74 jogadores do Mundial chegam exaustos após três épocas sem pausa

Partilhar

O calendário do futebol internacional atingiu níveis absolutamente insanos, deixando as principais estrelas mundiais à beira do esgotamento físico. Quando se pensava que o verão de 2025 poderia ser finalmente sinónimo de descanso para os craques, a FIFA decidiu encher o calendário com um Mundial de Clubes alargado, empurrando dezenas de jogadores para uma maratona sem precedentes de encontros de alto nível, sem espaço para respirar.

Os números são arrepiantes: 74 jogadores que estão actualmente a disputar o Campeonato do Mundo participaram, há poucas semanas, no Mundial de Clubes nos Estados Unidos. Muitos deles vêm de três anos consecutivos sem uma pausa digna desse nome, sacrificando férias e recuperação em prol de um calendário insaciável. De acordo com uma análise detalhada aos minutos jogados pelos elementos das dez selecções melhor cotadas no ranking FIFA, há equipas que chegam já de rastos à principal competição de selecções.

O Mundial vive-se com a LEGO
O Mundial vive-se com a LEGO

O MUNDIAL 2026 VIVE-SE COM A LEGO

A França lidera destacada a lista dos plantéis mais massacrados: os comandados de Didier Deschamps somam uns impressionantes 1.341 jogos – um total de 98.895 minutos em campo, mais do que qualquer outra selecção. Maxence Lacroix, central do Crystal Palace, é o jogador francês mais utilizado, com 58 jogos como titular e 5.009 minutos nas pernas, embora nem sequer seja considerado primeira escolha. Já Michael Olise, avançado do Bayern Munique e ex-Palace, soma 65 presenças, maioritariamente como suplente utilizado, totalizando 4.942 minutos. Vale a pena sublinhar que 11 jogadores franceses participaram no Mundial de Clubes, igualando Portugal e só atrás da Alemanha, que enviou 12 representantes para o torneio norte-americano.

Portugal, orientado por Roberto Martínez, surge logo atrás, com 1.299 jogos e 96.405 minutos acumulados. Caso Bruno Fernandes e Diogo Dalot tivessem tido mais encontros nas taças ao serviço do Manchester United – que ficou fora das competições europeias e caiu cedo nas taças inglesas –, os números lusos poderiam até ameaçar a liderança francesa. Vitinha, médio do PSG, foi o mais utilizado, alinhando em 66 partidas, impulsionado pela presença na final do Mundial de Clubes e pela conquista da Liga dos Campeões. Já Cristiano Ronaldo, mesmo prestes a completar 40 anos, continua a ser inamovível: titular nos 44 jogos realizados por Al Nassr e Portugal.

A Inglaterra fecha o pódio das selecções mais desgastadas. O plantel de Thomas Tuchel totaliza 1.304 encontros, embora com menos jogos a titular (1.051) do que Portugal. O capitão Harry Kane, prestes a celebrar 33 anos, preocupa os adeptos e o staff técnico: disputou 63 jogos pelo Bayern Munique, colocando em causa a sua frescura física para o Mundial. Morgan Rogers é, no entanto, o mais utilizado, com 64 jogos e 5.037 minutos repartidos entre Aston Villa e selecção inglesa. Notável é também o facto de a Inglaterra apresentar sete jogadores com mais de 50 jogos a titular, mais do que qualquer outra selecção.

A Alemanha, com o central do Bayern Jonathan Tah a liderar nos minutos jogados (4.923), e o Brasil, onde Léo Pereira (Flamengo) atingiu uns estrondosos 5.559 minutos, também surgem entre os mais sacrificados. No caso brasileiro, Vinicius Junior lidera em presenças, chegando aos 67 jogos na época. Curiosamente, o Brasil só tem três jogadores com mais de 50 jogos a titular, o que pode permitir uma melhor gestão do desgaste em condições climatéricas adversas.

A Argentina, campeã em título, apresenta um cenário mais equilibrado. Apenas quatro jogadores ultrapassaram as 50 titularidades, com destaque para José Manuel López (Palmeiras), que realizou uns incríveis 76 jogos (59 como titular) e 5.174 minutos, praticamente igualando Enzo Fernández (Chelsea), com 5.173 minutos em 65 jogos. Lionel Messi, a lenda viva que completa 39 anos em breve, entra no Mundial com 51 jogos somados, apenas três deles como suplente utilizado.

A importância destes números não se esgota nas estatísticas: a fadiga acumulada pode ser o factor decisivo na luta pelo troféu. Equipas sobrecarregadas arriscam lesões, quebras de rendimento e eliminações precoces. E os próprios jogadores não escondem o desconforto. Após a final do Mundial de Clubes, Vitinha foi direto: “Sinto que o corpo pede descanso, mas não há tempo para parar.” O internacional português sublinhou que “este ritmo não é sustentável para ninguém”. Também Harry Kane, já durante a preparação para o Mundial, admitiu: “Chegamos ao limite físico e mental. Só espero não pagar a factura nos momentos decisivos.”

Com o arranque do Mundial, todas as atenções viram-se agora para a capacidade de gestão física dos treinadores e para a resposta dos jogadores mais utilizados. As selecções com maior profundidade de plantel poderão beneficiar de uma rotação eficaz, enquanto os favoritos carregam o peso de épocas intermináveis nas pernas. O debate sobre o calendário internacional está mais aceso do que nunca: até quando resistirão os melhores do mundo a este autêntico massacre competitivo? O Mundial deste ano pode muito bem ser decidido não pelo talento, mas pela frescura física de quem conseguir sobreviver até ao fim.

AGORA PODE ACOMPANHAR O MUNDIAL DE FUTEBOL COM TODA INFORMAÇÃO – AQUI

Mais Notícias

Outras Notícias