBC Heritage e juntando-se a Chris Gotterup como um dos poucos com mais de uma vitória esta temporada no PGA Tour.

O percurso até à vitória não foi linear. Fitzpatrick entrou a todo o gás, com rounds iniciais de 65 e 63 que o colocaram sete tacadas à frente de Scheffler. No entanto, um tropeço no terceiro dia permitiu ao norte-americano aproximar-se, mas Fitzpatrick respondeu com um birdie no 14º buraco e um eagle no 15º, recuperando a liderança com três tacadas de vantagem.

No último dia, Fitzpatrick começou forte com um birdie logo no primeiro buraco e outro no terceiro, ampliando a vantagem para quatro tacadas. No entanto, falhou oportunidades claras para birdie nos par-5 do segundo e quinto buracos, permitindo que Scheffler encurtasse distâncias com um birdie no nono. A tensão aumentou com Scheffler a fazer birdies seguidos no 15 e 16, aproximando-se perigosamente de Fitzpatrick, que resistiu heroicamente com um putt de par decisivo de 6 metros no 11.

O desfecho parecia escapar novamente a Fitzpatrick, quando um chip falhado no último buraco lhe custou um bogey e forçou o playoff, empatando ambos a 18 abaixo do par, totalizando 266 tacadas. A final foi o quarto playoff nos últimos cinco anos no RBC Heritage, um reflexo da competitividade do torneio.

Desde que se juntou ao treinador Mark Blackburn, no ano passado, Fitzpatrick tem vindo a aperfeiçoar a sua abordagem, especialmente na retração dos braços, o que melhorou drasticamente o seu jogo de aproximação. “Foi uma mudança enorme, sinto-me muito mais controlado e confiante,” admitiu o campeão do US Open 2022.

No playoff, Fitzpatrick encontrou a fairway do 18º buraco, algo que não conseguiu na fase regulamentar, e com um swing impecável e um follow-through peculiar devido à sua técnica, enviou a bola para uma posição vitoriosa. Scheffler, por sua vez, não conseguiu igualar, ficando curto no seu approach e falhando o putt decisivo. Fitzpatrick fechou o torneio com um putt de birdie de 4 metros, conquistando o seu quarto título no PGA Tour.

Scottie Scheffler, apesar de mais uma vez não conseguir ultrapassar a barreira final, reconheceu o mérito do adversário: “Em semanas como esta, qualquer detalhe faz a diferença. Matt fez tudo acontecer quando precisava, jogou um golfe incrível e merece esta vitória.”

A ligação de Fitzpatrick a Harbour Town é profunda. Recorda as inúmeras visitas em criança, as vezes que assistiu aos treinos atrás dos portões e as memórias de receber uma bola de golfe do jogador Boo Weekley. “Este é um torneio que queria ganhar desde pequeno, talvez mais do que qualquer Major antes de perceber realmente do que o jogo se trata. Vencer aqui duas vezes significa o mundo para mim,” declarou emocionado.

Mais uma vez, Matt Fitzpatrick levou para casa a icónica jaqueta xadrez, símbolo de glória em Harbour Town, consolidando-se como um dos protagonistas mais carismáticos e talentosos do golfe mundial. A sua vitória sobre o número um do mundo, num duelo tenso e emocionante, confirma que está preparado para brilhar nos maiores palcos do desporto.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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