A ousadia de Naomi Osaka fora dos courts voltou a ser tema de conversa antes do tão aguardado duelo com Aryna Sabalenka em Wimbledon. A japonesa surpreendeu tudo e todos ao surgir com um kimono branco, inspirado na personagem de Lucy Liu no filme “Kill Bill”, quebrando a rígida tradição do All England Club e deixando o universo do ténis em alvoroço. Aryna Sabalenka, actual número um do mundo, não poupou elogios ao visual arrojado da rival, admitindo que “adoro mesmo o vestido dela”, numa conferência de imprensa que incendiou as redes sociais e elevou ainda mais a fasquia para o embate entre duas campeãs de quatro Majors.
Sabalenka e Osaka vão defrontar-se nos oitavos-de-final do mítico torneio londrino, ambas à procura do seu quinto título de Grand Slam. Esta será apenas a quarta vez que se encontram em court, depois de duelos repartidos nos últimos anos: Osaka bateu Sabalenka no US Open de 2018, mas a bielorrussa respondeu com vitórias em Indian Wells e Madrid já em 2026, e acabou por levar a melhor também na ronda anterior em Roland Garros. Agora, depois de eliminar a campeã de Roland Garros 2017, Jelena Ostapenko, Sabalenka parte motivada para tentar melhorar o seu registo frente à nipónica, que está pela primeira vez nos oitavos-de-final de Wimbledon, após ter ultrapassado Daria Kasatkina.

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O entusiasmo em torno deste encontro não se deve apenas ao estatuto das protagonistas. O impacto de Osaka vai muito além do ténis, ao afirmar-se como ícone de estilo e autoexpressão. A escolha do kimono branco não só homenageia as raízes japonesas da atleta, como desafia abertamente o dress code centenário do torneio, habituado ao rigor e à sobriedade. A nipónica já tinha dado nas vistas este ano com um vestido inspirado numa medusa no Open da Austrália, e com um traje dourado cintilante em Roland Garros, descrito como brilhante “como a Torre Eiffel à noite”. Em Wimbledon, a ousadia não passou despercebida a Sabalenka, que comentou: “Ela está sempre pronta para trazer algo novo e diferente. É espectacular ver. Na minha opinião, é um dos melhores outfits que apresentou nos últimos Grand Slams. Adoro mesmo. Está muito giro”, declarou a bielorrussa, mostrando respeito não só pelo estilo mas também pela personalidade de Osaka.
No plano desportivo, Sabalenka reconheceu a dificuldade do desafio que tem pela frente, admitindo: “Jogámos várias vezes este ano. Tem sido sempre uma batalha, um encontro muito duro. Ela é uma jogadora muito agressiva, serve muito bem. Vi alguns dos seus jogos e está em boa forma. Mas estou pronta para sair e lutar, fazer tudo o que for preciso para ultrapassar este encontro complicado.” A tenista de Minsk chega a Wimbledon com ambições renovadas e a motivação em alta, depois de ter sido inspirada pelo documentário de Rafael Nadal na Netflix. “Vi e tive arrepios durante toda a série. Há tantas lições a retirar do Nadal. Uma das melhores frases que ele disse foi ‘a única coisa que podes controlar é o teu foco e motivação’. Tem estado na minha cabeça desde então. Ajudou-me imenso a manter-me focada e motivada quando as coisas não correm bem. Não sei se ele está a ver – provavelmente não. Mas obrigado”, confessou Sabalenka durante uma entrevista em court.
No contexto da competição, Sabalenka procura o seu primeiro título em relva, apesar de já ter sido semifinalista de Wimbledon por três vezes. A bielorrussa jogou duas finais em relva — perdeu em Eastbourne 2018 para Caroline Wozniacki e em Rosmalen 2022 para Ekaterina Alexandrova. Este ano, saiu das meias-finais de Berlim derrotada por Jessica Pegula, mantendo ainda o jejum de títulos desde o triunfo em Miami. Em 2026, já conquistou três troféus — Brisbane, Indian Wells e Miami — e perdeu a final do Open da Austrália para Elena Rybakina.
O duelo entre Sabalenka e Osaka em Wimbledon promete ser um dos grandes momentos do torneio, não só pelo confronto entre duas campeãs carismáticas, mas também pela rivalidade crescente e pelo impacto extra-desportivo que ambas trazem ao circuito. O resultado desta partida poderá ser determinante para a corrida ao título e para o balanço da temporada, com Sabalenka a tentar consolidar o estatuto de número um e Osaka a provar que está definitivamente de regresso ao mais alto nível. Independentemente do desfecho, uma coisa é certa: Wimbledon já foi conquistado pelo estilo arrojado e pela personalidade destas duas estrelas, que continuam a redefinir o que significa ser uma campeã no ténis moderno.
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