Laura Frick faz história como primeira directora do PGA women’s em Hazeltine

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Laura Frick quebrou barreiras e fez história esta semana ao tornar-se a primeira mulher profissional da PGA of America a assumir o cargo de directora de campeonato num dos eventos de maior prestígio da associação, o KPMG Women’s PGA, disputado no Hazeltine National, Minnesota. Num cenário onde a tradição masculina ainda é dominante, Frick, com apenas 33 anos, ascendeu ao topo da organização e lidera todas as operações do torneio, coordenando milhares de voluntários, programas de bilhética e hospitalidade, ao mesmo tempo que gere relações com parceiros de peso como a KPMG, a LPGA e o próprio clube de Hazeltine.

O feito torna-se ainda mais relevante pelo simbolismo do momento: no primeiro dia do torneio, a avó de Frick, com 89 anos, foi a primeira a entrar nos portões, às 6h30. Foi ela, juntamente com o avô, que introduziu Laura ao golfe quando tinha apenas oito anos, em Hudsonville, Michigan, e agora viu a neta atingir um marco que pode mudar para sempre o papel das mulheres no desporto e na organização de grandes eventos. Frick, licenciada pela Ferris State, não só gere toda a logística do evento, como idealizou novas experiências para os adeptos, como o Club PGA, uma área premium de acesso público já esgotada para toda a semana de competição.

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O impacto desta nomeação vai muito além do torneio. Num universo onde as mulheres continuam sub-representadas nos cargos de liderança, a ascensão de Frick pode servir de inspiração para uma nova geração de profissionais. A própria directora reconhece a importância do momento, afirmando: “Tenho pensado neste dia há um ano e meio, ou até mais, certo? Tenho pensado nisto desde que comecei a perseguir este sonho. Sei que tudo me vai bater no domingo à noite. Ainda estou a funcionar com muita adrenalina e a resolver problemas, e preocupo-me com o momento em que finalmente vou ter tempo para me sentar, porque vai ser um orgulho enorme, mas também uma sensação de ‘Meu Deus, acabei de fazer isto’.”, confessou Frick, visivelmente emocionada.

O percurso de Laura Frick prova que determinação e visão podem superar barreiras históricas. Recordou que, ainda no secundário, a competir, começou a interessar-se mais pelos bastidores do golfe do que pelo próprio jogo: “No último ano do secundário, estava a jogar nas finais estaduais e perdi um bocado o foco durante a ronda. Comecei a pensar nos bastidores: como é que a relva fica tão impecável? Como é que funciona o sistema de pontuação? O que envolve um evento desta dimensão? Contei isso à minha mãe, e ela disse-me para ver um vídeo sobre o programa do meu tio, porque eu podia estudar para isso. Nunca fui uma grande jogadora, era razoável, fazia entre 80 e 90 e tal pancadas. Nunca quis ser profissional, mas adorei sempre o desporto.” Depois de visitar a Ferris State, decidiu enveredar pelo caminho dos grandes torneios, mesmo sendo a única mulher numa turma de 85.

A sua paixão levou-a a contactar directamente o director de um torneio LPGA via LinkedIn, onde acabou por ser contratada para gerir operações de voluntariado. “Fui promovida aos 24 anos para gestora do evento quando um dos responsáveis saiu, três meses antes. Foi uma experiência de aprendizagem selvagem, mas incrível.”, relembrou Frick, que desde cedo deixou claro aos colegas que não queria seguir o caminho tradicional de ‘green grass’, mas sim organizar grandes campeonatos. “Disse a toda a gente na faculdade que um dia o meu objetivo era dirigir um major”, sublinhou.

Ao longo do último ano e meio, Frick dividiu-se entre Frisco, onde reside, e Minnesota, deslocando-se de três em três semanas até se instalar de vez em Hazeltine em meados de Maio. Sob a sua liderança, o Club PGA tornou-se um sucesso imediato, oferecendo aos adeptos uma experiência exclusiva com gastronomia local e bebidas regionais, tudo com vista privilegiada para o buraco 17, e completamente esgotado de quinta-feira a domingo.

A criatividade e empenho de Frick também se fizeram notar nos eventos prévios ao torneio. Em 1 de Junho, organizou uma jornada especial para influenciadores e celebridades locais, com representantes de diversas áreas, desde atletas da WNBA a actores da Netflix, e jogadores dos Minnesota Vikings. “Quis envolver a comunidade e mostrar que o golfe é para todos”, explicou.

A influência de Laura Frick já se faz sentir fora dos relvados: “Recebo muitas mensagens de raparigas universitárias ou até do secundário, e é quase uma missão pessoal retribuir, responder a todas, orientar sempre que posso”, afirmou, destacando o papel de mentora que agora desempenha.

Para o futuro, o sucesso de Laura Frick neste KPMG Women’s PGA pode abrir portas a mais mulheres em cargos de topo no golfe e noutras modalidades. O seu exemplo desafia o status quo, e o sector estará, sem dúvida, atento aos próximos passos desta líder. Se a sua estreia como directora de campeonato foi um sucesso retumbante, resta saber que impacto terá o seu percurso na renovação e democratização do desporto — uma história que, certamente, não ficará por aqui.

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