A crise no Milan atinge níveis alarmantes após uma derrota caseira por 3-2 frente à Atalanta, que coloca em xeque a qualificação para a Liga dos Campeões. Com este resultado, os Rossoneri caem para o quarto lugar, agora empatados com a Roma e ultrapassados pela Juventus, mergulhando num cenário de instabilidade e pressão crescente.
O contexto não poderia ser mais preocupante: apenas sete pontos conquistados em sete jornadas colocam o sonho europeu em risco. A ausência de estrelas como Christian Pulisic, que sofreu uma lesão muscular na manhã do jogo, Luka Modric, e o suspenso Fikayo Tomori, obrigou o técnico a apostar em Santiago Gimenez, que não iniciava um desafio desde 28 de outubro. A equipa do Milan entrou em campo com camisolas especiais dedicadas ao Dia da Mãe, exibindo os nomes das mães dos jogadores nas costas, numa tentativa de inspiração.
Do lado da Atalanta, que não podia contar com Lorenzo Bernasconi, a equipa vinha pressionada após apenas dois pontos em quatro jogos e a eliminação na Taça de Itália frente à Lazio. A tensão refletiu-se nas bancadas, onde os ultras manifestaram-se veementemente contra o CEO Giorgio Furlani, assim como contra o patrão Gerry Cardinale e outros dirigentes do clube, demonstrando o descontentamento crescente entre a massa adepta.
A partida arrancou com Adrien Rabiot quase a inaugurar o marcador, mas foi a Atalanta quem abriu o marcador aos quatro minutos. Ederson, aproveitando uma jogada que continuou apesar de uma queixa por puxão de camisola sobre Nikola Krstovic, disparou colocado para o fundo da baliza. A pressão da equipa visitante continuou, com Krstovic a ameaçar de longe e Zappacosta a aumentar a vantagem com um remate certeiro após assistência de De Ketelaere, colocando o Milan em desvantagem de 2-0 antes sequer de conseguir entrar na área adversária.
O guarda-redes Marco Carnesecchi brilhou ao negar um golo a Gimenez, enquanto Rafael Leao demonstrava frustração, recebendo cartão amarelo por uma falta dura e desperdiçando uma oportunidade clara ao rematar diretamente para as mãos do guarda-redes. As tentativas de reação dos Rossoneri foram bloqueadas, com Alexis Saelemaekers a ser travado liminarmente e Ruben Loftus-Cheek a sair lesionado ao intervalo, dando lugar a Christopher Nkunku, numa tentativa de reacender o ataque.
A Atalanta não deu tréguas e, aproveitando um erro no meio-campo, Ederson lançou Raspadori para um golo quase perfeito que aumentou para 3-0. A revolta dos adeptos foi imediata, com muitos a abandonarem o estádio, deixando a Curva Sud praticamente vazia a 35 minutos do final. A substituição de Leao não agradou e o seu desempenho apagado refletiu a crise individual e coletiva.
A situação piorou quando Odilon Kossounou saiu lesionado pouco depois de entrar, e apesar das investidas de Nkunku, Carnesecchi continuou a ser uma muralha. A Atalanta teve ainda oportunidades para o quarto golo, com Krstovic e Fullkrug a desperdiçarem chances claras, enquanto o Milan viu dois jogadores importantes, Estupinan e Saelemaekers, receberem cartões amarelos que implicam suspensão para o próximo jogo contra o Génova, juntando-se a Leao.
Nos minutos finais, o Milan conseguiu reduzir aos 81 minutos, quando Strahinja Pavlovic aproveitou um livre de Samuele Ricci para marcar, quebrando um jejum de mais de 300 minutos sem golos em casa. Contudo, a esperança foi rapidamente sufocada. No tempo de compensação, Nkunku sofreu falta na área, converteu o penálti e fixou o resultado final em 3-2, numa vitória vital para a Atalanta e um golpe duro para as ambições do Milan.
Este resultado deixa os Rossoneri em alerta máximo, com uma crise que não parece ter fim à vista. A equipa de Milão terá de encontrar soluções urgentes para evitar um descalabro total numa temporada que prometia muito e que, neste momento, está envolta em dúvidas e tensões internas. A luta pelo topo da Serie A está mais feroz do que nunca, e o Milan precisa de reagir imediatamente, sob pena de ver os seus sonhos europeus desvanecerem-se por completo.
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