Berrettini admite falhas e elogia João Fonseca no Masters de monte-carlo

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Matteo Berrettini despede-se cedo do Masters 1000 de Monte-Carlo após derrota surpreendente frente a Joao Fonseca, um jovem talento que ameaça revolucionar o circuito ATP. O italiano, que tinha brilhado ao eliminar Daniil Medvedev com um duplo 6-0, não conseguiu manter a consistência e sucumbiu em dois sets ao serviço implacável do adversário. A quebra no seu primeiro serviço, com apenas 45% de eficácia, revelou-se fatal para um tenista do seu calibre, deixando claro que algo não funcionou no seu jogo.

Em conferência de imprensa, Berrettini não escondeu a frustração, mas manteve a humildade e a consciência do seu percurso: “Sinceramente, não consegui pôr o meu serviço a funcionar como de costume: foi um pouco mérito dele, um pouco demérito meu. Quando perco ritmo, o meu jogo de fundo também sofre, porque fico menos confiante no serviço. Tenho de focar-me nas coisas boas que fiz neste torneio, que foram muitas. Tenho que me lembrar de onde venho e do que estou a sentir. Claro que também vamos analisar o que não correu bem,” afirmou o italiano, deixando claro que esta derrota é para aprender.

Mas o ponto alto da intervenção de Berrettini foi a análise feita a Joao Fonseca, a nova estrela em ascensão que poderá ser o “terceiro incomodado” na luta pelo topo, dominada atualmente por Carlos Alcaraz e Jannik Sinner. “Temos de olhar para muitos fatores. Por exemplo, eu aos 19 anos nem sequer jogava torneios Futures. Ele já é o número 30 do mundo, venceu um ATP 500 e chegou aos quartos-de-final de um Grand Slam. Se pensar em quanto melhorei desde os 19 anos, este miúdo tem um potencial incrível,” admitiu Berrettini, reconhecendo que Fonseca pode ser o disruptor que o circuito estava à espera.

O italiano reforçou ainda a ideia de que a pressa em encontrar um “terceiro incomodado” pode ser precipitada, citando até Riccardo Piatti, que recentemente alertou para a necessidade de dar tempo aos jovens para se afirmarem. “Não é justo rotular logo o terceiro incomodado. Mas eu acredito que ele tem tudo para ser essa figura. Se vai ganhar 20 ou 10 Grand Slams, não sei. Mas é um jogador que não tem grandes falhas: bate forte na bola, movimenta-se bem, serve com qualidade, luta muito. Tem potencial para ser realmente o terceiro incomodado,” concluiu.

Berrettini, de 29 anos, confirmou a sua presença nos próximos grandes torneios do circuito: “Estarei em Madrid, Roma e depois vou decidir semana a semana. Participar nestes eventos é um enorme presente para mim, especialmente porque cresci a assistir ao torneio de Roma e agora tenho a oportunidade de jogar. Nos últimos anos não consegui desfrutar como gostaria, e o meu objetivo é terminar cada torneio, mesmo que perca, com a frustração do jogo e não com outras preocupações,” revelou o italiano, mostrando uma mentalidade focada e determinada para a reta final da temporada.

Esta derrota em Monte-Carlo pode ser um ponto de viragem para Berrettini, que terá agora de reajustar o seu jogo e a confiança para não perder terreno numa nova era do ténis onde jovens talentos como Fonseca começam a emergir com força. A batalha pelo topo está longe de estar decidida e a nova geração promete trazer ainda mais emoção e imprevisibilidade ao circuito ATP.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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