A pressão sobe ao máximo em Londres: Mikel Arteta está a ser testado como nunca, com o fantasma do “quase” a assombrar o Arsenal. Após a derrota dramática por 2-1 frente ao Manchester City no Etihad Stadium, um gigantesco cartaz surgiu nas bancadas com a provocação brutal: “Panic on the streets of London”. Esta mensagem não é apenas um insulto ao orgulho dos Gunners, mas um aviso claro de que a luta pelo título está longe de estar ganha e que o tempo para Arteta provar que não será apenas mais um “quase homem” está a esgotar-se.
Apesar de o Arsenal liderar ainda a Premier League, a vantagem é mínima – apenas um ponto de diferença para o City, com os citizens a terem um jogo em atraso e uma diferença de golos inferior por um único golo (+37 contra +36). A vitória do Manchester City no terreno do já condenado Burnley poderá virar o campeonato do avesso a qualquer momento, tornando esta corrida pelo título uma verdadeira guerra psicológica.
O encontro em Manchester foi eletrizante, com o Arsenal a mostrar uma resistência impressionante e a igualar o campeão em praticamente todos os momentos do jogo. Contudo, a estrela norueguesa Erling Haaland voltou a brilhar, garantindo o golo da vitória que mantém o City na perseguição feroz. Para os Gunners, esta derrota não foi um colapso nervoso como o sucedido recentemente contra o Bournemouth, mas um revés cruel numa altura em que cada ponto conta.
Mikel Arteta e a sua equipa enfrentam agora o desafio de afastar de vez a sombra da etiqueta de “quase”. Este é o momento em que a liderança e a capacidade de superação são cruciais, pois a possibilidade de terminar a Premier League em segundo lugar pela quarta época consecutiva começa a parecer dolorosamente real. A pressão para conquistar um troféu este ano nunca foi tão grande, tanto a nível doméstico como europeu, especialmente depois de alcançarem pela segunda vez consecutiva as meias-finais da Liga dos Campeões.
A ausência de títulos desde 2020 começa a pesar, e a esperança de glória está agora dependente de um esforço final que convença tanto os adeptos como os críticos. Arteta não pode permitir que esta oportunidade escape, sob pena de enfrentar perguntas incómodas sobre o seu futuro e a capacidade do Arsenal em quebrar o jejum.
Danny Murphy, antigo médio do Liverpool e Inglaterra, deu uma visão ponderada sobre a situação: “Eu percebo que o sucesso é medido por troféus, mas se Arteta perder a Premier League por diferença de golos e ficar pelo caminho na final da Champions, é importante ter perspetiva. Ele está muito perto. A equipa está melhor do que nunca. Falar em despedimento se não ganhar nada é loucura.”
Arteta, por sua vez, rejeitou a ideia de ter de levantar o moral dos jogadores após esta derrota, afirmando com ironia que se tivesse de o fazer, “deveria estar em casa”. O treinador mostrou-se claramente desapontado com o resultado, especialmente tendo em conta a qualidade exibida pela sua equipa: “Estou muito triste pelo resultado, porque a forma como jogámos merecia mais. A liga mudou, mas ainda temos três pontos de vantagem e cinco jogos para disputar. Tudo está em aberto.”
Este é o momento decisivo para Mikel Arteta e o Arsenal. Ou provam que são campeões de verdade, ou ficarão para sempre marcados como os “quase” – uma geração de talento e potencial que falhou na hora da verdade. A Premier League e a Liga dos Campeões ainda são para ganhar, mas o relógio não para, e a pressão aumenta a cada jogo. O futuro do Arsenal e do seu treinador passa por aqui. A hora da verdade é agora.
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