Coco Gauff conquista dramática vitória em Wimbledon mesmo sob pressão do relógio

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Coco Gauff garantiu um lugar inédito nos quartos-de-final de Wimbledon ao vencer Belinda Bencic, numa corrida electrizante contra o relógio, apenas dois minutos antes da suspensão obrigatória do jogo devido ao célebre toque de recolher das 23 horas. Conhecida por vacilar no serviço nos momentos decisivos, a norte-americana optou por uma abordagem agressiva e arrojada no final do encontro, consciente de que teria de terminar ali mesmo para evitar um regresso desgastante no dia seguinte.

O embate entre Gauff e Bencic iniciou-se já tarde no Court 1, com o relógio sempre a pressionar ambas as jogadoras. O set decisivo começou às 22h05 e, com a ameaça do fim da jornada a pairar, Gauff abriu com uma quebra de serviço, apenas para ver Bencic igualar a 2-2. Sob enorme pressão, a norte-americana trocou o habitual estilo defensivo por uma postura ofensiva, apostando em pancadas fortes e subidas à rede, o que lhe permitiu conquistar novo break e servir para fechar o encontro em 5-4, escassos minutos antes do deadline.

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No décimo jogo, Gauff disparou vários winners e selou o triunfo num ponto de serviço-volley, algo pouco comum no seu repertório mas que se revelou fatal para a adversária suíça. O apito final soou precisamente às 22h58, garantindo o acesso histórico aos quartos-de-final no All England Club.

No final, Gauff não escondeu o alívio e a felicidade pelo feito, partilhando em entrevista em court: “Estive a olhar para o relógio durante o último jogo de serviço. Pensei ‘tenho de bater serviços potentes e pancadas fortes’”, confessou. “Sinceramente, naquele match point, apostei num serviço-volley porque queria mesmo fechar o ponto. Foi provavelmente o final mais dramático que já vivi. Nunca tinha tido de correr contra o tempo. No ténis não estamos habituados a ter relógio, mas hoje senti mesmo essa pressão. Ainda bem que não escolhi o basquetebol”, rematou, entre sorrisos.

Mais tarde, na conferência de imprensa, a jovem de 22 anos admitiu não saber que, uma vez iniciado o último jogo antes das 23h, este poderia ser concluído mesmo ultrapassando o limite horário: “Começámos o terceiro set às 22h05, o que devia ser suficiente, mas tivemos alguns jogos longos”, explicou Gauff. “Não queria nada ter de voltar amanhã. Não fazia ideia de que, ao começar o último jogo, o podíamos terminar, durasse o que durasse”.

A celebração de Gauff, a apontar para o pulso em alusão ao tempo, foi emblemática do momento. Para além do simbolismo, a vitória marca a primeira presença da campeã do US Open 2023 e Roland Garros 2025 nos quartos-de-final de Wimbledon, o último dos Grand Slams onde ainda lhe faltava ultrapassar a barreira dos oitavos.

Apesar de ter vencido com facilidade na ronda inaugural frente a Tamara Korpatsch, Gauff teve de lutar em três sets nas partidas seguintes contra Solana Sierra e Claire Lu, antes de derrotar Bencic depois de perder o primeiro set. Agora, espera-a Jessica Pegula, compatriota com quem tem um registo negativo de 3-5. Gauff chega embalada pela confiança de quem já sabe o que é vencer títulos do Grand Slam, o que poderá ser determinante neste novo capítulo da sua carreira.

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