Jan Stephenson: A lenda do golfe que salvou a LPGA com charme e talento brutal
Nos anos 70, quando o LPGA Tour lutava por sobrevivência e visibilidade, surgiu uma mulher que mudou para sempre o destino do golfe feminino. Jan Stephenson, uma estrela australiana com um talento inigualável e uma imagem que incendiava multidões, tornou-se a maior “influenciadora” do seu tempo — muito antes das redes sociais dominarem o mundo. Hoje, aos 74 anos, Stephenson continua a ser uma referência incontornável, não só pelo seu impressionante palmarés, mas pela sua coragem em usar a sua imagem para salvar o desporto que amava.
Com 16 vitórias no LPGA Tour, incluindo três majors, entre eles o US Women’s Open de 1983, Stephenson não era apenas uma jogadora excepcional — era também um ícone que a própria LPGA reconhecia como vital para a sua sobrevivência. “Se tivesse tido Instagram, Facebook e tudo o resto, teria sido uma estrela ainda maior e teria ganho muito mais dinheiro”, confessou a lenda do golfe.
Mas nem tudo foi fácil. Naquela época, o LPGA enfrentava enormes dificuldades financeiras e a atenção do público era escassa. Nancy Lopez dominava as competições com vitórias consecutivas, mas Stephenson tinha outro trunfo: o seu apelo visual. “Fiz tudo para ajudar o Tour porque estava a lutar para sobreviver,” revelou, destacando que teve o aval do então comissário Ray Volpe para usar a sua imagem como arma promocional.
O esforço foi imenso e exigiu sacrifícios. “Se não tivesse feito isso, provavelmente teria ganho mais torneios,” admite Stephenson, que ganhava mais dinheiro em exibições e compromissos promocionais do que propriamente nos prémios dos torneios. “Naquela época, não se ganhava muito dinheiro a jogar. Hoje, quem fica em segundo lugar faz fortunas.”
O seu trabalho incluía terminar um torneio ao domingo e voar para Nova Iorque na mesma noite para reuniões, jantares e encontros com patrocinadores que garantiam contratos vitais para o futuro do LPGA. “O comissário organizava tudo para mim — jantares, reuniões, golfe com potenciais patrocinadores. Assinámos contratos de cinco a dez anos. A LPGA estava mesmo em dificuldades financeiras.”
Stephenson recorda que inicialmente recusou o papel de “símbolo sexual” da LPGA, querendo apenas jogar golfe, mas as palavras dos dirigentes foram decisivas: “Disseram-me que podia não haver golfe se eu não ajudasse. Foi aí que percebi a importância do meu papel.”
A estratégia funcionou. Enquanto Nancy Lopez atraía as fãs e a competição, Jan captava a atenção dos homens, criando um equilíbrio que manteve as multidões nos campos de golfe durante todo o dia. “Brincávamos que os homens vinham ver-me a mim e as mulheres vinham para ver a Nancy,” diverte-se.
Além do impacto em campo, Stephenson também recorda momentos icónicos, como a sua parceria com Fred Couples na JC Penny Mixed Team Classic de 1983, quando as mulheres competidoras não paravam de perguntar se ele era tão atraente pessoalmente quanto na televisão.
Hoje, com a ascensão de estrelas como Paige Spiranac, a dinâmica mudou, mas Jan Stephenson não guarda ressentimentos. “Há jogadoras que não ganharam nenhum torneio, mas fizeram carreira graças à sua imagem. Estou feliz por elas. Tudo o que traz atenção ao golfe é bom — é assim que deve ser.”
Recentemente, Stephenson voltou a brilhar fora dos campos ao participar num torneio solidário no LPGA International, que angariou quase 100 mil dólares para a Air Warrior Courage Foundation, uma causa próxima do seu coração. Com a sua fundação, a Jan Stephenson Crossroads Foundation, sediada em Tampa, ela continua a usar o golfe como ferramenta de apoio a veteranos militares.
Jan Stephenson não é apenas uma lenda do golfe; é uma prova viva de que talento, coragem e visão podem transformar um desporto em crise numa potência global. E, enquanto muitos olham para as redes sociais como a nova fronteira, ela permanece como o exemplo original de como uma mulher pode ser, simultaneamente, campeã dentro e fora do campo.
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