Anastasia Potapova faz história e vence Karolina Pliskova em madrid

Partilhar

Anastasia Potapova protagoniza uma reviravolta épica no Open de Madrid: de “lucky loser” a semifinalista ao eliminar ex-número 1 mundial Karolina Pliskova, numa batalha de nervos e emoções à flor da pele.

Sem sequer ter garantido a qualificação para o torneio, Potapova entrou no quadro principal do WTA 1000 de Madrid como “lucky loser” e está agora na rota das meias-finais, depois de uma vitória dramática contra a poderosa Pliskova. A tenista russa viveu uma montanha-russa emocional durante o encontro, que só conseguiu resolver na terceira partida, depois de desperdiçar três match points no segundo set.

“Não é tempo para celebrar ainda — ainda há mais ténis pela frente. Mas foi uma luta inacreditável hoje,” confessou Potapova numa entrevista exclusiva à Tennis Channel, visivelmente emocionada. Sobre o seu desempenho no primeiro set, a jovem atleta não teve dúvidas: “A verdade é que, olhando para trás, foi um dos melhores sets que já joguei na minha carreira. Física, mental e taticamente, tudo funcionou na perfeição.”

No entanto, o jogo virou no segundo set, quando Pliskova elevou o nível, especialmente no serviço, e Potapova revelou um lado mais humano e vulnerável. “Estava a ganhar 5-3, mas de repente o meu serviço desapareceu… parecia que eu queria drama, não queria que fosse fácil,” afirmou, com um sorriso irónico. “Passei por uma montanha-russa de emoções — desde chorar até a mandar-me calar e focar no trabalho. Estou muito feliz por, no fim, ter conseguido controlar tudo e estar nas meias-finais.”

A pressão foi tanta que o ténis deixou de ser o principal fator no terceiro set. “Acho que o que me manteve foi perceber que ela também estava a sentir a tensão. Talvez tenha percebido que eu estava a lutar emocionalmente, e isso a deixou nervosa também. O break que consegui foi como um sopro de ar, deu-me força para avançar. A partir daí, soube que não podia desistir.”

Potapova revelou ainda que um momento decisivo foi o apoio e a dureza do seu namorado, o também tenista Tallon Griekspoor, que lhe deu um “puxão de orelhas” nos momentos mais críticos. “Ele entrou na altura mais importante e disse-me umas coisas não muito agradáveis, mas muito diretas. Sei que foram ditas com amor. Foi ele quem me trouxe de volta à realidade. Dou-lhe muito crédito por isso.”

Esta temporada de terra batida tem sido uma verdadeira revolução na carreira da jovem russa, que não só alcançou a final do Upper Austria Ladies Linz como também está a fazer história no nível WTA 1000. Uma mudança estratégica na sua preparação foi fundamental para este sucesso: “Pela primeira vez, decidi não jogar o Miami Open. Foi um risco, mas senti que precisava de mais tempo para treinar e melhorar em alguns aspetos. Voltei para casa e tive um bloco de treino intenso em terra batida. Estou feliz que tenha funcionado e está a ajudar muito.”

A sorte também sorriu a Potapova, que não se considera uma jogadora afortunada, mas aproveitou ao máximo a segunda chance que lhe foi dada no torneio. “Depois de perder, não sabia se ia entrar no quadro principal. Aproveitei alguns dias para descansar, estar com a família e aproveitar o bom tempo em Madrid. Quando recebi a chamada a dizer que tinha 30 minutos antes do meu próximo jogo, sabia que tinha uma oportunidade única. E quando tenho uma segunda chance, uso-a a fundo.”

O desgaste mental foi enorme, mas a tenista mantém-se focada e determinada. “Estou exausta, mentalmente foi muito difícil hoje. Mas é isso que me mantém motivada — não quero parar. Estou a gostar de estar aqui. É lindo, e esta segunda oportunidade torna tudo ainda mais especial. Quero apenas desfrutar e divertir-me.”

Potapova destaca ainda a sua disciplina e planeamento, características que a ajudam a manter a cabeça fria mesmo nas situações mais tensas. “Sou muito rigorosa. Se me perguntares como será a minha vida daqui a 10 anos, consigo dizer-te dia a dia. Gosto de tudo organizado e planeado, e adoro isso.”

Agora, com o sonho das meias-finais já alcançado, Anastasia Potapova vai continuar a lutar por um título improvável no WTA 1000 de Madrid, numa campanha que promete ficar na história do ténis feminino. Será que esta “lucky loser” conseguirá transformar a sorte numa glória definitiva no saibro espanhol? O mundo do ténis está atento.

Este artigo aparece primeiro em Apito Final.

Mais Notícias

Outras Notícias