Fiorentina desafia a história e escapa à despromoção após início catastrófico: Vanoli faz história no futebol italiano
Num cenário que parecia condenado ao pior desfecho possível, a Fiorentina conseguiu um feito que desafia todas as estatísticas da Serie A: evitar a despromoção depois de não conseguir vencer qualquer dos primeiros 15 jogos da temporada. Este feito épico tem um nome: Paolo Vanoli, o treinador que assumiu o comando numa altura em que a equipa estava no fundo da tabela e parecia fadada ao desastre.
Vanoli, que substituiu Stefano Pioli a 7 de novembro, encontrou uma equipa à beira do abismo, com apenas quatro pontos conquistados em dez jogos. Um verdadeiro “Missão Impossível” para qualquer treinador, mas a sua liderança e determinação valeram à Viola a manutenção na elite do futebol italiano, garantida já com duas jornadas de antecedência, após um empate a zeros com o Genoa.
“Esta permanência é dedicada a Rocco Commisso, a primeira pessoa com quem falei quando assumi o cargo,” revelou Vanoli em conferência de imprensa. “Ele e a sua família fizeram tanto por Florença, entre o complexo Viola Park e o trabalho no estádio. Nesta época que celebra o centenário da Fiorentina, queria garantir algo positivo para os adeptos. Agora é hora de olhar para o futuro, e espero ver mais sorrisos na cidade.”
O ano desportivo foi marcado por uma enorme turbulência, incluindo a morte do presidente Rocco Commisso, ocorrido em janeiro nos Estados Unidos, e a sua impossibilidade de encontrar Vanoli pessoalmente devido a problemas de saúde. Apesar da atmosfera tensa e dos assobios no Estádio Artemio Franchi após o empate com o Genoa, o treinador mantém uma postura firme e realista.
“Os jogadores sabem que têm de fazer mais e que carregam uma grande responsabilidade. Os adeptos merecem uma Fiorentina muito diferente, mas penso que fizemos bem em alcançar este objetivo crucial. O clube pediu-me para garantir a permanência com uma equipa que não foi construída por mim,” sublinhou Vanoli, consciente da dimensão do desafio superado.
O treinador não esquece o peso histórico da sua missão: “Ninguém na história conseguiu evitar a despromoção depois de não vencer nos primeiros 15 jogos. Sempre disse que esta cidade merece ambições maiores, mas primeiro tivemos de resolver o problema imediato. Agora, estou certo de que a Fiorentina vai construir uma equipa de nível superior.”
No entanto, Vanoli poderá não ser o rosto dessa nova era. Apesar de ter conquistado a manutenção, o técnico admite que não é necessariamente o homem para elevar a equipa a patamares mais elevados: “Sou uma pessoa direta. Desde que cheguei, senti confiança de todos. Já me reuni com Paratici e Ferrari para discutir a visão e a organização do clube. Agora, a decisão está nas mãos deles. Há uma cláusula no meu contrato para extensão, mas, por agora, vou desfrutar deste momento depois de uma luta difícil.”
Este capítulo dramático da história da Fiorentina é um alerta brutal para os responsáveis do clube: a equipa precisa de uma revolução para honrar a sua rica tradição e as expectativas dos seus fervorosos adeptos. Vanoli salvou a Viola do abismo, mas o futuro pede um projeto ambicioso e determinado a devolver Florença ao topo do futebol italiano.
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