Andrey Rublev protagonizou uma das tardes mais dramáticas e controversas do actual Open de França, numa eliminação marcada por momentos de confusão, emoção à flor da pele e polémicas que prometem alimentar o debate sobre a arbitragem no ténis. O russo, 11.º cabeça-de-série, foi afastado nos oitavos-de-final por Jakub Mensik, num encontro épico que durou 3 horas e 48 minutos, mas que ficará na memória não só pelo desfecho, como pelo caos vivido dentro e fora das quatro linhas.
Logo à chegada ao Court Suzanne Lenglen, Rublev protagonizou uma gafe invulgar: esqueceu-se das suas raquetes. Entrou no court acompanhado por uma criança e com duas bolsas, aparentemente tranquilo, até que percebeu o lapso e teve de pedir à organização que lhe trouxesse o equipamento, atrasando o início do jogo vários minutos. Esta situação insólita recordou o episódio semelhante protagonizado por Coco Gauff no ano passado, também neste torneio, mas para Rublev esta foi apenas a primeira pedra num caminho tortuoso.
O jogo arrancou com uma intensidade elevada e, enquanto Mensik ia ganhando vantagem, o russo viu-se envolvido numa polémica que inflamou os ânimos e testou a paciência de todos. No momento crucial do segundo set, com o marcador em 4-3 a favor do checo, um serviço poderoso (cerca de 220 km/h) de Mensik foi inicialmente validado pelo juiz de linha, mas Rublev duvidou da decisão e pediu ao árbitro de cadeira para verificar a marca. O pedido foi recusado, uma vez que o regulamento impõe que o desafio seja feito imediatamente, antes de qualquer resposta à bola.
Rublev não aceitou a explicação e entrou numa acesa troca de palavras com o árbitro, argumentando que a velocidade do serviço e a distância a que estava dificultavam a perceção exacta da bola. “Estou na linha de base. Achas que consigo ver se a bola está um milímetro dentro ou fora? Claro que confio no juiz de linha, mas quando dizem fora, vou sempre verificar a marca porque tenho uma oportunidade. É normal,” afirmou o russo, visivelmente frustrado. O árbitro manteve a sua posição, frisando que, uma vez que Rublev tinha respondido à bola e falhado, o desafio já não era possível.
A polémica ganhou nova vida quando as imagens televisivas evidenciaram que o serviço de Mensik havia caído claramente fora, exacerbando a indignação de Rublev e dos adeptos presentes. Este episódio surgiu no mesmo dia em que outro caso polémico ocorreu no Court Philippe-Chatrier, envolvendo Casper Ruud e João Fonseca, onde uma decisão de linha contestada pelo público e a revisão do árbitro contrariaram o sistema Hawk-Eye, aumentando as críticas ao método de arbitragem do torneio.
Além da polémica, Rublev viu o nervosismo dominar o seu jogo. Em momentos de pura frustração, chegou a partir a raquete contra o banco, um gesto que traduzia o tormento emocional vivido. Para agravar a situação, deslizou durante um ponto e pareceu sofrer algum desconforto com a queda. Apesar da sua garra e de recuperar dois sets, acabou por ceder ao adversário checo no quinto parcial, por 6-3, 7-6(6), 4-6, 2-6, 6-3, despedindo-se prematuramente do torneio.
Esta derrota amarga não só encerra a participação de Rublev no Open de França, mas levanta novamente questões urgentes sobre a precisão e justiça na arbitragem do ténis, sobretudo num evento da magnitude de Roland Garros. Com os olhos já postos na próxima época de relva, o russo terá certamente muito que reflectir sobre este encontro que teve de tudo: drama, polémica e um desfecho cruel. A discussão sobre a introdução de tecnologias mais eficazes para a validação das jogadas parece inevitável e necessária para evitar que situações como esta se repitam.
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