Jack Draper recusou-se a ceder perante uma vaga de doença e temperaturas sufocantes em Eastbourne, carimbando a passagem aos quartos-de-final do Eastbourne Open com uma vitória determinada de 7-5, 6-4 sobre Jack Pinnington Jones. O jovem britânico, que regressou recentemente à competição após problemas no braço e no joelho, demonstrou uma capacidade de superação notável, afastando qualquer obstáculo no caminho rumo ao reencontro com o seu melhor ténis.
Aos 22 anos, Draper conquistou a sua segunda vitória desde que voltou aos courts, após o abandono forçado na etapa de Barcelona devido a uma lesão no joelho. Agora de novo na relva, o tenista admite não estar ainda no auge das suas capacidades, mas sublinha a importância de somar jogos e confiança numa fase crucial da temporada, com Wimbledon no horizonte imediato. O britânico, que há um ano figurava no top 4 mundial após o título em Indian Wells e a final em Madrid, viu a sua ascensão abruptamente interrompida por lesões, atirando-o para fora do top 100 e obrigando-o a recomeçar praticamente do zero.

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A relevância deste triunfo vai muito além do resultado pontual. Com Taylor Fritz fora da prova à última hora e apenas dois cabeças-de-série em prova – Ugo Humbert e Juan Manuel Cerundolo – o quadro em Eastbourne está completamente aberto. Draper, apadrinhado agora por Andy Murray, vê-se com uma oportunidade rara de relançar a carreira e voltar a competir com a elite do ténis mundial. O próprio reconhece a importância do momento: cada encontro é uma oportunidade para recuperar o ritmo, a resistência competitiva e a confiança perdida nos últimos meses.
No jogo frente a Pinnington Jones, Draper entrou forte, controlando o primeiro set com um break madrugador. No entanto, o adversário conseguiu salvar um set point e igualar a 5-5, obrigando Draper a reagir de imediato com novo break e a fechar finalmente o set ao serviço. A partir daí, o antigo semi-finalista do US Open embalou numa sequência de quatro jogos consecutivos, consolidando uma vantagem confortável no segundo set. Apesar de desperdiçar uma hipótese para um duplo break, manteve o controlo e selou o triunfo no terceiro match point, garantindo o duelo com Gabriel Diallo nos quartos-de-final, numa edição do torneio que pode perfeitamente sorrir-lhe.
As preocupações com a saúde não passaram despercebidas. Draper revelou, após o encontro, que “tive uma ligeira indisposição, uma espécie de vírus no estômago, portanto estive a lutar um pouco com isso”. Ainda assim, desvalorizou a utilização da manga de compressão no braço esquerdo, esclarecendo: “Sempre usei uma manga para o suor, porque caso contrário transpiro muito e a pega fica destruída muito depressa. Não teve a ver com a lesão no braço”, afirmou, mostrando-se satisfeito por aguentar as dificuldades impostas tanto pelo calor como pela indisposição.
Sobre o facto de ter Andy Murray na bancada e no papel de mentor, Draper não poupou elogios ao escocês, que tem sido uma presença constante e motivadora nos bastidores do seu regresso. “Quando ele entrou no court, as pessoas notaram e houve logo algum burburinho – não sei se ele gosta assim tanto disso”, comentou Draper, visivelmente orgulhoso pelo apoio do tricampeão de Grand Slam. “O Andy é uma lenda, por isso toda a gente adora vê-lo. É muito bom ter esse apoio. Ele adora voltar a estar envolvido no ténis. É mesmo a sua paixão, competir e sentir o ambiente do ténis. Acho que o Andy é o competidor supremo e quanto mais estou com ele, mais vejo que está mesmo a gostar de estar de volta ao circuito, o que é ótimo para mim e para ele. É muito bom tê-lo a puxar por mim.”
A ausência de favoritos claros no torneio de Eastbourne abre um caminho entusiasmante para Draper, que poderá medir forças com Ugo Humbert ou Quentin Halys nas meias-finais, caso ultrapasse Gabriel Diallo. O britânico encara esta prova como o ensaio perfeito para Wimbledon, torneio onde nunca passou da segunda ronda e cuja edição do ano passado marcou o início dos seus problemas físicos, com uma surpreendente derrota frente a Marin Cilic. Este ano, com o apoio de Andy Murray, uma preparação sólida e a motivação renovada, Draper acredita poder finalmente dar o salto em SW19. Com o Grand Slam londrino a arrancar a 29 de junho, os próximos dias serão decisivos para perceber se o jovem britânico está pronto para voltar a surpreender o mundo do ténis.
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