Iga Swiatek, a estrela polaca do ténis mundial, voltou a agitar o panorama do ténis ao criticar abertamente a distribuição do prize money do Roland Garros, um dos torneios mais emblemáticos do circuito. Em declarações contundentes feitas a partir de Roma, Swiatek alerta para a injustiça que os jogadores enfrentam, mas demarca-se de qualquer ideia radical de boicote, classificando tal hipótese como “uma situação bastante extrema”.
Depois de Aryna Sabalenka, agora é a vez de Iga Swiatek juntar a sua voz às críticas à percentagem do prize money atribuída no torneio francês: apenas 14% dos lucros totais do Roland Garros serão distribuídos pelos jogadores, um valor que tem causado revolta tanto no circuito masculino como no feminino. Swiatek não hesita em afirmar que “não é o aumento do prémio em dinheiro que queremos, porque a percentagem dos lucros está a diminuir”.
Com uma análise clara e incisiva, a polaca reforça que “o mais importante é ter uma comunicação adequada e dialogar com as entidades organizadoras, para que haja espaço para negociações justas”. Swiatek deixa um apelo para que antes do arranque do Roland Garros haja encontros que possam abrir espaço para entendimento e soluções que satisfaçam ambas as partes.
No entanto, quando questionada sobre a possibilidade de um boicote, a número um mundial mantém a prudência: “Boicotar um torneio é uma situação bastante extrema. Somos jogadoras individuais que competem umas contra as outras, e é difícil imaginar como isso poderia funcionar ou se é mesmo uma opção real”. A sua posição revela uma maturidade estratégica, evidenciando o equilíbrio entre a luta por direitos e a responsabilidade para com o desporto.
Mas a estrela polaca não ficou apenas por esta polémica. Swiatek também abriu o livro sobre as dificuldades que enfrentou recentemente, nomeadamente o vírus que a obrigou a abandonar o torneio de Madrid. “Foi literalmente horrível. No dia antes da partida estava completamente fora de combate, e no dia do jogo não tinha energia para competir normalmente”, confessou. Felizmente, a recuperação foi rápida e, mesmo fragilizada, Swiatek optou por não viajar para evitar riscos desnecessários.
Já em Roma, a tenista sentiu-se revigorada e capaz de treinar a 100%, deixando claro que a sua recuperação foi rápida apesar do timing infeliz da doença. “Muitos jogadores ficaram doentes, por isso acho que era difícil evitar”, concluiu.
Além das questões físicas e da polémica das finanças no ténis, Swiatek também destacou a sua evolução técnica e a relação com o treinador Carlos Roig, uma colaboração que considera fundamental para o seu crescimento. “Sinto que nos entendemos muito bem e partilhamos a mesma visão sobre o meu jogo. Ele tem ajudado a tornar o meu estilo mais natural, sólido e disciplinado. Experimentei várias opções nos treinos, o que é fantástico, pois há meses não estava completamente confortável com o meu ténis”, revelou a polaca.
Iga Swiatek mantém-se assim no centro das atenções, não só pelo seu talento inquestionável dentro das quatro linhas, mas também pela sua voz crítica e madura fora delas. O futuro próximo do ténis poderá ser marcado por negociações decisivas sobre os direitos dos atletas, e Swiatek prepara-se para ser uma das protagonistas deste capítulo essencial do desporto rei. Se o Roland Garros vai sofrer ou não um boicote, a resposta ainda está por ser dada, mas uma coisa é certa: a pressão dos jogadores está a crescer e já não pode ser ignorada.
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