Cristiano Ronaldo e Johan Cruyff entre os melhores sem mundial

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Cristiano Ronaldo despede-se do sonho mundialista sem nunca levantar o troféu mais cobiçado do futebol. Depois da eliminação de Portugal frente à Espanha nos oitavos de final, o capitão luso confirmou que este foi o seu último jogo na competição, fechando assim um ciclo de seis participações sem alcançar a tão desejada glória.

Com 41 anos, Ronaldo acumulou praticamente todos os títulos individuais e colectivos possíveis — desde a Premier League à Liga dos Campeões, passando pelo Campeonato da Europa e múltiplas Bolas de Ouro. Contudo, o Campeonato do Mundo permanece fora do seu palmarés, um vazio que nem o estatuto de lenda pode preencher. O jogador português junta-se assim a um restrito grupo de ícones do futebol mundial que, apesar de carreiras brilhantes, nunca conseguiram conquistar o Mundial.

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Johan Cruyff, um dos nomes mais influentes da história do futebol, também ficou aquém do título. O holandês que deu nome a estádios e inspirou gerações chegou à final do Mundial de 1974 com os Países Baixos, tendo perdido para a Alemanha Ocidental por 2-1, apesar de terem marcado primeiro. Quatro anos depois, a selecção voltaria à final, já sem Cruyff, que se retirara do futebol internacional após a sua família ser alvo de uma tentativa de rapto em Barcelona. Depois de pendurar as chuteiras, Cruyff brilhou como treinador, levando o Barcelona à sua primeira Liga dos Campeões, mas nunca chegou a orientar a selecção holandesa antes de falecer em 2016.

Outro exemplo paradigmático é Alfredo Di Stefano. Apesar de ter representado três selecções diferentes ao longo da carreira, nunca chegou a disputar um Mundial. O astro do Real Madrid, vencedor de cinco Taças dos Campeões Europeus, foi impedido pela FIFA de jogar pela Argentina devido a jogos não autorizados pela Colômbia, numa altura em que o país estava suspenso internacionalmente. Mais tarde, já com cidadania espanhola, Di Stefano ajudou Espanha a qualificar-se para o Mundial de 1962, mas uma lesão acabou por o afastar da competição.

Paolo Maldini, considerado por muitos como o defesa perfeito, também não teve sorte ao serviço da selecção italiana. O eterno capitão do AC Milan participou em quatro Mundiais, tendo chegado à final em 1994, onde a Itália foi derrotada nos penáltis pelo Brasil, após um empate sem golos. Em 2002, despediu-se das competições internacionais após a eliminação nos oitavos de final.

Ferenc Puskas, uma das maiores lendas do futebol húngaro, esteve perto de conquistar o troféu em 1954. Com a Hungria tida como a melhor selecção da altura, os “Magiares Mágicos” perderam a final para a Alemanha Ocidental, num jogo electrizante que terminou 3-2. Após a derrota e a revolução húngara, muitos jogadores, incluindo Puskas, exilaram-se. O avançado continuou a carreira em Espanha, onde ainda jogou quatro vezes pela selecção espanhola, três delas no Mundial de 1962.

A despedida de Ronaldo do palco mundialista marca o fim de uma era para Portugal. Apesar dos feitos inigualáveis, o Mundial continuará a ser uma conquista inalcançável para este conjunto de génios do futebol, cuja grandeza não se mede apenas por troféus, mas também pelo legado que deixaram em campo.

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