Djokovic avança em Wimbledon mas revela frustração após vitória

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Novak Djokovic voltou a incendiar os bastidores do ténis mundial ao admitir que não sentiu qualquer prazer durante a vitória em Wimbledon, lançando dúvidas sobre a sua motivação nesta fase crucial do torneio. O sérvio, que superou Roman Safiullin em quatro sets na terceira ronda, surpreendeu tudo e todos ao afirmar que não se divertiu em campo, apesar de garantir mais uma presença nos quartos de final do Grand Slam londrino.

O encontro decorreu esta terça-feira nos míticos courts de relva de Wimbledon, onde Djokovic, actual número dois do ranking ATP, teve de suar para derrotar o tenista russo Roman Safiullin. Apesar do triunfo, o campeão de Belgrado mostrou-se visivelmente insatisfeito com a sua prestação e terá agora pela frente Felix Auger-Aliassime, número quatro do mundo, numa batalha que promete ser explosiva pelo acesso às meias-finais. Caso vença, Djokovic poderá reencontrar o campeão em título e número um mundial, Jannik Sinner, num confronto que já faz salivar os adeptos do ténis, mas para lá chegar, tanto o sérvio como o italiano terão de ultrapassar adversários complicados.

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Esta notícia é particularmente relevante, não só pela frieza demonstrada por Djokovic após a vitória, mas também porque revela uma faceta menos habitual do sérvio, habitualmente conhecido pela sua tenacidade e paixão pelo jogo. As suas palavras levantam questões sobre o seu estado de espírito num momento em que persegue mais um recorde em Wimbledon – o de ultrapassar Roger Federer em número de vitórias neste torneio mítico – e alimentam a especulação sobre o impacto psicológico da pressão contínua de competir ao mais alto nível. A aparente apatia contrasta com a imagem de domínio e segurança que Djokovic costuma transmitir, o que poderá ser sintomático de desgaste ou de uma exigência pessoal fora do comum.

Na conferência de imprensa após o encontro, Djokovic não deixou margem para dúvidas quanto ao seu descontentamento: “Não dependeu da minha condição física. Creio que foi simplesmente por causa do meu jogo. Fisicamente estava mais ou menos bem. Quanto ao meu jogo, não me diverti a jogar ténis. Também porque ele me colocou muita pressão, a jogar bem. Tive dificuldades em encontrar o nível que procurava, o nível que acredito ter tido sobretudo na segunda ronda. Mas uma vitória é uma vitória, ainda que não seja particularmente brilhante. Espero poder usá-la como estímulo para melhorar”, afirmou o sérvio, deixando no ar a ideia de que o seu rendimento está aquém do esperado.

Questionado sobre a possibilidade de ultrapassar Roger Federer no número total de vitórias em Wimbledon, Djokovic mostrou-se surpreendentemente indiferente: “Honestamente, não é uma prioridade para mim, não pensei nisso. Nem sequer o sabia até depois de ter vencido o último jogo. Neste momento é bastante insignificante para mim. Para ser sincero, não me senti muito bem em campo, por isso fiquei aliviado por sair vencedor. Estou aliviado e feliz por ter vencido, mas não me diverti. Espero que o próximo jogo corra melhor nesse aspecto”, explicou, reforçando a ideia de que o seu grande objetivo neste momento passa mais por reencontrar o prazer de jogar do que bater recordes.

Durante o jogo, Djokovic também teve alguns momentos de polémica, protagonizando explosões emocionais pouco habituais no seu percurso recente. O próprio admitiu: “Por vezes ajuda desabafar e libertar as coisas que se acumulam dentro de nós. Não é algo de que me orgulhe. Decerto não é algo que procuro. Mas quando acontece, acontece. Tento apenas deixar passar, não pensar demasiado nisso e passar à próxima coisa”, reconheceu, mostrando consciência do impacto que estas atitudes podem ter na sua performance e imagem pública.

A vitória, ainda que pouco brilhante, garante a Djokovic a continuidade no torneio e a possibilidade de reivindicar mais um feito histórico em Wimbledon. No entanto, as suas declarações lançam uma sombra sobre o seu estado mental e levantam dúvidas quanto à sua capacidade de manter a frieza e a motivação nos duelos decisivos que se avizinham. O próximo teste será frente a Felix Auger-Aliassime, onde estará em causa não só a passagem às meias-finais, mas também a prova de que Djokovic continua a ser uma força a ter em conta na relva londrina.

Se conseguir ultrapassar esta fase menos inspirada, o sérvio poderá reencontrar-se com Jannik Sinner, num duelo que promete elevar o nível de exigência e emoção. Resta saber se Djokovic será capaz de transformar o desânimo em combustível para mais uma campanha triunfante ou se o seu reinado em Wimbledon estará ameaçado pela pressão, pelas emoções e pela nova geração que espreita a oportunidade de fazer história no All England Club. Para já, todas as atenções estão centradas no reencontro entre Djokovic e a sua melhor versão – e o ténis mundial aguarda, ansioso, pela resposta.

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