Cristiano Ronaldo em dúvida: Pode capitão dos 41 anos liderar Portugal ao título?

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Cristiano Ronaldo volta a ser o centro das atenções e da polémica na véspera do Mundial 2026, com Portugal dividido entre a esperança de um último acto de glória do capitão e o receio de que a sua presença possa travar as ambições da equipa. Depois de desperdiçar oportunidades flagrantes no último jogo de preparação frente à Nigéria – uma selecção que nem sequer estará presente no torneio – a dúvida instala-se: estará Ronaldo, aos 41 anos e a jogar na liga saudita, à altura das exigências de uma selecção que sonha conquistar o mundo?

O seleccionador Roberto Martínez parece inclinado a manter Ronaldo como titular para a estreia frente à República Democrática do Congo, em Houston, esta quarta-feira. Ninguém questiona a dimensão histórica do avançado: 143 golos pela selecção principal, 22 deles em grandes torneios, e uma aura de líder incontornável no balneário. No entanto, multiplicam-se os sinais de que o rendimento em campo já não acompanha o peso do nome. A ausência de golos no Euro 2024, onde Portugal caiu nos quartos-de-final diante da França, e a prestação pouco inspirada no Mundial 2022 – apenas um golo, de grande penalidade, e uma saída prematura do onze titular – alimentam a discussão sobre a sua utilidade na equipa.

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O que está verdadeiramente em jogo é mais do que a carreira de uma lenda: trata-se do próprio futuro competitivo de Portugal. A manutenção de Ronaldo no eixo do ataque implica relegar Gonçalo Ramos, autor de um hat-trick histórico no Mundial 2022 frente à Suíça, para o banco. Ramos, com apenas 25 internacionalizações e dez golos – média impressionante para quem teve poucas oportunidades como titular –, tem razões para se sentir frustrado. A sua eficácia e capacidade de pressionar alto encaixam melhor nas dinâmicas de futebol moderno, ao contrário de Ronaldo, que actua numa liga de menor intensidade e não está habituado aos ritmos frenéticos das grandes ligas europeias. Uma escolha conservadora pode custar caro a Portugal numa competição onde o detalhe faz toda a diferença.

Ainda assim, os defensores do veterano sublinham o seu impacto em momentos decisivos. No ano passado, Ronaldo foi decisivo na Liga das Nações, apontando três golos nos jogos a eliminar e mostrando frieza em grandes ocasiões, como na final frente à Espanha decidida nos penáltis. Além disso, a sua presença nas bolas paradas continua a ser uma arma temível – numa era em que os lances de bola parada definem campeonatos, tê-lo em campo pode ser vital. “Estou fisicamente bem? Sim. Não têm visto os jogos?”, respondeu Ronaldo, visivelmente irritado, quando questionado sobre a sua condição física antes da partida para o Mundial, demonstrando que continua a confiar nas suas capacidades.

No entanto, a pressão sobre o seleccionador é cada vez maior. Ramos, apesar de ter marcado menos seis golos do que Ronaldo, fê-lo com menos minutos em campo e uma taxa de aproveitamento notável. Só em 2024, apontou quatro golos em quatro jogos a titular, mostrando que merece maior protagonismo. O contexto de clube também pesa: enquanto Ronaldo se destaca num Al-Nassr dominante na Arábia Saudita, um campeonato longe do topo europeu, Ramos enfrenta defesas de elite semanalmente, o que o torna mais preparado para os desafios de um Mundial.

O debate está ao rubro e promete marcar a campanha portuguesa nos Estados Unidos, Canadá e México. O que está em causa não é apenas a despedida de uma das maiores figuras do futebol mundial, mas o pragmatismo de uma selecção que não pode desperdiçar o talento de uma geração de luxo. Se Ronaldo inspirar a equipa com golos e liderança, silenciará os críticos de uma vez por todas. Se, pelo contrário, a sua titularidade se traduzir em ineficácia ofensiva, o risco de Portugal sair cedo de cena será real.

A próxima jornada será determinante. Caso Portugal vença e Ronaldo marque, a confiança poderá regressar e o capitão reafirmar-se como decisivo. Mas se os problemas de finalização persistirem, a pressão para dar lugar a Ramos tornar-se-á insustentável. Roberto Martínez terá de mostrar coragem e visão estratégica: apostar na história ou no presente? A resposta pode decidir o destino português no maior palco do futebol mundial.

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