Cristiano Ronaldo está a um passo de acabar com um jejum que já dura cinco anos – e o momento não poderia ser mais explosivo. Hoje, no dérbi eletrizante entre Al Nassr e Al Hilal, em Riade, o avançado português pode finalmente erguer um título nacional desde que deixou a Europa, em dezembro de 2022. Uma vitória do seu clube diante do rival histórico significa o fim de um período de seca que, para um dos maiores goleadores da história do futebol, já parecia interminável.
A decisão de Ronaldo de abraçar o desafio na Arábia Saudita foi, à época, vista com surpresa e até alguma polémica. No rescaldo do Mundial do Qatar, onde Portugal não brilhou e a sua saída tumultuosa do Manchester United ainda ecoava, CR7 optou por uma mudança radical: abandonar as luzes intensas da Europa para se tornar a figura de proa de um campeonato até então marginalizado no panorama mundial. A sua influência foi tão grande que a “Premier League Saudita” passou a ser transmitida globalmente, e o nome do português ecoou nos quatro cantos do planeta.
Contudo, o percurso não foi fácil nem imediato no que toca a títulos. Na primeira meia época, o Al Nassr ficou em segundo lugar, atrás do Al Ittihad. No ano seguinte, repetiu o segundo lugar, agora atrás do Al Hilal, comandado pelo português Jorge Jesus. O terceiro ano foi ainda pior, com a equipa a cair para o terceiro posto, atrás dos mesmos rivais. Um cenário que parecia colocar em causa o impacto real da transferência de Ronaldo para o Médio Oriente.
Mas a reviravolta estava para acontecer e teve um capítulo inesperado. Cristiano Ronaldo protagonizou uma “greve” dentro do clube, um protesto contra decisões polémicas do Fundo de Investimento Público da Arábia Saudita, que detém quatro grandes clubes locais – Al Nassr, Al Hilal, Al Ittihad e Al Ahli. O protesto centrou-se no alegado favorecimento do Al Ahli, na retirada de poderes dos portugueses Simão Coutinho e José Semedo – aliados próximos de CR7 – e na falta de pagamento a funcionários. Esta tomada de posição firme do capitão português abalou as estruturas e forçou mudanças.
O boicote surtiu efeito. Os portugueses recuperaram influência, os salários foram regularizados e a equipa disparou numa impressionante sequência de 20 vitórias consecutivas no campeonato. Agora, na penúltima jornada, o Al Nassr chega em posição confortável para conquistar um título que lhe escapa desde 2019, quando ainda estava sob o comando do treinador português Rui Vitória. Três anos e meio depois, com mais de 400 milhões de euros investidos em reforços desde a chegada de Ronaldo, o clube está finalmente em condições de quebrar o domínio dos rivais.
Este dérbi de Riade, que prometia ser apenas mais um jogo no calendário, transformou-se num evento de interesse global. A possibilidade de Ronaldo conquistar finalmente um título nacional, algo que não lhe acontece desde 2021 – quando venceu a Serie A pela Juventus –, agita as paixões dos fãs e das audiências em todo o mundo.
No seu impressionante percurso, Cristiano Ronaldo já soma 971 golos oficiais, incluindo os apontados na Taça dos Campeões Árabes, e coleciona um impressionante palmarés que inclui mais títulos do que o lendário guarda-redes português Vítor Baía. Entre os troféus mais recentes estão a Liga dos Campeões Árabes, conquistada em 2023, e a Liga das Nações, ao serviço de Portugal, em 2025.
Se conseguir hoje a vitória sobre o Al Hilal, o craque português não só colocará fim a um longo jejum como reforçará a sua lenda, provando que, mesmo longe dos holofotes europeus, continua a ser uma força dominante no futebol mundial. A espera está quase a acabar – e o mundo está a assistir atento.
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