A Escócia está à beira de fazer história no Mundial de 2026, podendo garantir pela primeira vez o apuramento para a fase a eliminar, caso consiga surpreender Marrocos. Depois de décadas de frustrações e desilusões em grandes palcos internacionais, o sonho escocês de ultrapassar a barreira da fase de grupos nunca esteve tão próximo — e só um gigante do futebol africano se interpõe no caminho.
Sob o comando de Steve Clarke, a seleção escocesa quebrou um jejum de vitórias no Mundial com um triunfo por 1-0 diante do Haiti, na estreia do Grupo C. Este resultado permitiu-lhes sonhar, ainda mais sabendo que os oito melhores terceiros classificados também avançam para os oitavos-de-final. No entanto, para evitar contas de última hora ou depender de terceiros, a Escócia quer resolver já o apuramento — e vingar a pesada derrota de 1998, quando caiu por 3-0 frente aos marroquinos, naquele que foi o último jogo da Escócia num Mundial antes deste regresso tão aguardado.

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Do outro lado estará uma selecção de Marrocos embalada pelo estatuto de autêntica sensação do último Mundial, onde chegou às meias-finais, e que, nesta edição, entrou a todo o gás com uma exibição vibrante frente ao colosso Brasil. Apesar de não ter ido além do empate, depois de Ismael Saibari ter inaugurado o marcador antes de Vinícius Júnior igualar, o desempenho dos “Leões do Atlas” confirmou que são sérios candidatos a repetir — ou até superar — a histórica campanha de 2022. A equipa liderada por Walid Regragui chega a este encontro sem baixas e com a confiança de quem acaba de conquistar, ainda que envoltos em polémica, a Taça das Nações Africanas.
A importância deste duelo é enorme, não só para as aspirações escocesas, mas também para o prestígio do futebol europeu, que vê na Escócia um dos seus eternos “outsiders”. Se vencerem, os escoceses quebram um ciclo de 12 participações em grandes competições sem nunca terem superado a primeira fase: uma autêntica obsessão nacional. Clarke pode ainda tornar-se o selecionador com mais presenças em grandes torneios pela Escócia, ultrapassando todos os seus antecessores.
Na antevisão do encontro, Steve Clarke não escondeu a dificuldade do desafio: “Sempre que se defronta uma equipa do top-10 mundial, sabe-se que é preciso ser muito bom com e sem bola”, afirmou o treinador, alertando para o valor do adversário. “Não temos ilusões sobre a dimensão da tarefa que nos espera. Marrocos chegou às meias-finais no último Mundial e, honestamente, considero que esta equipa é ainda melhor do que a de 2022 – isso diz tudo sobre o que teremos pela frente”, reforçou Clarke, demonstrando respeito mas também ambição.
Andy Robertson, capitão e figura do Liverpool, foi peremptório quando questionado sobre a oportunidade histórica de chegar aos oitavos. “Nenhum de nós, jogadores ou equipa técnica, foge do desejo de sermos os primeiros a conseguir isso pelo nosso país”, garantiu Robertson, apontando ao feito inédito. “Sabemos que vai ser extremamente difícil, contra uma das melhores selecções do mundo, mas acreditamos que podemos complicar a vida a qualquer adversário. Se dermos o nosso melhor, acredito que podemos alcançar o que queremos e, quem sabe, fazer história”, afirmou o lateral.
Em termos de opções, a Escócia apresenta apenas uma dúvida: Scott McKenna, defesa central, está em dúvida devido a problemas musculares na perna. Marrocos, por sua vez, chega com o plantel na máxima força. Os onzes prováveis para este encontro decisivo apontam para a Escócia com Gunn na baliza; Hickey, Hendry, Hanley e Robertson na defesa; Gannon-Doak, Ferguson, McTominay e McGinn no meio-campo; Adams e Shankland no ataque. Marrocos deverá alinhar com Bono; Hakimi, Diop, Riad e Mazraoui atrás; El Aynaoui e Bouaddi como duplo pivô; Diaz, Ounahi e El Khannouss nas costas de Saibari.
Estatisticamente, o histórico não beneficia a Escócia: além da derrota pesada em 1998, Marrocos perdeu apenas um dos últimos seis jogos de grupos contra equipas europeias em Mundiais. A Escócia, por seu lado, vive um dos melhores momentos recentes, com oito vitórias nos últimos onze jogos oficiais e um John McGinn em grande forma, igualando Denis Law no registo de mais golos sob o comando de um só selecionador.
O apito inicial está marcado para as 23h00 de sexta-feira (hora de Lisboa), com transmissão em direto na ITV1 para o Reino Unido e streaming disponível nas plataformas digitais ITV, acessíveis em múltiplos dispositivos. Um palco global onde a Escócia quer, finalmente, deixar de ser promessa adiada e afirmar-se como realidade.
Se os escoceses alcançarem a vitória ou até um empate robusto, o futebol mundial poderá assistir ao nascimento de uma nova geração dourada da Tartan Army, capaz de reescrever o seu destino. Caso contrário, Marrocos continuará a afirmar-se como o pesadelo das selecções europeias, com argumentos para ir longe e, quem sabe, repetir ou superar a fantástica campanha de 2022. O duelo promete emoções fortes, contas de calculadora e, acima de tudo, futebol de altíssima intensidade.
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