Djokovic e Sabalenka protestam contra aumento insuficiente no Roland Garros

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A revolta está a crescer no mundo do ténis! Com a edição do French Open a aproximar-se, as estrelas maiores do circuito como Novak Djokovic e Aryna Sabalenka não escondem a sua frustração perante o aumento manifestamente insuficiente dos prémios monetários. Num cenário onde os lucros dos torneios disparam, a fatia entregue aos jogadores continua a ser uma migalha, alimentando uma crise financeira e estrutural que ameaça abalar as fundações do desporto.

Na passada segunda-feira, um comunicado contundente dos jogadores veio deixar claro que o aumento de 9,5% nos prémios anunciado no dia 16 de abril não satisfaz as suas expectativas. Apesar do crescimento notável das receitas do French Open, que no ano passado atingiram os 463 milhões de dólares — um incremento de 14% relativamente a anos anteriores —, o prémio total apenas subiu 5,4%, reduzindo a sua participação direta para uns magros 14,3%. As projeções para este ano apontam para receitas superiores a 469 milhões, mas a percentagem destinada aos atletas deverá continuar abaixo dos 15%.

Esta discrepância entre o crescimento financeiro do torneio e a compensação oferecida aos jogadores é um dos principais motivos de insatisfação. “O anúncio não aborda as questões estruturais que os jogadores têm vindo a levantar de forma consistente e razoável ao longo do último ano,” lê-se no comunicado. Os tenistas denunciam a ausência de progressos na área do bem-estar dos jogadores e a inexistência de um mecanismo formal que lhes permita participar nas decisões dos Grand Slams.

A resistência dos dirigentes dos Grand Slams às mudanças é outro ponto crítico. “Os Grand Slams continuam resistentes à mudança. A falta de consulta aos jogadores e o contínuo desinvestimento no seu bem-estar refletem um sistema que não representa adequadamente aqueles que são o fulcro do sucesso do desporto.” Esta mensagem forte vem de jogadores que exigem, acima de tudo, respeito e voz ativa.

Entre os signatários da carta original, figuravam nomes de peso como Jannik Sinner, Novak Djokovic, Alexander Zverev e Carlos Alcaraz, além de dez das onze melhores jogadoras mundiais. Contudo, a complexidade do conflito é visível: Djokovic não assinou a segunda carta, nem a mais recente, o que acrescenta tensão ao debate.

Iga Swiatek, vencedora do circuito feminino, foi clara: “Seria ótimo se os Grand Slams quisessem falar connosco, porque é assim que deveria ser, e não percebo porque não há um diálogo mais aberto.” Este apelo por comunicação e transparência é um grito que ecoa no seio do ténis profissional.

Além da discórdia pública, a batalha estende-se ao campo jurídico. A Professional Tennis Players Association (PTPA), criada por Djokovic em 2021 e da qual se afastou em janeiro deste ano, tem adoptado uma postura agressiva, movendo diversas ações judiciais contra organizações e promotores de torneios. Um dos casos mais polémicos é contra os organizadores do US Open, onde a PTPA denunciou que, em 2024, o torneio faturou 12,8 milhões de dólares com a venda de um cocktail especial — montante superior ao total pago aos campeões de singulares.

Esta luta centra-se na justa distribuição das receitas do ténis. Enquanto os prémios do French Open representam apenas cerca de 15% das receitas previstas, os eventos conjuntos do ATP e WTA Tour distribuem cerca de 22% para os jogadores. Para se ter uma ideia do abismo, ligas profissionais americanas como NFL, NBA e MLB destinam perto de metade dos seus rendimentos aos atletas, e a WNBA garantiu quase 20% após um longo período de negociações.

No meio deste cenário aceso, o French Open decidiu aumentar os prémios, mas com um foco peculiar: os jogadores nas fases iniciais do torneio são os principais beneficiados, com um aumento de quase 13% nas rondas de qualificação e com os eliminados nas primeiras três rondas a receberem cerca de 102 mil dólares. Já os campeões, masculinos e femininos, vão receber pouco menos de 3,3 milhões cada.

Apesar deste ligeiro avanço, a PTPA não esconde a sua insatisfação. No ano passado, avançaram com uma ação antitrust acusando o ATP e WTA de funcionarem como um “cartel” e os Grand Slams como “co-conspiradores”. Curiosamente, enquanto o Australian Open optou por negociar e chegar a acordo com a PTPA em dezembro, Roland Garros, Wimbledon e US Open juntaram-se para tentar travar a ação judicial.

Com as tensões a fervilhar e um descontentamento generalizado entre os jogadores, a discussão sobre o dinheiro no ténis, especialmente em Roland Garros, está longe de estar resolvida. O que está em jogo é a sobrevivência de um modelo que respeite verdadeiramente quem faz do ténis um espetáculo global — os próprios atletas.

Novak Djokovic, Aryna Sabalenka e outros gigantes do ténis continuam firmes na exigência por justiça financeira e inclusão nas decisões que moldam o futuro do desporto. E a batalha, garantidamente, vai durar até que sejam ouvidos.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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