Espanha empata com Iraque e levanta dúvidas antes do Mundial

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A Espanha, actual campeã europeia, prepara-se para o Mundial com um empate que está a lançar dúvidas: 0-0 frente ao Iraque, país que ocupa apenas o 56.º lugar no ranking mundial da FIFA. Será que a «Fúria» está longe do seu melhor? E a França, que cedeu uma surpreendente derrota frente à Costa do Marfim, também não inspira confiança para a prova mais importante do futebol mundial.

Mas será mesmo prudente tirar conclusões precipitadas com base nestes resultados de pré-época? A história recente dos Mundiais mostra-nos que os jogos amigáveis pouco ou nada dizem sobre o que está para vir. Relembramos alguns exemplos que desmistificam as expectativas criadas antes do apito inicial do torneio.

Em 2018, a França empatou 1-1 com os Estados Unidos em Lyon, num jogo que suscitou buzinadelas da própria claque francesa ao intervalo. Mbappé só conseguiu empatar aos 78 minutos, depois do golo americano de Julian Green. Apesar de 19 remates contra apenas 2 dos norte-americanos, a «Les Bleus» deixaram muitos adeptos apreensivos. Resultado? Conquistaram o Mundial na Rússia, mostrando que os sinais dados antes não refletiam a sua verdadeira força.

Também em 2018, a Polónia goleou a Lituânia por 4-0, com dois golos de Lewandowski, e era vista como uma das surpresas do campeonato. No entanto, no Mundial, a equipa caiu logo na fase de grupos, terminando no último lugar e sem um único golo do seu astro.

Na edição de 2014, a Alemanha teve um arranque de preparação pouco convincente, empatando 0-0 com a Polónia e 2-2 com o Camarões. O seleccionador Joachim Löw confessou dificuldades no último terço do jogo e na finalização. Contudo, a equipa acordou a tempo, goleando a Arménia por 6-1 antes do Mundial e protagonizando uma histórica vitória por 7-1 sobre o Brasil nas meias-finais, culminando com a conquista do título.

Portugal, com Cristiano Ronaldo a emergir de uma época fenomenal no Real Madrid, entrou no Mundial 2014 embalado pelo triunfo por 5-1 frente à Irlanda. No entanto, o desempenho no torneio ficou longe dessa exibição, com apenas três golos marcados e a eliminação prematura após uma derrota pesada contra a Alemanha.

A Inglaterra, que em 2006 goleou a Jamaica por 6-0 no último jogo antes do Mundial, viu essa confiança esvair-se rapidamente. O início do campeonato foi morno, com uma vitória sofrida contra o Paraguai por 1-0, e a equipa acabou eliminada nos quartos-de-final, longe das expectativas da chamada «Geração de Ouro».

Finalmente, em 2006, a Itália empatou a zero com a Ucrânia numa partida amigável pouco inspiradora, mas acabou por conquistar o título mundial semanas depois, provando que um resultado morno na fase de preparação não determina o sucesso final.

Estes exemplos evidenciam que os jogos de preparação são, muitas vezes, meros indicadores superficiais. A Espanha e a França podem estar a despertar a desconfiança dos adeptos, mas o verdadeiro teste só começa quando o Mundial arrancar. Por isso, é essencial manter a calma e não subestimar as equipas que parecem vacilar antes do pontapé de saída. Afinal, no futebol, a história ensina que nem sempre os resultados pré-Mundial são previsores fiáveis do desfecho final.

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