Marta Kostyuk explode no ténis mundial ao conquistar o título mais cobiçado da sua carreira no Madrid Open 2026, num triunfo que marca o fim de uma longa e turbulenta jornada cheia de luta, dúvidas e pressão descomunal. A jovem ucraniana, agora com 23 anos, venceu a sensação Mirra Andreeva por 6-3, 7-5 na final do prestigiado torneio WTA 1000, deixando um aviso claro: a sua ascensão ao topo está apenas a começar e as melhores páginas da sua carreira ainda estão por escrever.
Em conferência de imprensa, Kostyuk não escondeu a emoção, mas manteve os pés bem assentes na terra. “Ganhar aqui é incrível, especialmente porque até ao ano passado eu tinha um histórico péssimo em Madrid”, confessou. “Quis aproveitar ao máximo cada ponto deste jogo, independentemente do resultado, e isso foi o que consegui. Ganhar é apenas um bónus.” Uma declaração que revela a maturidade da tenista, que prefere valorizar o processo em vez de se deixar consumir pela pressão do resultado.
O segredo para esta vitória? Um plano de jogo agressivo desde o primeiro serviço, onde Marta impôs pressão constante à adversária. “Comecei por servir muito bem, queria colocar pressão nela desde o início. No segundo set, ela jogou muito bem durante três jogos, mas eu mantive a estratégia e funcionou.” A final foi um verdadeiro teste de nervos, com vários momentos de tensão em ambos os sets. “Tive break points contra mim quando servia para fechar o set, e ela chegou a ter dois set points, podia ter sido para qualquer lado. Mas consegui fechar em dois sets e isso deixa-me muito feliz.”
Este triunfo não é apenas mais um troféu na vitrina de Kostyuk. É o desfecho de anos carregados de expectativas sufocantes que quase a paralisaram. “No início deste ano disse à minha equipa que finalmente me libertei do peso das conquistas que tive quando tinha 15 anos. Durante muito tempo vivi sob a pressão de expectativas enormes—quase sempre a ficar perto da vitória. Tive resultados tão bons tão jovem que isso foi quase uma maldição.” Essa libertação mental permitiu-lhe reencontrar o prazer no ténis. “Quando percebi que devia estar orgulhosa do que conquistei aos 14 e 15 anos, ganhei liberdade para simplesmente jogar e desfrutar.”
A sua história é ainda mais impressionante quando se conhece o contexto. Marta cresceu treinada pela mãe, uma relação que pode ser tanto um apoio vital como um desafio complicado. “Nunca é fácil sair dessa dinâmica, especialmente quando ela é a pessoa mais próxima da minha vida. Ainda a chamo sempre que preciso de apoio ou de conversar. Tive um curto estágio de treino com ela antes da temporada de terra batida, e devo-lhe muito pelas vitórias do último mês.” Marta reconhece que as histórias de pais a treinarem filhos são muitas vezes difíceis, mas orgulha-se de ter ultrapassado esses obstáculos para se tornar uma melhor atleta e pessoa.
Com a vitória em Madrid, Kostyuk alcança um novo máximo na carreira, subindo ao 15º lugar do ranking mundial, à beira de integrar o top 10. No entanto, a ucraniana mantém a humildade e não se deixa seduzir pelas classificações. “Não foco nos rankings. Ficaria feliz se acabasse a temporada de terra batida no top 20, mas não penso em números específicos. Quero é ser consistente. O ranking é apenas consequência do que faço em campo. Nada muda drasticamente — talvez tenha sorteio ligeiramente melhor, mas todas as jogadoras são fortes. Quero continuar a trabalhar e a desfrutar.”
O fim da sua “maldição de Madrid” é uma viragem decisiva, mas a estrada para o sucesso ainda é longa e desafiante. Kostyuk soma já 11 vitórias consecutivas em terra batida, com provas importantes pela frente, como os torneios de Roma, Estrasburgo e, claro, Roland Garros. Apesar do desejo de continuar a brilhar, a jovem encara o futuro com calma e foco no presente. “Roland Garros está a três semanas, ainda não pensei nisso. Tenho Roma, Estrasburgo pela frente, há muito trabalho pela frente.” A sua experiência traumática no Grand Slam francês, onde jogou mal e sofreu uma das derrotas mais difíceis da carreira em 2025, serve-lhe agora de lição. “Vou voltar às bases, o que me fez ganhar esta semana foi desfrutar e estar aberta a sofrer e a enfrentar desafios.”
Num momento descontraído, Marta revelou a história curiosa por trás dos “boxers da sorte” que apareceram na fotografia com o troféu. “Aqui no torneio às vezes a roupa se mistura. No ano passado recebemos estes boxers que diziam ‘lucky shorts’. A minha treinadora, Sandra, não os queria emprestar, eram o nosso amuleto da sorte. Este ano ela foi buscá-los à casa do pai antes de vir para Madrid e fizemos piada que, se eu ganhasse, tínhamos de tirar fotos com eles em todo lado.” A alegria e leveza da campeã contrastam com a intensidade da competição.
Marta Kostyuk não é apenas uma nova campeã em Madrid; é uma força imparável que, depois de anos a lutar contra a pressão e as dificuldades, finalmente está pronta para dominar o circuito mundial. A sua mensagem é clara: o sucesso não muda a essência, nem o foco. “Conquistei um Masters, mas para mim quase nada muda. Quero continuar a trabalhar, a melhorar e a desfrutar desta viagem que é o ténis.” O mundo do ténis está avisado — Marta Kostyuk chegou para ficar, e a sua história está longe de terminar.
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