Scottie Scheffler está à beira de entrar para o restrito círculo de lendas do golfe mundial, ao tentar, este fim-de-semana, conquistar o último troféu que lhe falta para completar o Grand Slam de carreira: o U.S. Open. O norte-americano, que celebra o 30.º aniversário no domingo, pode tornar-se apenas o sétimo jogador na história do desporto a vencer os quatro Majors, igualando nomes imortais como Tiger Woods, Jack Nicklaus e Gary Player — e tudo isso em Shinnecock Hills, palco do 126.º U.S. Open, onde está em jogo não só o título, mas o seu próprio legado.
Scheffler tem sido uma das figuras mais dominantes do golfe nos últimos anos, mas atravessa agora um período menos brilhante: soma já 11 torneios sem vencer, apesar de ter conseguido seis presenças no top-4 e três segundos lugares só nesta temporada. Desde a vitória inaugural do ano, no American Express, o número um do mundo tem sentido dificuldades em manter o nível absolutamente avassalador dos últimos tempos. Ainda assim, os especialistas não hesitam em apontá-lo como o homem a bater, embora reconheçam que já não parece inatingível. Brandel Chamblee, analista do Golf Channel, resumiu: “Ele continua a ser o alvo a abater, mas já não é o homem que não pode ser batido”.

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A importância deste U.S. Open para Scheffler — e para a história do golfe — não podia ser maior. Em 2025, Rory McIlroy completou o Grand Slam ao vencer o Masters e, num gesto simbólico, o seu caddie, Harry Diamond, ofereceu-lhe um cartão de resultados autografado pelos outros cinco jogadores que já tinham conseguido o feito. McIlroy recusou assinar, dizendo que queria deixar espaço para quando Scheffler também se juntasse ao clube. Agora, a aura de expectativa e pressão recai sobre o norte-americano, que admite o peso do momento, mas diz que o Grand Slam “nunca foi um factor motivador” para si. “Sempre quis apenas ser a melhor versão de mim mesmo, e foi isso que me trouxe até aqui”, disse Scheffler, na antevisão do torneio.
O seu desempenho esta época é, ainda assim, invejável para qualquer outro atleta: lidera a FedEx Cup, domina as estatísticas de strokes gained, mas as margens no golfe de elite são cada vez mais apertadas. “Sinto que estive perto durante grande parte do ano. Apenas não tenho estado tão afiado quanto precisava. Para vencer muitos torneios, é preciso estar mesmo muito, muito afiado”, reconheceu Scheffler, explicando também que “provavelmente não está ao nível dos últimos dois anos, mas também não está longe”. O maior problema tem sido a regularidade, sobretudo nas primeiras rondas: apenas por duas vezes esteve no top-15 ao fim da primeira volta nos últimos 11 torneios, ocupando apenas o 51.º lugar na média de resultados iniciais, embora seja o melhor na média da última ronda.
A exigência do U.S. Open, especialmente em campos como Shinnecock, é extrema. O percurso favorece jogadores com precisão nos ferros longos, capacidade de evitar bogeys e sangue-frio nos greenes — características que, em teoria, favorecem Scheffler. No entanto, a pressão de um momento histórico e a necessidade de gerir expectativas podem ser os maiores obstáculos. Paul McGinley, antigo capitão da Ryder Cup e comentador, referiu: “No Memorial, vimos que ele é um verdadeiro controlador nato no seu jogo, mas aqui não se pode controlar tudo. Não é um jogo de precisão absoluta, é preciso saber gerir os erros. Vai ser esse o desafio para o Scottie”.
A história mostra que é possível: Gary Player completou o Grand Slam em 1965 e Nicklaus fez o mesmo no ano seguinte. Porém, nunca ninguém venceu um Major no dia em que celebra o aniversário, um feito que Scheffler pode alcançar no domingo. A pressão é brutal, mas o próprio reconhece o lado cruel do desporto. “Como atleta profissional, nunca vamos corresponder totalmente às expectativas das pessoas. Se ganhar o U.S. Open, vão dizer que preciso de ganhar mais. Se ficar em segundo, vão dizer que falhei. Por vezes, até o segundo lugar dói imenso”, desabafou Scheffler, admitindo ainda: “Às vezes, pode-se sentir um falhado só porque não se ganha. Tento não me focar demasiado nem nos sucessos nem nos fracassos, porque este é um desporto duro”.
Se conseguir inscrever o nome entre os gigantes, Scheffler não só concretiza um feito histórico, como altera por completo o panorama do golfe contemporâneo. A fasquia do Grand Slam será ultrapassada, mas as perguntas sobre o próximo objectivo não tardarão. Para já, o mundo do desporto estará de olhos postos em Shinnecock, à espera de ver se, finalmente, há espaço para mais uma assinatura no lendário cartão de Augusta de McIlroy — e, sobretudo, se Scheffler consegue transformar a pressão em glória e reescrever a história do golfe no seu próprio aniversário.
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