Lágrimas de pura emoção marcaram o momento em que Jasmine Paolini, número 17 do mundo, garantiu uma histórica passagem à segunda semana de Wimbledon, após uma vitória avassaladora sobre Maria Sakkari por 6-1, 6-2. A italiana, habitualmente discreta em relva e sem grandes expectativas à sua volta no início do torneio, surpreendeu tudo e todos com uma exibição dominante que a catapultou para os oitavos-de-final do Grand Slam londrino, deixando o público de SW19 em êxtase e a própria atleta visivelmente comovida.
O triunfo de Paolini, alcançado em apenas 66 minutos diante da tenista grega, foi um autêntico manifesto de superação. Aos 30 anos, a transalpina nunca tinha ultrapassado a segunda ronda em cinco presenças no quadro principal de Wimbledon, e os resultados recentes, tanto em terra batida como em relva, eram desanimadores. Desde as meias-finais em Mérida, em Março, não conseguira encadear uma sequência relevante de vitórias. Ainda assim, Paolini entrou em campo sem medo, atropelou Sakkari em todas as frentes do jogo e quebrou, finalmente, o enguiço londrino que há tantos anos a perseguia.

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A importância desta vitória não se esgota no resultado. Para além do significado pessoal — visível nas lágrimas que lhe escorreram pelo rosto na entrevista em court — Paolini recoloca-se entre as protagonistas do circuito feminino, numa fase em que o calendário de torneios do Grand Slam se aproxima do clímax. “Significa muito. Sabe… os últimos meses foram um pouco duros”, confessou, emocionada, perante aplausos calorosos do público e uma plateia repleta de italianos. “Estou mesmo feliz, sobretudo pela forma como joguei hoje. É sempre difícil defrontar a Maria, são sempre grandes batalhas. Da última vez perdi em Doha. Hoje consegui desfrutar do jogo e isso é uma sensação incrível. Obrigada também ao público, muitos italianos aqui, mas também adeptos de todo o mundo. Foi um grande dia. Honestamente, estou mesmo, mesmo feliz”, acrescentou, visivelmente tocada.
Esta prestação é ainda mais notável se tivermos em conta o histórico pouco animador da jogadora em Wimbledon: eliminações na primeira ronda em 2021, 2022 e 2023, e uma derrota precoce na segunda ronda no ano passado. O seu registo acumulado nos últimos cinco anos rondava um modesto 7-5, um indicador pouco animador para quem ambiciona deixar marca no All England Club. No entanto, as três vitórias consecutivas na presente edição já representam um enorme impulso anímico, permitindo a Paolini sonhar com uma caminhada semelhante à que protagonizou em 2024, quando atingiu a final.
O percurso até aqui não foi isento de dificuldades. A estreia frente à jovem Robin Montgomery foi um verdadeiro teste de nervos: Paolini começou por ceder o primeiro set por 0-6, parecendo completamente fora de ritmo, mas recuperou de forma impressionante, vencendo os parciais seguintes por 6-4 e 7-5. Seguiu-se um duelo intenso com Viktoriya Golubic, resolvido com um 7-6, 6-4, antes da exibição autoritária contra Sakkari.
Agora, o maior desafio do torneio espera-a nos oitavos-de-final: a filipina Alexandra Eala, que também tem vindo a protagonizar uma campanha de sonho. Eala eliminou a campeã em título, Iga Swiatek, com um surpreendente 7-6, 6-2, e não conteve as lágrimas ao falar sobre a dimensão do feito. “Não sei como descrever isto”, afirmou Eala na entrevista pós-jogo, ainda incrédula. “Estou na segunda semana de um ‘slam’. É incrível para mim. A Iga é uma jogadora fenomenal e uma excelente pessoa. Estou muito grata por poder partilhar o Centre Court com ela em Wimbledon”, acrescentou, recordando ainda as dificuldades da infância e o quão especial é este marco para si.
Há poucos meses, Eala e Paolini defrontaram-se pela primeira vez ao mais alto nível, no torneio de Dubai, com a filipina a levar a melhor por 6-1, 7-6. Agora, ambas chegam a Wimbledon em forma, mesmo não sendo a relva a superfície favorita de nenhuma das duas. O embate de segunda-feira promete emoções fortes e poderá definir quem será a próxima sensação a marcar presença na recta final do terceiro Grand Slam da temporada.
O desfecho deste duelo poderá alterar por completo o rumo das carreiras de Paolini e Eala, injectando novo fôlego nas aspirações de ambas no circuito WTA. Com o apoio fervoroso dos adeptos e um nível de ténis absolutamente electrizante, Wimbledon prepara-se para mais um capítulo inesquecível, onde a garra, a superação e as emoções à flor da pele prometem continuar a ser protagonistas.
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