O torneio de Wimbledon ficou marcado esta terça-feira por uma das maiores surpresas da edição, com Ben Shelton, cabeça de série número quatro, a ser eliminado na primeira ronda pelo finlandês Otto Virtanen, um nome praticamente desconhecido do grande público. Virtanen salvou um ponto de encontro antes de protagonizar a maior surpresa até ao momento em SW19, deixando os adeptos incrédulos e a competição completamente aberta logo na fase inicial.
O encontro entre Shelton e Virtanen foi uma verdadeira batalha que se prolongou por quatro horas e vinte e um minutos no Court nº2, terminando com parciais de 6-4, 3-6, 6-7(8), 6-2, 7-6(11-9) a favor do finlandês. Virtanen, que teve de se superar física e mentalmente, salvou um ponto de encontro a 8-9 no tie-break do último set antes de aproveitar o erro de Shelton para fechar a contenda. Alexander Zverev, vencedor de Roland Garros, também seguiu em frente, mas com uma exibição longe de ser convincente frente ao jovem Alexander Blockx, vencendo por 6-4, 7-6, 6-7, 6-7, com Blockx a conquistar um impressionante tie-break por 7-0.

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A manhã foi igualmente positiva para Alex de Minaur, que venceu Burruchaga em três sets, 7-6, 6-1, 6-0, mostrando porque é considerado um dos jogadores em ascensão neste piso. Já Matteo Berrettini protagonizou um duelo épico frente ao veterano Stan Wawrinka, levando a melhor em quatro sets decididos em tie-break, naquele que foi o último encontro de Wawrinka na relva de Wimbledon. O suíço despediu-se visivelmente emocionado, encerrando assim o seu capítulo neste Grand Slam.
A eliminação precoce de Ben Shelton é um autêntico terramoto na hierarquia do torneio e abre portas a surpresas nas próximas rondas, sobretudo numa secção do quadro que parecia reservada para um percurso tranquilo do jovem norte-americano. Otto Virtanen, que nunca tinha passado da primeira ronda em Wimbledon devido a lesões e falta de experiência neste palco, afirmou após o encontro: “Não sei se ainda tenho coração”, brincou, visivelmente emocionado, durante a entrevista em court. “Mas estou aqui e joguei até ao último ponto… Tive um mês fantástico antes disto. Joguei muitos encontros em relva. Sempre adorei jogar aqui. No ano passado, infelizmente, tive uma lesão [e não pude jogar], mas tenho sempre uma experiência incrível neste torneio.”
Virtanen acrescentou ainda: “Isto significa muito para mim. Uma grande vitória, num grande palco, no meu local favorito. Depois de um ano difícil, finalmente começo a sentir-me bem, a ganhar encontros importantes… Estive a jogar todos os dias este mês, sinto-me saudável e espero que os resultados continuem a aparecer. E aqui estamos nós.” O finlandês defrontará na próxima ronda o britânico Arthur Fery, que superou Damir Dzumhur por 3-6, 6-2, 6-2, 6-1.
Taylor Fritz, por sua vez, confirmou o favoritismo ao bater Dusan Lajovic por 6-3, 6-4, 6-3 no Court nº1 e irá medir forças com Jack Draper na próxima ronda. Na conferência de imprensa após o triunfo, Fritz revelou: “Obviamente, a minha confiança está em alta com a forma como a época de relva tem corrido para mim. Mas talvez esteja um pouco mais nervoso do que em anos anteriores, porque entrei neste ritmo. Ganhei Eastbourne, venho para aqui, e é como se estivesse a jogar encontros quase todos os dias. Sinto que não há dúvidas quando entro em campo que vou jogar a um certo nível, vou jogar bem. Isso traz-me mais confiança. Gosto de jogar. Um pouco mais nervoso, mais parecido com o que sinto quando jogo no US Open ou na Austrália. Também costumo tirar a semana antes desses torneios, mas consegui jogar bom ténis”, afirmou o norte-americano.
Alexander Zverev, apesar do triunfo suado, mostrou que terá de elevar claramente o seu nível se quiser repetir o sucesso de Paris. O alemão esteve longe de convencer e ficou à mercê de um Blockx ambicioso, que com mais experiência poderia ter causado novo choque no torneio. Arthur Fils, após problemas físicos recentes, confirmou a recuperação ao vencer Raphael Collignon por 7-5, 6-1, 6-3, enquanto Grigor Dimitrov também seguiu em frente com 7-6, 6-3, 7-5.
Para além das surpresas e dramas, o dia ficou ainda marcado pelo épico entre Berrettini e Wawrinka, com o italiano a vencer quatro tie-breaks e a colocar um ponto final na carreira em relva do suíço, num momento emocionante e carregado de simbolismo. Enquanto isso, Frances Tiafoe e Flavio Cobolli terão de regressar amanhã ao court devido à interrupção por falta de luz natural, prevendo-se um calendário ainda mais apertado para os próximos dias.
Com a queda precoce de um dos favoritos e exibições titubeantes de outros nomes grandes, Wimbledon promete ser uma verdadeira montanha-russa de emoções. Os próximos dias serão decisivos para perceber se as surpresas vão continuar ou se os cabeças de série ainda a concurso conseguem impor a sua lei num torneio cada vez mais imprevisível e aberto a todas as possibilidades.
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