Coco Gauff chega a Madrid com uma atitude implacável que espelha a mentalidade de Rafael Nadal, pronta para enfrentar a pressão e os desafios do circuito de terra batida. A jovem estrela americana, atualmente número 4 do mundo, encara a temporada com uma frieza surpreendente, rejeitando qualquer ideia de peso extra sobre os ombros, mesmo estando numa das fases mais cruciais do seu ano tenístico.
Ao defender pontos essenciais nesta fase — incluindo a final do Madrid Open de 2025, a campanha em Roma e o título em Roland Garros — Gauff mostra uma abordagem de “página em branco”, encarando 2026 como “um novo ano onde tudo pode acontecer”. Apesar de defender 650 pontos só em Madrid, onde caiu na final para Aryna Sabalenka, a tenista não se deixa intimidar, mesmo com a pressão de ter sido ultrapassada no ranking por Iga Swiatek. A ex-número 1 polaca volta a estar entre as top 3, deixando Gauff numa posição onde o erro não é uma opção.
Em 2025, Gauff brilhou em Madrid ao derrotar adversárias poderosas como Mirra Andreeva e a própria Swiatek, antes de ceder à Sabalenka na final. Contudo, a preparação para o torneio deste ano não tem sido tão dominante. Com um registo de 17 vitórias e 7 derrotas em 2026, e sem títulos até agora, a norte-americana saiu nos quartos-de-final em Stuttgart, eliminada por Karolina Muchova — que quebrou uma série negativa de seis derrotas consecutivas frente a Gauff. Este resultado expôs as adaptações ainda em curso da jovem atleta durante a transição para a temporada europeia em terra batida.
Gauff foi clara e direta ao abordar as expectativas: “Não penso no ano passado porque não senti que estava a jogar bem, senti que jogava ténis de qualidade mas sinto-me melhor em campo este ano.” Em entrevista exclusiva a Tennis Legends em Madrid, a tenista de 21 anos reforçou que está focada em melhorar o seu nível de jogo e que os resultados surgirão na altura certa. “Cada torneio tem sido melhor que o anterior, comparado com o ano passado. Isso é progresso,” afirmou, deixando claro que a busca por títulos ainda é um objetivo a médio prazo, não imediato.
No que toca à sua relação com a terra batida, Gauff revelou um contraste curioso: apesar dos resultados impressionantes — dois títulos em terra e marcos importantes como a primeira final de Grand Slam e a vitória em Roland Garros — sente-se desconfortável com a superfície. “É como estar com alguém que te trata bem mas não é totalmente o que queres,” explicou, com humor, referindo-se ao incómodo de sujar os pés e tirar os sapatos antes de entrar no quarto. Esta dualidade entre sucesso e desconforto define a sua relação complexa com a terra batida.
Para o Madrid Open, Gauff está posicionada como terceira cabeça-de-série e vai iniciar a sua caminhada frente à vencedora do duelo entre Léolia Jeanjean e Oksana Selekhmeteva. Um possível encontro na terceira ronda com Sorana Cirstea, sua adversária recente em Miami, pode servir como um teste táctico crucial. Além disso, a preparação incluiu sessões de treino ao lado de Elena Rybakina, outra favorita do torneio, evidenciando o nível feroz de competição que a espera.
Sem esconder o desejo de conquistar um título — “Gostaria muito de ter ganho em Miami, mas estou aqui em Madrid,” disse — Gauff termina com uma referência direta à filosofia de Nadal: “Como Rafa disse, não vamos falar de mais nada.” A mensagem é clara: a norte-americana está focada, determinada e pronta para lutar por cada ponto numa das etapas mais exigentes do circuito, numa temporada que promete ser uma verdadeira batalha até à consagração.
Coco Gauff chega a Madrid com a mentalidade de um campeão que sabe que a pressão é um combustível, não um fardo. Será este o momento em que a jovem americana vai finalmente conquistar um título de relevo em terra batida em 2026? O mundo do ténis está atento.
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