Jasmine Paolini apoia boicote e pede mudanças nos grand slams

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Jasmine Paolini, campeã em título do Open de Roma, junta-se à pressão liderada por Aryna Sabalenka para uma revolução nos Grand Slams. Enquanto o Roland Garros se avizinha, o tema da distribuição dos prémios monetários explode no circuito masculino e feminino, com estrelas a denunciar a discrepância gritante entre os lucros dos torneios e a fatia recebida pelos atletas.

Apesar do recente aumento de quase 9% nos prémios do Roland Garros, as principais figuras do ténis mundial continuam insatisfeitas. Comparativamente a outros desportos de elite, onde os atletas recebem até quase 50% das receitas, os tenistas ficam-se por cerca de 15%, um valor que acende o descontentamento entre jogadores como Carlos Alcaraz, Jannik Sinner, Coco Gauff, Alexander Zverev, Iga Swiatek e, claro, Aryna Sabalenka.

Num cenário explosivo, Sabalenka não hesitou em abordar a possibilidade de um boicote conjunto aos Grand Slams, uma medida drástica que começa a ganhar força entre os jogadores para pressionar por mudanças reais. “Vamos ver até onde conseguimos chegar. Se for preciso um boicote para sermos ouvidos, sinto que as raparigas hoje em dia podem unir-se facilmente e avançar com isso, porque algumas coisas são mesmo injustas para os jogadores,” afirmou a número 1 mundial.

A italiana Jasmine Paolini, que recentemente conquistou o Open de Roma, confirmou estar alinhada com esta luta. Em conferência de imprensa, Paolini destacou que a reivindicação vai muito além do aumento dos prémios, incluindo apoios essenciais como pensões e maternidade, áreas negligenciadas pelos Grand Slams.

“É um tema quente. Estamos a lutar por um acordo mais justo para os jogadores, que inclua pensões, maternidade e outras questões importantes. Neste momento, os Grand Slams não participam nestas negociações como deveriam. A WTA e a ATP estão envolvidas, mas eles não, e é aí que queremos mudar as coisas,” explicou a tenista que se tornou a primeira italiana a vencer o torneio em 40 anos, desde Raffaella Reggi em 1985.

Paolini realça ainda a união entre homens e mulheres neste movimento: “O positivo é que estamos todos unidos e a remar na mesma direção. Os Grand Slams aumentam ligeiramente os prémios, mas não na proporção dos seus rendimentos. E, mais importante, não contribuem para pensões ou apoios à maternidade, algo que considero crucial.”

Quanto à hipótese de um boicote, a italiana não exclui essa possibilidade: “Se estivermos todos de acordo – e estamos – e permanecermos unidos, tanto homens como mulheres, pode ser algo alcançável.”

Apesar da luta fora das quadras, a atenção de Paolini está centrada no seu desempenho no Open de Roma, onde defende o título conquistado frente a Coco Gauff em 2025. A temporada até agora tem sido instável, com apenas uma vitória e duas derrotas no pó-de-tijolo, mas a tenista italiana mantém o foco no presente.

“Não penso muito nisso neste momento. Voltar aqui é uma sensação ótima, tenho muitas memórias do ano passado, desde o primeiro dia que joguei pelo clube. Muitas emoções e boas recordações. Espero trazer muita energia positiva,” confessou a jogadora de 30 anos.

Na sua estreia, Paolini enfrenta a francesa Leolia Jeanjean, que chega em forma após três vitórias consecutivas, incluindo a surpreendente eliminação da cabeça de série Beatriz Haddad Maia. “O que fiz no ano passado ficou para trás. Esta é uma nova edição do torneio. Estou focada no primeiro jogo, que é o mais importante. Quero jogar bem e ter uma boa atitude,” concluiu.

O circuito está em ebulição, e a voz de Paolini junta-se a uma onda crescente que pode transformar para sempre o panorama dos Grand Slams, colocando os jogadores no centro das negociações e exigindo justiça num mundo onde o ténis continua a gerar milhões, mas sem repartir o bolo de forma equitativa. O tempo dirá se esta união incipiente se traduz num boicote histórico ou numa revisão radical do sistema. Uma coisa é certa: os jogadores estão fartos de serem ignorados.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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