Erling Haaland lidera estrelas do mundial que podiam ter jogado por Inglaterra

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Erling Haaland vai finalmente marcar presença num Campeonato do Mundo, e podia perfeitamente ter vestido a camisola de Inglaterra — mas optou por escrever a sua própria história ao serviço da Noruega, onde tem pulverizado recordes de golos e se prepara para ser uma das figuras mais temidas do torneio. Mas Haaland não é o único talento de classe mundial que os ingleses deixaram escapar: há uma lista de craques que, por linhas tortas do destino e escolhas pessoais, podiam estar a reforçar o plantel de Gareth Southgate, mas vão mesmo brilhar por outras selecções. O Mundial de 2026 não deixa margem para dúvidas: Inglaterra, apesar do seu plantel de luxo, vai ver antigos “elegíveis” espalhados por várias nações rivais.

Entre estes nomes de peso está Michael Olise, uma das grandes revelações do futebol europeu e já candidato à Bola de Ouro. Olise, nascido em Londres, podia perfeitamente alinhar pelos Três Leões, mas, perante várias opções — França, Argélia e Nigéria —, não hesitou em seguir o sonho de infância e representar a selecção francesa. Recentemente, aqueceu motores para o Mundial com um hat-trick pela França frente à Irlanda do Norte, depois de ter sido eleito o Jogador do Ano da Bundesliga e de conduzir o Bayern Munique à dobradinha na Alemanha. “Sempre tive uma ligação à selecção francesa, por isso é que jogo por França. É o meu sonho desde miúdo”, afirmou Olise, em declarações após a vitória expressiva, mostrando que a escolha foi emocional e inquestionável.

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Jamal Musiala é outro caso flagrante de talento que podia estar agora a fazer as delícias dos adeptos ingleses. O médio ofensivo, companheiro de Olise no Bayern, chegou mesmo a alinhar pelas camadas jovens de Inglaterra, jogando lado a lado com Jude Bellingham. Contudo, optou por vestir as cores da Alemanha no escalão sénior e transformou-se numa peça fundamental da Mannschaft, tendo sido o melhor marcador do Europeu 2024. Musiala, que também era elegível pela Nigéria, preferiu honrar o país de nascimento e a herança materna, tornando-se um dos mais promissores número dez do futebol mundial.

Scott McTominay, por sua vez, nasceu em Inglaterra mas, graças ao pai escocês, decidiu representar a Escócia. Tornou-se rapidamente o rosto da renovação da Tartan Army, protagonizando golos decisivos como a bicicleta frente à Dinamarca, fundamental para o apuramento escocês para o Mundial. A carreira de McTominay ganhou novo fôlego após a transferência do Manchester United para o Nápoles, onde foi eleito Futebolista do Ano da Serie A e ajudou o clube italiano a conquistar o campeonato em 2024/25. O médio é agora visto como um símbolo do ressurgimento escocês no panorama internacional.

Antoine Semenyo completa esta lista de estrelas “fugidas” a Inglaterra. O extremo, natural de Londres, podia reforçar a selecção dos Três Leões, mas preferiu seguir o coração e vestir as cores do Gana. Depois de uma época explosiva no Manchester City, impulsionada por uma transferência de 62,5 milhões de libras, Semenyo marcou 21 golos em 48 jogos e foi decisivo na final da Taça de Inglaterra frente ao Chelsea. Desde a estreia pelo Gana em 2022, já soma 34 internacionalizações e consolidou-se como um dos melhores extremos da Premier League.

O impacto destas escolhas sente-se não só no balneário inglês, que vê escapar-se talentos que podiam ser fundamentais na luta pelo título mundial, como também nas selecções rivais, que ganham argumentos de peso graças à diáspora anglófona. Para Inglaterra, a questão da elegibilidade e da sedução dos jovens talentos volta a ser tema de debate, sobretudo numa altura em que a concorrência internacional nunca foi tão feroz. A Federação Inglesa terá de repensar as suas estratégias de captação e de fidelização, sob pena de continuar a perder jogadores de topo para adversários directos.

À entrada para o Mundial de 2026, todas as atenções vão estar voltadas para estes nomes — Haaland, Olise, Musiala, McTominay e Semenyo — que, por razões distintas, decidiram trilhar caminhos alternativos. Não só vão enriquecer o espectáculo global do futebol, como prometem ser pedras no sapato para as aspirações inglesas. O futuro dirá se Inglaterra conseguirá finalmente travar esta sangria ou se continuará a ver grandes estrelas a brilhar… mas com outras cores.

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