Surpreendente mas fiel ao seu carácter reservado, Jannik Sinner revelou que os próprios pais recusaram um convite exclusivo para assistirem ao vivo, a partir da Royal Box, aos seus jogos em Wimbledon. Enquanto muitos tenistas fazem questão de ter a família presente nos grandes momentos, os progenitores do número um mundial optaram por apoiar à distância, longe dos holofotes e das câmaras do All England Club.
A emblemática Royal Box, situada no Centre Court, foi palco de convites para Siglinde e Johann Sinner durante a primeira ronda do torneio, onde o italiano defrontou Miomir Kecmanovic. No entanto, ao contrário do que seria expectável, preferiram manter-se discretos, algo que não surpreendeu o próprio Sinner. “Eles não disseram que sim. Tudo bem, eu conheço-os, nem preciso de perguntar”, explicou o tenista em declarações à Sky Sports Tennis. “Sobretudo conheço a minha mãe e sei que ela não quer estar à frente das câmaras, o mesmo se aplica ao meu pai. Esperava um não firme e foi o que recebi, portanto está tudo bem.”

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Num cenário onde atletas como Carlos Alcaraz retiram força da presença constante da família, Sinner apresenta uma narrativa diferente. Apesar das ausências, o apoio nunca faltou, mas é sempre dado de forma reservada. O italiano, que recentemente sobreviveu a um susto frente ao sérvio Kecmanovic — tendo estado em desvantagem por dois sets a um e resistido mesmo após uma queda aparatosa — demonstrou a sua resiliência ao virar o encontro e vencer por 4-6, 6-3, 6-7, 6-2, 6-3.
A recusa do convite real diz muito sobre o perfil da família Sinner, habituada a proteger a sua privacidade, mesmo perante os maiores palcos do ténis mundial. Siglinde, mãe de Jannik, é conhecida por evitar o stress de ver o filho a competir, preferindo não assistir presencialmente. A última vez que esteve em Wimbledon foi na final de 2025, onde viu o filho erguer o troféu frente a Carlos Alcaraz. Já Johann, chef de profissão, chegou mesmo a faltar à final de Roland Garros em 2025 para trabalhar num restaurante nos Alpes Dolomitas, demonstrando que nem os compromissos profissionais são postos de lado pelo sucesso de Jannik.
Apesar de tudo, Sinner não esconde que compreende e até valoriza este afastamento familiar dos grandes palcos. “Acho que eles deixam-me sozinho com o que tenho de fazer”, confessou à Vogue em Junho deste ano. “Tenho o meu trabalho e eles têm o deles, sabem de ténis, claro, mas não tanto como eu porque nunca jogaram. Sei o que é melhor para mim e o que preciso de fazer.” Além disso, o tenista revelou que, em casa, raramente se fala de ténis, preferindo temas que o ajudem a desligar do stress competitivo. “É assim que somos como família. Gostamos de nos apoiar, mas também damos espaço uns aos outros. Quando estamos em casa, nunca falamos de ténis — conversamos sobre outras coisas”, acrescentou.
Mesmo assim, as raras presenças dos Sinner nas bancadas são marcantes. Um dos exemplos foi nas meias-finais do Masters de Roma, quando Siglinde, visivelmente angustiada pelo estado físico do filho — que enfrentou problemas de saúde e chegou a vomitar em campo —, acabou por abandonar o recinto a meio do encontro. Johann manteve-se estoico na box dos jogadores, como é habitual. O italiano recuperou, venceu Medvedev e conquistou o título diante do público italiano, com os pais finalmente a assistir ao momento de glória.
À medida que Wimbledon avança, Jannik Sinner volta ao registo habitual: sem a presença dos pais nas bancadas, mas com a mesma concentração e frieza que o caracterizam. No próximo sábado, terá pela frente o japonês Shintaro Mochizuki nos oitavos-de-final, partida em que, à partida, o favoritismo recai sobre o italiano. A ausência dos pais não parece abalar a determinação de Sinner, que se mantém focado em repetir a glória de 2025 e consolidar o seu estatuto de líder mundial.
Este episódio insólito sublinha não só a singularidade da família Sinner, como também destaca o lado mais humano e reservado de um campeão que prefere a tranquilidade doméstica ao frenesim mediático. No universo do ténis, onde a exposição é cada vez maior, a escolha dos Sinner desafia convenções e mostra que, por vezes, o segredo do sucesso reside na simplicidade e no apoio longe dos holofotes. O mundo estará atento para ver se esta fórmula única continuará a dar frutos na relva sagrada de Wimbledon.
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