Ayyoub Bouaddi brilha no meio-campo de Marrocos e ameaça a Escócia

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Ayyoub Bouaddi, com apenas 18 anos e numa estreia absoluta num Campeonato do Mundo, foi o maestro improvável que destruiu o prestígio do Brasil no meio-campo, transformando-se num fenómeno instantâneo que está a dar que falar em todo o futebol europeu. O jovem prodígio, cuja nacionalidade desportiva foi aprovada pela FIFA há pouco mais de um mês, não só liderou Marrocos à vitória como pulverizou recordes internos da selecção africana, num jogo em que estava tudo contra ele: a idade, a pressão, o adversário e a responsabilidade de carregar o motor da equipa.

No passado fim-de-semana, no MetLife Stadium de Nova Iorque, Mohamed Ouahbi surpreendeu toda a gente ao apostar num jogador com apenas quatro internacionalizações – todas em jogos de preparação – para enfrentar o trio de luxo brasileiro constituído por Casemiro, Bruno Guimarães e Lucas Paquetá. A aposta, considerada por muitos um risco desnecessário, revelou-se um golpe de mestre: Bouaddi respondeu com uma exibição irrepreensível, controlando o ritmo da partida, anulando as principais referências do adversário e tornando-se o verdadeiro cérebro da equipa marroquina durante 90 minutos de intensidade máxima.

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O impacto desta aposta vai muito além do resultado ou da exibição individual. Marrocos, que procura afirmar-se como potência emergente no futebol mundial, encontrou no jovem médio do Lille o elemento diferenciador que pode catapultar a equipa para a fase a eliminar e, quem sabe, para feitos históricos nesta edição do Mundial. A ascensão meteórica de Bouaddi, que há poucos meses ainda era capitão dos sub-21 de França, representa uma mudança de paradigma no futebol africano: talento formado na Europa, mas ao serviço das cores das suas raízes, capaz de rivalizar com qualquer potência mundial.

Os números da sua estreia oficial em Mundiais são de craque consagrado: 86 toques na bola (máximo da história de Marrocos em fases finais), 91% de passes certos (62 em 68 tentativas), oito passes progressivos – superando todos os outros em campo –, sete duelos ganhos em nove disputados, seis recuperações de bola e mais de 11,8 quilómetros percorridos. No final do encontro, as estatísticas do Flashscore e da Opta não deixavam dúvidas: Bouaddi foi o verdadeiro maestro em campo.

No balneário, a admiração era total. Chemsdine Talbi, colega de meio-campo, não poupou nos elogios ao jovem fenómeno: “É um jogador de topo, com qualidades técnicas excepcionais”. Neil el-Aynaoui, o companheiro no duplo pivot, reforçou: “É um jogador muito inteligente, cobre todo o campo. É essencial ao nosso estilo de jogo e teve uma exibição brilhante, parece que joga connosco há anos.” Apesar do entusiasmo, o seleccionador Mohamed Ouahbi fez questão de manter os pés bem assentes na terra e arrefecer a euforia: “Talvez seja por ser um jogador novo que todos estão tão excitados. Mas o Bouaddi não me surpreendeu, sabíamos perfeitamente o jogador que era, por isso é que tivemos tantas reuniões para o convencer a escolher Marrocos.” O técnico aproveitou ainda para valorizar a profundidade do plantel: “Temos muitos médios para o futuro: o Ayyoub fez um bom jogo, o el-Aynaoui também esteve muito bem.” Não esqueceu outros protagonistas, como Samir el-Mourabet, Azzedine Ounahi, Bilal el-Khannouss, Brahim Diaz e Ismael Saibari, autor do golo da vitória.

A trajectória de Bouaddi é tudo menos banal. Nascido em Senlis, França, a 2 de Outubro de 2007, filho de emigrantes marroquinos e formado no Lille, tornou-se o jogador mais jovem da história do clube a ser titular numa competição europeia – tinha apenas 16 anos e três dias quando se estreou na Conference League. Em Outubro de 2024, no dia do seu 17º aniversário, foi titular e figura decisiva na vitória do Lille sobre o Real Madrid na Liga dos Campeões, sendo transportado em ombros pelos colegas. Bruno Génésio, o seu treinador na altura, vaticinou: “É um rapaz muito inteligente. Tem talento para jogar neste nível. Ainda tem de se afirmar, mas não vejo motivos para preocupação com ele.” A profecia confirmou-se logo no ano seguinte, com nova exibição de gala diante da Roma.

Fora dos relvados, Bouaddi é igualmente brilhante: concluiu o secundário com 16 valores de média e distinção máxima no BAC científico, e aos 15 anos ganhou o primeiro prémio nacional de oratória em França, no Eliseu, perante Brigitte Macron, com um discurso sobre a importância do método face ao resultado. No futebol, está a mostrar que é possível unir o método à eficácia, inspirando uma nova geração de jovens marroquinos e africanos.

A cabeça, essa, continua fria. Apesar da cobiça dos grandes europeus – está vinculado ao Lille até 2029 –, Bouaddi garantiu ao ser questionado sobre eventuais transferências: “Fico muito feliz por saber que há clubes interessados em mim, mas neste momento estou apenas focado no Mundial e vamos dar tudo para irmos o mais longe possível.” O próximo teste é já frente à Escócia, um adversário de perfil físico e agressivo, onde todas as atenções voltarão a estar centradas no novo prodígio do futebol marroquino. Se repetir a exibição contra o Brasil, ninguém duvidará: nasceu uma nova estrela mundial.

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