Sérgio Conceição revela verdades ocultas sobre a sua passagem turbulenta pelo AC Milan: «Faltou-nos a proteção do clube»
Sérgio Conceição, atual treinador do Al Ittihad, não escondeu o quão desafiadora foi a sua breve, mas intensa, experiência à frente do AC Milan, clube que comandou apenas durante a segunda metade da temporada 2024/25. Num depoimento exclusivo ao ‘La Repubblica’, o técnico português abriu o livro sobre o ambiente instável e as dificuldades que enfrentou em Milão, revelando que, apesar de ter conquistado a Supertaça italiana logo ao segundo jogo, a sua ligação aos rossoneri ficou marcada por polémicas e falta de apoio estrutural.
«Não é fácil ser treinador do AC Milan», começou por afirmar Sérgio Conceição, destacando o peso histórico da equipa: «É um clube que está habituado a jogar ao mais alto nível e a vencer finais da Liga dos Campeões. Mas, ao mesmo tempo, vivi um momento muito complicado. Vinha do FC Porto, onde conquistei muito, mas era um contexto completamente diferente. No Porto, tinha um presidente que estava no cargo há décadas e que saiu como o mais titulado do mundo. O clube estava bem estruturado e organizado. A transição para Milão não foi nada fácil.»
O treinador português não escondeu a instabilidade que sentiu desde cedo: «Depois de conquistarmos a Supertaça, bastou um empate com o Cagliari para começarem a circular rumores sobre quem me iria substituir e, pior ainda, ninguém os desmentiu. Isso criou um ambiente muito complicado para trabalhar.»
Apesar de tudo, Conceição faz um balanço positivo da sua passagem pelo emblema italiano: «Jogávamos de três em três dias e treinávamos durante os jogos. Muito vídeo, pouco trabalho no terreno. Mas não me estou a queixar, pois quando assinei o contrato já conhecia o calendário. Foram seis meses positivos, conseguimos chegar a duas finais. Perdemos uma, é certo, mas poderia ter sido diferente.»
No entanto, o maior entrave, segundo o treinador, foi a falta de proteção por parte da estrutura do AC Milan: «Estive em balneários durante 25 anos e sei que o ambiente instável de um clube acaba por se refletir dentro do grupo. Não foi fácil jogar com adeptos a abandonar as bancadas, com as redes sociais a dispararem críticas e com tudo o que foi dito a chegar aos jogadores. Precisávamos de muito mais proteção por parte do clube.»
Este relato revela a dura realidade por trás das câmaras no futebol de elite, onde o sucesso desportivo muitas vezes é minado por crises internas e falta de apoio institucional.
Além do testemunho de Conceição, o cenário do AC Milan continua a ser agitado. O avançado Rafael Leão foi titular recentemente, mas acabou substituído aos 58 minutos por Youssouf Fofana, numa partida que deixou dúvidas sobre o futuro do extremo português, já que o clube italiano está a pedir pelo menos 60 milhões de euros para o transferir. O mercado está em ebulição, e o Milan parece querer reorganizar o seu plantel para garantir estabilidade e competitividade.
No panorama mais amplo do futebol europeu, o impacto das competições também se faz sentir. A eliminação do Bayern Munique deixou a Alemanha dependente do Friburgo na Liga dos Campeões. Já o Sporting Braga, impulsionador de pontos para Portugal nas provas europeias, prepara-se para beneficiar ainda mais na próxima época, especialmente com França e Holanda a perderem pontos valiosos.
Sérgio Conceição, com esta revelação, deixa claro que a sua passagem pelo AC Milan foi uma lição dura, mas enriquecedora, e que sem uma estrutura sólida e apoio incondicional, mesmo os melhores treinadores enfrentam batalhas quase impossíveis de vencer. O treinador português continua a provar o seu valor no Al Ittihad, mas o seu passado recente em Itália ficará para sempre marcado pela luta contra a instabilidade que o próprio considera ter sido o maior inimigo do sucesso.
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