Novak Djokovic e Jannik Sinner surpreenderam o universo do ténis ao confirmarem a presença no exclusivo Giorgio Armani Tennis Classic, poucos dias antes do arranque do torneio de Wimbledon. Numa jogada que desafia as expetativas dos fãs e especialistas, ambos os tenistas optaram por abdicar dos tradicionais torneios do circuito de relva, escolhendo preparar-se para o Grand Slam londrino através desta prestigiada exibição, cuja 32.ª edição decorre de 23 a 27 de junho nos relvados do Hurlingham Club, em Londres.
Os dois craques, que recentemente tiveram prestações abaixo do esperado em Roland Garros, vão medir forças com adversários de respeito já no dia 24 de junho. Djokovic, que desde 2018 tem evitado os torneios oficiais de relva antes de Wimbledon, enfrentará Karen Khachanov, enquanto Sinner, ainda a recuperar de problemas de saúde que o afetaram em Paris, defrontará Cameron Norrie. Este evento de exibição, que não atribui pontos para o ranking ATP, oferece, no entanto, uma oportunidade única para afinar o jogo sem a pressão competitiva habitual.

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A importância desta notícia é inegável, sobretudo tendo em conta que Wimbledon, o torneio mais prestigiado do calendário, começa já a 29 de junho. A preparação em piso de relva é tradicionalmente considerada fundamental para uma boa prestação no All England Club, mas tanto Djokovic como Sinner decidiram desafiar a norma, confiando que a participação neste evento de elite — onde pontuam nomes como Flavio Cobolli, Ben Shelton, Casper Ruud, Tommy Paul, Jiri Lehecka e Stan Wawrinka — será suficiente para alcançar o topo da forma física e mental. Recorde-se que Sinner defende o título conquistado em 2023, enquanto Djokovic procura recuperar o domínio perdido.
O alinhamento do Giorgio Armani Tennis Classic promete ainda mais espectáculo, com duplas formadas por lendas como Marcos Baghdatis, Mansour Bahrami, Michael Chang, Monica Puig, David Ferrer e Flavia Pennetta, entre outros. Os adeptos que se deslocarem ao Hurlingham Club poderão testemunhar encontros de elevado nível, proporcionando ambiente competitivo e, ao mesmo tempo, descontraído — o cenário ideal para dois dos maiores nomes do ténis mundial ganharem confiança antes do embate nas relvas sagradas de Wimbledon.
Ambos os tenistas procuram redimir-se após as desilusões vividas em Roland Garros. Djokovic foi surpreendido pelo jovem João Fonseca na terceira ronda, perdendo uma vantagem de dois sets e cedendo por 4-6, 4-6, 6-3, 7-5, 7-5, numa das maiores reviravoltas do torneio. “É difícil aceitar uma derrota assim, especialmente quando sentia que tinha o controlo do jogo. Mas o ténis é isto mesmo — nunca podemos dar nada por garantido”, confessou Djokovic após a inesperada eliminação, num claro sinal de que a frustração ainda está bem presente.
Já Jannik Sinner, depois de dominar os dois primeiros sets frente a Juan Manuel Cerundolo na segunda ronda, viu-se traído pelo próprio corpo. Uma quebra física súbita, visível através de tonturas e desconforto, permitiu ao argentino recuperar e vencer por 3-6, 2-6, 7-5, 6-1, 6-1, acabando com a impressionante série vitoriosa de 30 jogos do italiano. “Foi um momento muito difícil para mim. Sentia-me bem, mas de repente perdi toda a energia. Agora só quero focar-me em recuperar e preparar-me da melhor forma para Wimbledon”, declarou Sinner, visivelmente abalado.
Com o início do Grand Slam londrino à porta, a preparação de ambos os atletas tem sido minuciosa. Djokovic tem optado por sessões privadas de treino no All England Club, tendo sido recentemente visto a trocar impressões com Aryna Sabalenka em Aorangi Park. Sinner, por sua vez, iniciou os treinos em Monte Carlo, preferindo a superfície rápida antes de rumar a Londres, onde já treinou ao lado de Arthur Fils. A preocupação dos adeptos acentuou-se quando o italiano foi visto com um sensor CGM no braço esquerdo, indício de que está a monitorizar cuidadosamente os seus níveis de glicose após os problemas físicos sentidos em Paris.
Se um resultado precoce em Wimbledon poderá custar milhares de pontos no ranking ATP — especialmente a Sinner, campeão em título —, esta aposta no Giorgio Armani Tennis Classic representa um risco calculado. A pressão é máxima, mas tanto Djokovic como Sinner mostram confiança na sua abordagem inovadora. Agora, resta saber se esta preparação alternativa será suficiente para os catapultar para a glória em SW19 ou se, pelo contrário, ficará como uma decisão arriscada num momento crucial das suas carreiras.
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