Zverev responde com ironia sobre favoritismo no Open de França

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Com a eliminação precoce de vários favoritos, como Jannik Sinner e Novak Djokovic, o foco da edição de 2024 do Roland Garros voltou-se rapidamente para Alexander Zverev. O tenista alemão, segundo cabeça de série, garantiu um lugar nos quartos-de-final ao derrotar Jesper De Jong, reforçando a sua posição como um dos principais candidatos ao título. Contudo, perante as crescentes expectativas, Zverev respondeu com franqueza e alguma ironia quando questionado sobre o estatuto de favorito.

“Então, porque é que não me dão logo a resposta?”, lançou Zverev com um sorriso na conferência de imprensa após o triunfo por 7-6, 6-4, 6-1. A resposta veio direta após um jornalista o ter interrogado se se sentia o principal favorito à vitória em Paris. Apesar da pressão mediática, o germânico recusou-se a abraçar o rótulo, preferindo manter os pés assentes na terra e concentrar-se exclusivamente nos desafios que tem pela frente.

“Não, vou dar a mesma resposta que dei há dois dias. Vou focar-me nos jogos que tenho pela frente. Isso é tudo o que posso controlar. Concentrei-me no De Jong e joguei bem. Agora vou pensar no Jódar”, afirmou o tenista de 29 anos, evidenciando a sua mentalidade pragmática e focada apenas no presente.

Zverev tem sido consistente na sua abordagem: controlar apenas aquilo que depende dele em court, ignorando rótulos, previsões e ruído exterior. Esta estratégia traduz-se também num afastamento deliberado das redes sociais e das distrações externas durante os Grand Slams. “Não ouço nada. O meu telemóvel está desligado, mas está assim há cerca de sete anos durante os Grand Slams. Não tenho redes sociais”, confidenciou, reforçando o seu compromisso em manter a concentração intacta.

Esta postura foi já expressa após a vitória contra Quentin Halys na terceira ronda, onde reiterou que o seu único foco era o adversário imediato, Jesper De Jong, apesar do cenário aberto com a saída inesperada de Novak Djokovic e a desistência de Carlos Alcaraz, que não chegou sequer a entrar em court. O italiano, cabeça de série número um, também caiu precocemente, eliminado na segunda ronda por Juan Manuel Cerúndolo, abrindo ainda mais o caminho para Zverev.

No entanto, a carreira de Zverev continua a ser marcada por uma narrativa incômoda: é frequentemente apontado como o melhor jogador da sua geração sem um título de Grand Slam, apesar de ter chegado a três finais de maior dimensão. O momento mais doloroso foi talvez a derrota na final do Open da Austrália em 2025 frente a Jannik Sinner, onde admitiu sem rodeios: “Não quero acabar a minha carreira como o melhor jogador de sempre a nunca ganhar um Grand Slam, isso é certo. Vou continuar a fazer tudo para conquistar um destes troféus.”

Agora, com a presença assegurada nos quartos-de-final, Zverev está mais próximo desse sonho, mas terá de apresentar o seu melhor ténis para alcançar as meias-finais de Roland Garros.

O próximo obstáculo no caminho de Zverev é o jovem espanhol Rafael Jódar, de apenas 19 anos, que tem sido uma das grandes revelações do torneio. No início da temporada de terra batida, Jódar estava fora do top 100, mas após uma subida meteórica, impulsionada pelo desempenho no Masters de Madrid, já figura no top 20 mundial.

Apesar da posição confortável no quadro, Zverev mantém-se cauteloso e recusa-se a discutir as suas hipóteses de conquista, mas revela-se entusiasmado com o encontro contra Jódar. “Ele estava fora do top 100 no início da temporada de terra e agora está entre os 20 melhores. Consegue acelerar a bola de ambos os lados, o que é incrível. É um jogador muito agressivo, jovem e com um talento tremendo. Estou ansioso pelo nosso primeiro confronto”, afirmou.

Quando questionado se recordava estar na mesma posição que o jovem espanhol, Zverev ofereceu um raro vislumbre da sua visão sobre as fases iniciais da carreira de um tenista: “É um momento divertido para qualquer jogador quando começa, porque não há pressão. Joga-se livremente e vive-se tudo pela primeira vez. É uma experiência muito boa. Mas também gosto de estar onde estou, com dez anos neste nível, a conhecer e a gerir as situações.”

O duelo entre a experiência e a juventude promete ser eletrizante, com Zverev a tentar usar a sua bagagem para travar o ímpeto do promissor Jódar. Amanhã, os adeptos terão um encontro imperdível que poderá definir quem seguirá para as meias-finais do maior torneio de terra batida do mundo. A ambição de Zverev está em alta, e a resposta ao favoritismo mantém-se clara: o foco é apenas no próximo ponto.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

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