Bianca Andreescu está de volta e pronta para fazer barulho no circuito WTA! A campeã do US Open 2019 regressou ao quadro principal de um torneio WTA 1000 em Roma, e não foi de qualquer maneira: venceu Sofia Kenin, outra campeã de Grand Slam, num duelo eletrizante que confirmou que a canadiana ainda tem fibra para brilhar, mesmo depois de uma série de lesões que ameaçaram pôr fim à sua carreira prematuramente.
Num jogo marcado por reviravoltas, Andreescu conseguiu recuperar dois breaks em dois sets para fechar a partida com um 6-4, 7-5 que deixou claro: a atleta está determinada a reconstruir a sua carreira, passo a passo. O percurso da canadiana tem sido tudo menos linear desde a sua explosão em Nova Iorque, com lesões no joelho e uma cirurgia de apendicite de emergência no início de 2025 a atrasarem o seu progresso. Com o ranking a cair para fora do top 100, Andreescu teve que recorrer a um convite especial para marcar presença no Open de Roma, um sinal claro das dificuldades enfrentadas.
Nos últimos meses, a jogadora tem apostado em torneios de menor escalão para ganhar ritmo e confiança, conquistando um título e atingindo finais em eventos W35 e WTA 125. Esta estratégia parece estar a resultar, como provou o duelo contra Kenin, que a tinha derrotado há pouco tempo em Charleston, num piso de terra batida verde. “Joguei contra ela há um mês, e isso ajudou-me muito. Sinto que estas condições me favorecem mais. A terra verde é mais rápida, o que me dá mais tempo para preparar os meus golpes. Além disso, perder para ela deu-me motivação extra,” confessou Andreescu ao Tennis Channel.
Apesar de ter alcançado o auge em pisos duros — palco das suas maiores conquistas, incluindo o US Open e dois títulos WTA 1000 —, a canadiana revela que não tem um piso favorito definido. “Depende do dia. Às vezes o meu forehand está melhor, outras vezes o backhand. Serve também pode oscilar. Comecei a gostar de jogar em relva, que é muito rápida. Por isso, depende mesmo do momento,” explicou a ex-número 4 do mundo.
Mas o que realmente se destaca nesta fase da carreira de Andreescu é a sua mentalidade resiliente e o foco no processo de recuperação e eficiência física. A atleta admite que a sua caminhada tem sido dura, com interrupções constantes que comprometem a construção de uma sequência competitiva sólida. “Tenho focado no processo e na confiança no tempo de Deus, porque amo mesmo este desporto. Passei por momentos difíceis, mas aprendi a valorizar ainda mais o ténis. Sou muito grata por estar aqui, e ter este wildcard é incrível. Tento olhar para o lado positivo, porque o ténis pode ser muito ingrato,” desabafou a canadiana.
Para evitar novas lesões e gerir melhor a sua energia, Andreescu tem trabalhado intensamente na eficiência dos seus movimentos. “Tenho treinado muito no ginásio e no campo para ser mais eficiente nos meus deslocamentos. Às vezes dou passos desnecessários e isso gasta muita energia. Hoje senti que essa eficiência me ajudou a manter o ritmo,” contou, mostrando uma maturidade tática fundamental para prolongar a sua carreira.
No plano pessoal, a jogadora destaca o apoio incondicional da sua mãe, que tem sido o seu pilar durante as adversidades. “Ela é a minha luz, o meu porto seguro. Sempre positiva, sabe o que quer e defende aquilo em que acredita. Se eu conseguir ser metade da mulher que ela é, já fico muito feliz,” declarou, revelando o lado humano que nem sempre transparece nas quadras.
Com a próxima ronda marcada para um embate contra Belinda Bencic, uma jogadora conhecida pelo seu jogo consistente e estrutura sólida de base, Andreescu sabe que tem pela frente um grande teste. “O que importa para mim é o esforço e a intenção. Se conseguir dar o meu melhor e aplicar o que treino com o meu treinador, isso é o mais importante. Os resultados não estão totalmente sob o nosso controlo, mas seria ótimo ganhar,” afirmou a atleta, que tem um histórico equilibrado contra Bencic (1-1), embora tenha perdido o único confronto em terra batida, no Roland Garros 2022.
A pressão existe, especialmente porque Andreescu defende os pontos da quarta ronda do ano passado em Roma, onde eliminou adversárias de topo como Donna Vekic e Elena Rybakina, antes de cair frente a Zheng Qinwen. Este regresso promete ser um ponto de viragem na carreira da canadiana, que luta não só para recuperar a sua melhor forma, mas para provar ao mundo que ainda é uma força a contar no ténis mundial. Preparem-se para mais capítulos intensos desta saga de superação e talento!
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