Dois lances polémicos na grande área e decisões arbitrais duvidosas marcaram a derrota da Escócia diante de Marrocos, por 1-0, deixando adeptos e equipa técnica escoceses indignados com a actuação do árbitro. O jogo, disputado esta terça-feira, ficou ensombrado por apelos insistentes a grandes penalidades alegadamente ignoradas e pela possível expulsão perdoada ao defesa marroquino Issa Diop, levantando sérias questões sobre a justiça do resultado e a influência do VAR numa competição de alto nível.
A selecção escocesa viu-se em desvantagem logo nos instantes iniciais, sofrendo o único golo da partida aos 70 segundos, num lance que desestabilizou por completo a estratégia montada por Steve Clarke. No entanto, foi a arbitragem que acabou por roubar o protagonismo ao futebol: John McGinn e Scott McTominay estiveram ambos envolvidos em incidentes na área marroquina que motivaram protestos veementes, mas o árbitro manteve-se irredutível, recusando assinalar qualquer penálti. Para agravar a frustração escocesa, Issa Diop viu apenas o cartão amarelo depois de travar Ché Adams quando este se preparava para ficar isolado frente ao guarda-redes, num lance que muitos consideraram digno de expulsão.

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A importância deste encontro era colossal para as aspirações da Escócia na fase de grupos do Mundial 2026, e as decisões arbitrais contestadas poderão vir a ser determinantes para o seu futuro na prova. Com o grupo em aberto e uma derradeira “final” frente ao Brasil, em Miami, a equipa de Steve Clarke sabe que não pode voltar a depender da sorte – ou da complacência dos árbitros – se quiser aspirar ao apuramento histórico para a fase seguinte. O sentimento de injustiça, partilhado por adeptos e jogadores, já está a galvanizar o plantel escocês, que promete entrar com tudo no próximo desafio.
Steve Clarke não escondeu o seu desagrado com as decisões polémicas e, apesar de evitar críticas directas ao árbitro, foi claro no seu descontentamento. “Toda a gente quando dei entrevistas à televisão falou do lance do Scott McTominay. Esse nem cheguei a rever. Achei o do John McGinn 50/50. Alguns dariam, e penso que se o árbitro tivesse dado, o VAR não anulava. Só posso falar sobre esse”, afirmou Clarke, demonstrando incredulidade perante a passividade do árbitro. Sobre o lance de Diop com Ché Adams, o seleccionador escocês acrescentou: “Também fiquei dividido nesse lance do Ché Adams, era o último homem. Ele tinha hipótese de ficar isolado com o guarda-redes e foi derrubado. O árbitro optou pelo amarelo. Não podemos fazer nada quanto a isso.”
John McGinn, protagonista de um dos lances mais discutidos, não escondeu a frustração: “Por vezes essas decisões caem para o nosso lado. Se nos tivessem dado um ou dois penáltis, não acredito que o VAR anulasse. Do canto do olho vi o defesa de Marrocos a carregar em mim. Cheguei primeiro à bola e ele tirou-me do lance. Para mim, é penálti. Às vezes marcam, outras vezes não. Se tivesse sido assinalado em campo, não era revertido. Marrocos escapou naquele lance. Mas temos de ser melhores e criar oportunidades em jogo corrido, não depender das decisões do árbitro.” As palavras de McGinn reflectem o sentimento de desilusão e a consciência de que a equipa precisa de encontrar soluções dentro das quatro linhas.
Olhando para o futuro, a Escócia tem agora o Brasil pela frente, num duelo decisivo em Miami. Em caso de vitória, poderá alcançar um feito inédito e avançar pela primeira vez na história para a próxima fase de um Mundial. “Estou orgulhoso dos jogadores, mas obviamente estamos todos devastados”, confessou Clarke, sublinhando o impacto emocional da derrota. “Os jogadores vão sofrer nos próximos dois dias. Não gostam de perder contra ninguém. Ao longo de toda a equipa, Marrocos mostrou alguma classe, mas demos luta. Marrocos sabe que esteve num jogo a sério esta noite. Mostrámos que conseguimos competir a este nível.”
O seleccionador escocês fez ainda questão de tranquilizar os adeptos quanto à condição física de Kieran Tierney, que foi substituído na segunda parte devido a cãibras e não por lesão grave. Lewis Ferguson voltou a merecer elogios, sendo destacado por Clarke pelo segundo jogo consecutivo, sinal de que há talento e esperança para o confronto decisivo que se avizinha.
Com a polémica ainda a ferver e o orgulho ferido, a Escócia prepara-se para o embate com o Brasil com a determinação de quem sente que tem uma dívida com a própria história. Resta saber se a equipa conseguirá transformar a indignação numa exibição capaz de garantir a tão desejada qualificação.
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