Coco Gauff emociona-se ao recordar teste antidoping após polémica de Vondrousova

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Coco Gauff quebrou o silêncio e expôs um dos episódios mais delicados da sua carreira ao revelar, em pleno Wimbledon, que chorou devido à pressão sentida durante um controlo antidoping. Esta confissão surge numa altura em que o mundo do ténis está em alvoroço pelo polémico castigo de quatro anos aplicado a Marketa Vondrousova, campeã de Wimbledon em 2023, por recusar um teste antidoping, alegando motivos de saúde mental.

A tenista norte-americana, actualmente uma das maiores figuras do circuito feminino, derrotou Tamara Korpatsch na primeira ronda do torneio e garantiu o seu lugar na segunda ronda, onde irá defrontar a argentina Solana Sierra. No entanto, foi fora do court que Gauff captou todas as atenções ao comentar o caso que abalou o ténis mundial: a suspensão de Vondrousova, imposta pela Agência Internacional para a Integridade do Ténis (ITIA), após a checa recusar um teste fora do horário estipulado, alegando ansiedade severa e preocupações com segurança. Segundo Vondrousova, o oficial responsável pelo controlo nem sequer apresentou identificação, o que aumentou o seu desconforto e levou a assinar rapidamente o formulário de recusa, sem compreender totalmente as consequências.

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Este escândalo lança uma sombra sobre o rigor e a sensibilidade dos procedimentos antidoping no ténis. A decisão de banir uma campeã de Wimbledon durante quatro anos não só choca pela severidade, como levanta questões sobre a forma como os atletas são tratados em situações de vulnerabilidade mental. “Obviamente, regras são regras, mas é muito duro assistir a uma situação destas quando se conhece a pessoa e tudo indica que sempre respeitou o desporto”, declarou Gauff, durante a conferência de imprensa após a vitória, sublinhando o impacto emocional que este episódio teve não só em Vondrousova, mas também entre outras jogadoras do circuito.

Gauff, solidária com a checa, admitiu já ter passado por experiências desconfortáveis com os controlos antidoping. “Também já vivi situações estranhas com os controlos e cheguei a apresentar queixas sobre a forma como certos procedimentos foram conduzidos. Nunca recusei um teste, isso nunca aconteceu, mas houve uma vez em que alguém me contactou fora da janela que eu tinha indicado, e a maneira como falaram comigo fez-me chorar. Mais tarde, percebi que tinha razão e que não era obrigada a fazer aquele teste”, relatou a norte-americana, que enviou “todo o amor” a Vondrousova, reforçando: “Quatro anos é muito tempo. Não consigo imaginar o que ela está a passar neste momento.”

A polémica ganhou ainda mais força depois de Vondrousova acusar publicamente a ITIA de querer mostrar poder após críticas recebidas pela forma como lidou com os casos de Jannik Sinner e Iga Swiatek. A checa, que anunciou nas redes sociais a sua intenção de recorrer ao Tribunal Arbitral do Desporto (CAS), insiste que nunca fez uso de substâncias proibidas e que foi vítima de um processo injusto, marcado pela falta de empatia e pelo incumprimento de protocolos básicos por parte do oficial antidoping.

No plano desportivo, Gauff continua a sua caminhada em Wimbledon, determinada em superar o bloqueio que tem sentido nos relvados ingleses, onde nunca chegou a uma final. Inspirada pelo exemplo de Iga Swiatek, que também demorou a adaptar-se à relva, Gauff acredita que está mais preparada do que nunca: “Temos punhos muito semelhantes e isso fez-me acreditar que também posso jogar muito bem nesta superfície. Sinto que preciso de melhorar a movimentação, ser mais agressiva e manter a identidade que estou a construir. Estou melhor na rede, sou rápida e agora também estou muito mais satisfeita com o meu serviço.”

Com onze títulos de singulares em dezasseis finais, mas ainda sem glória na relva, Gauff vê este Wimbledon como uma oportunidade de ouro para dar um salto qualitativo na carreira. Contudo, o caso Vondrousova não só expôs as fragilidades do sistema antidoping no ténis, como também uniu as atletas em torno de uma causa comum: exigir mais transparência, respeito e sensibilidade nos processos de controlo. Nos próximos dias, espera-se que a pressão sobre a ITIA aumente, com o desfecho do recurso de Vondrousova a poder marcar um ponto de viragem para o futuro do ténis feminino e para a proteção da saúde mental dos atletas. Gauff, pelo seu lado, continua focada no seu percurso, mas não esconde a preocupação com os métodos usados fora dos courts, exigindo mudanças urgentes que protejam quem faz do ténis a sua vida.

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